Álbum da Semana: "Unplugged" - Eric Clapton
Ouça este álbum, do lado A ao lado B, de domingo para segunda à noite, entre as 00h-01h.
Álbum da Semana com Sandra Ferreira
"Unplugged" - Eric Clapton
Eric Clapton “Unplugged” é o álbum ao vivo mais vendido da história.
Quando subiu ao palco do Bray Studios em Inglaterra a 26 de janeiro de 1992, Eric Clapton não imaginava que estava prestes a gravar um dos momentos mais marcantes da sua carreira. Na verdade, nem estava muito interessado em fazer o concerto. Afinal, um dos mais lendários guitarristas do rock a tocar acústico? Parecia estranho. Mas bastou começar a dedilhar para percebermos que aquilo não era um concerto qualquer.
A setlist misturava temas novos, clássicos do blues e versões inesperadas dos seus próprios êxitos. "Tears in Heaven", inspirada na perda do seu filho, ganhou ainda mais intensidade em palco. "Layla", que na versão original de 1970 é uma tempestade de guitarras, transformou-se numa canção quase resignada, tão delicada quanto devastadora.
Lançado a 25 de agosto de 1992, “Unplugged” foi sucesso imediato. Vendeu mais de 26 milhões de cópias e venceu seis Grammys, incluindo as mais importantes categorias, Álbum do Ano e Melhor Performance Vocal Masculina de Rock. O tema "Tears in Heaven" também venceu os troféus de Música do Ano e Gravação do Ano.
Mas “Unplugged” vai muito além dos prémios. Este álbum simboliza o regresso de Eric Clapton à música após a trágica perda do seu filho Conor, que faleceu aos 4 anos. Naquele palco intimista, diante de uma plateia reduzida, Clapton pareceu transformar o luto em arte, num concerto carregado de emoção e significado.
Os 150 privilegiados que assistiram à gravação, foram os vencedores de um passatempo da BBC Radio 1. Para garantir um lugar neste momento único, os fãs tiveram de responder corretamente a uma pergunta sobre onde Clapton se hospedou durante a gravação de "I Shot the Sheriff".
Top 5 do álbum
1. Tears in Heaven
Em 1991, Eric Clapton enfrentou uma das maiores tragédias da sua vida: a perda do seu filho de quatro anos, Conor. A dor encontrou alívio nas palavras e Clapton escreveu "Tears in Heaven", uma das canções mais comoventes da história da música.
É um tributo eterno ao amor e à memória de Conor. A canção tocou milhões de corações em todo o mundo, e ganhou três prémios Grammy em 1993: Melhor Canção, Melhor Gravação e Melhor Performance Vocal Pop Masculina.
2. Layla (Acoustic Version)
Quando Eric Clapton lançou “Layla” em 1970, todos queriam saber quem era a mulher que o deixou de joelhos. A resposta surpreendeu muitos: a canção foi inspirada em Pattie Boyd, então esposa de George Harrison, guitarrista dos Beatles.
Clapton e Harrison eram amigos próximos, mas o guitarrista não conseguiu esconder a paixão que sentia por Pattie.
O desespero de Clapton refletiu-se na canção, especialmente no refrão repetitivo "You've got me on my knees, Layla", um verdadeiro hino de súplica e obsessão. Mais tarde, Pattie acabou por deixar Harrison e casar com Clapton. O casamento durou 9 anos.
3. Old Love
Se “Layla” foi o hino da paixão e “Wonderful Tonight” celebrou o romance, “Old Love” marcou o fim da relação entre Eric Clapton e Pattie Boyd. Após nove anos de casamento, Clapton escreveu esta canção como uma despedida melancólica.
Pattie confessou ao The Guardian que ficou magoada por ver o fim do casamento transformado em música: "Já é triste o suficiente terminar uma relação, mas ter o Eric a escrever sobre isso… deixa-me ainda mais triste porque não posso responder."
Pattie Boyd foi uma das grandes musas da música. George Harrison escreveu “Something”, Clapton escreveu “Layla” durante o amor não correspondido, e depois “Wonderful Tonight” já enquanto casal. Com “Old Love”, Clapton fechou esse ciclo, transformando o adeus num blues carregado de nostalgia e emoção.
4. Before You Accuse Me
Originalmente escrita e gravada por Bo Diddley em 1957, esta música tornou-se um clássico de blues, reinterpretado por vários artistas ao longo dos anos. Eric Clapton, um apaixonado pelo género, gravou várias versões da canção ao longo da sua carreira.
Em 1989, lançou uma versão elétrica no álbum Journeyman, que chegou ao top 10 da Billboard Mainstream Rock Tracks. Três anos depois, apresentou esta abordagem mais intimista e acústica no Unplugged, aproximando-se das raízes tradicionais do blues.
4. Runnin’ on Faith
Entre os grandes momentos de Unplugged, como "Tears in Heaven" e a versão de "Layla", há uma canção que muitas vezes passa despercebida, mas que merece destaque: "Runnin’ on Faith".
Marcada por uma melodia que mistura gospel, folk e blues, esta é uma das canções mais introspectivas do álbum, onde Eric Clapton reflete sobre mortalidade, tempo e redenção. A sua voz bluesy, cheia de textura eleva cada verso, enquanto o arranjo minimalista cria um ambiente de paz e esperança. É talvez a joia escondida desta disco.