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Não soubemos dançar o tango com Cavani

Ficámos pelos oitavos de final. Acabou o sonho de Portugal, sem amor, na Rússia.

Não soubemos dançar o tango com Cavani
EPA/JUAN HERRERO

À partida para este jogo sabíamos que são precisos dois para dançar o tango, e as duplas estavam bem definidas: Portugal e Uruguai, Godín e Giménez, Ronaldo e Guedes, Suárez e Cavani e Europa e América do Sul.

O jogo até começou bem para Portugal, com Fonte a cabecear à baliza com perigo. O problema, é que "perigo" é o nome do meio da dupla letal de atacantes uruguaios que têm espalhado o caos por essa Europa fora. E Portugal, como faz parte da Europa, também sentiu esse caos.

A bola começa nos pés de Cavani, do lado direito, que a envia para o corredor esquerdo, onde estava Suárez. O que se segui foi o mesmo movimento de bola, mas no sentido contrário: Suárez, do lado esquerdo do ataque, cruzou para o segundo poste, onde apareceu Cavani nas costas de Guerreiro (que ficou completamente perdido no meio de tudo isto) a "cabecear" para a baliza de Rui Patrício. E uma bola saída da cabeça (ou ombro, ou pescoço) de Cavani é um tiro.

Sete minutos volvidos e já Portugal estava a perder. O que se seguiu foi um tipo de jogo que o Uruguai tem feito muito bem até aqui: abdicar quase a 100% do ataque, defender de forma irrepreensível e dar a bola a Cavani e Suárez para que se divirtam entre si. 

O que não estava a ser divertido era ver o que Portugal fazia em campo. A bola circulava entre os pés de Guerreiro, William e Ricardo Pereira, numa espécie de pêndulo entre os corredores do ataque português. É caso para dizer que nos esquecemos de que no meio é que está a virtude. Foi assim que fomos para o intervalo: a perder por 1-0 e aparentemente sem forma de mudar o cenário.

A verdade é que após o intervalo, algo mudou: Bernardo passou a jogar no centro do terreno, Ronaldo começou a vir às linhas e a equipa descobriu que o corredor central também é uma via de ataque.

E como quem ataca, ganha bolas paradas, Portugal conquistou um canto que reacendeu a chama lusa: Guerreiro cruzou da esquerda e Pepe, solto de marcação, cabeceou para o fundo das redes de Muslera. Afinal, havia esperança.

A partir daí o jogo mudou, Portugal assumiu-o e soube que tinha que aproveitar o facto de estar na mó de cima. O que não mudou, foi o facto de Suárez e Cavani estarem no ataque do Uruguai. 

Sete minutos depois do golo português, Cavani voltava a mostrar que a eficácia é a forma mais letal de resolver um jogo. Rematou cruzado, a partir do lado esquerdo da área portuguesa, e colocou a bola no fundo das nossas redes. Autêntico balde de água fria na chama portuguesa que se tinha acendido sete minutos antes.

Daí até ao fim foi mais do mesmo: Portugal atacou como nunca, cruzou, rematou e tentou chegar perto da baliza, mas Godín e Giménez não deixavam que Portugal causasse grandes calafrios.

Quaresma, André Silva e Manuel Fernandes ainda se juntaram à festa, para ver se sabiam dançar, mas nenhum deles foi capaz seduzir suficientemente a bola para a levar a entrar na baliza. O jogo acabou com Patrício junto da baliza uruguaia, a sofrer um toque que muitos consideram ser para penálti. Não houve VAR, nem houve variação no resultado. 

Acabou a conquista do sonho. De forma pragmática, letal e sem floreados, à maneira uruguaia.