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Desculpa Irão mas o nosso coração aguentou

Iranianos deram o que tinham e o que não tinham, mas Portugal está nos oitavos de final do Mundial. Fica em segundo no grupo B

Desculpa Irão mas o nosso coração aguentou
EPA

Adivinhava-se uma batalha difícil à partida para este jogo com o Irão, e o que se viu em campo não falhou em concretizar essa premissa. Queiroz disse que hoje, em relação a Fernando Santos, seria "amigos amigos, futebol à parte".

Portugal e Irão entraram em campo com o futuro em aberto: a passagem aos oitavos estava ao alcance de ambos. E se a Portugal parecia faltar algum fio condutor, o Irão conduzia o jogo com tudo o que tinha, às vezes até com demasiado.

É que, aos 9 minutos, já Portugal criava a discórdia... entre iranianos. Raphaël Guerreiro cruzou a bola para a área iraniano e Alireza Beiranvand, guarda-redes do Irão, foi supreendido por um colega da defesa que acabou por lhe tirar a bola das mãos. João Mário, fora da área, não aproveitou a baliza deserta e atirou por cima. O que se seguiu foi uma discussão acesa entre jogadores iranianos, que ainda encostaram testas - com amigos assim...

A verdade é que esse foi, provavelmente, o momento mais intenso de quase toda a primeira parte. Os iranianos, com muito (muito mesmo) querer, lá iam chegando à baliza portuguesa com algum perigo, mas pouco atino. Aliás, se há testemunha do perigo iraniano, é Rui Patrício. O guarda-redes português ficou a ver estrelas depois de sair aos pés do 9 iraniano: Patrício agarrou a bola e a canela de Ebrahimi agarrou a cara de Patrício. Seguiram-se momentos de apreensão, com o guardião português estendido no relvado. Felizmente recuperou e tudo não passou de um susto.

Sustos esses, aliás, que se tornaram mais e mais recorrentes junto à baliza portuguesa. Com pouca clarividência e um André Silva a jogar nas linhas, o que se revela manifestamente inconsequente, Portugal falhava em criar perigo junto da baliza iraniana. Por outro lado, os iranianos não pareciam ter grandes dificuldades em criar perigo para Portugal, com Alireza a proporcionar muitas dores de cabeça a Guerreiro. Com o desenrolar do jogo, parecia que Portugal só podia marcar por magia...

Falaram em magia? É que se faltava um toque de magia ao jogo de Portugal, o Harry Potter de serviço tratou de a fornecer mesmo em cima do intervalo... 

Quaresma pegou na bola do lado direito e tabelou com Adrien, adivinha o resto? Aproximou-se do limite da área e puxou o pé direito atrás. Já adivinhou? 

Deixou o lado de fora do pé direito acertar na bola. E o resto? O resto já nós conhecemos há anos: trivela para o canto superior direito da baliza de Alireza e um grito de golo de um país inteiro.
Um toque de magia e fomos todos enfeitiçados para o intervalo. E amaldiçoados voltámos.

Passaram 4 minutos e já Ronaldo estava a ser derrubado dentro da grande área. Muitas dúvidas, o árbitro foi ao VAR e voltou de lá com boas notícias para Portugal. Bola para Ronaldo, na marca dos 11 metros. Partiu para a bola, rematou para a direita... e Beiranvand foi lá buscá-la. Ronaldo falhou o penálti e começou a magia para os iranianos, que gritaram golo... quase.

O que é certo é que o jogo e melhorou e o Irão começou a acreditar que poderia, realmente, chegar ao golo. E se ficou melhor, o jogo também ficou mais duro, principalmente da parte do Irão. Muita luta, muito confronto, muita discussão desnecessária e um Quaresma que ainda teve tempo para vingar uma falta feita sobre si, antes de ser substituído por Bernardo Silva.

O jogo começou a apertar muito e, não fosse Pepe, Portugal estaria em maus lençóis. Carlos Queiroz também não ajudava propriamente a serenar os ânimos, tanto que depois de se queixar de um penalti e questionar a não utilização do VAR, virou-se para a bancada a perguntar ao público iraniano o que achava. A resposta foi ruidosa. E, aos 90, fez efeito.

Cédric, em luta com Azmoun, acaba por fazer penalti e Ansarifard aproveitou para nos pôr a todos de coração nas mãos. É que, ao mesmo tempo, Espanha empatava contra Marrocos e um golo do Irão eliminava-nos do Mundial.

Até ao final, foi o fado português: sofrer a bom sofrer. Mas no fim, Portugal chegou aos oitavos, apurando-se no segundo lugar do grupo B. 

Vem aí o Uruguai.