PARTILHAR

Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo! Que mais se pode dizer?

A seleção portuguesa entra no Mundial 2018 com um empate a três contra Espanha, num jogo que pode já se ter tornado num clássico dos mundiais.

Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo! Que mais se pode dizer?
EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Numa noite quente de verão, como o povo português gosta, montou-se o arraial em Sochi. Portugal mostrou por que é campeão da Europa e puxou dos galões para combater a sempre poderosa e perigosa Espanha.

Aos 4 minutos já Ronaldo bailava dentro da tenda espanhola, e com um jogo de ancas irrepreensível fez de Nacho um perna de pau.
Penálti para Portugal, Ronaldo remata, Ronaldo marca. Um refrão clássico e que nunca vai, por certo, passar de moda.

O golo deu confiança aos portugueses e Guedes podia também ter ajudado à festa, mas desperdiçou um contra-ataque que veio a sair caro. Pouco depois, Diego Costa fez o seu cotovelo dançar em direção a Pepe, ganhou a posição e depois foi o espanhol quem deu baile a um, a dois e a três portugueses, antes de rematar para o canto inferior direito da baliza guardada por Rui Patrício, volvidos 24 minutos.

O golo deu novo alento aos espanhóis e começaram a ouvir-se castanholas no arraial até aqui bem português. Entre toques, passes curtos e desmarcações que só Iniesta consegue ver, Portugal ia deixando levar-se pelas danças dos espanhóis, expondo-se cada vez mais às perigosas "reviengas". Mas como se costuma dizer, cão que ladra não morde, e foi mesmo Portugal quem conseguiu voltar a domar a fera.

O mestre de cerimónias? O mesmo de sempre, Cristiano Ronaldo. Aos 44 minutos, à entrada da grande área espanhola, recebeu um passe de Guedes que o deixou com ângulo aberto para a baliza. Como é hábito, Ronaldo não se fez rogado e disparou de pé esquerdo para a baliza, ainda que de forma não muito eficaz. O resto, fez De Gea: o guarda-redes ajoelhou-se aos pés de uma bola que parecia facílima e, como em qualquer bom arraial, se se ajoelhou, devia ter rezado. Não o fez e no fim foi Ronaldo quem disse "Siii".

Portugal recolheu aos bastidores com a vantagem na mão e voltou com os mesmo 11 festeiros para a segunda parte.

O problema é que o festeiro-mor de Espanha também regressou e voltou a mostrar que é frio e não se dá a grandes danças. Na sequência de um livre à entrada da área, a bola foi enviada para o segundo poste, onde Ramos cabeceou para a boca da baliza portuguesa, à mercê de Diego Costa. 2-2 para os espanhóis aos 55 minutos.

Três minutos depois, virou o disco e... tocou o mesmo. Gigante carambola na grande área portuguesa, muita confusão para tirar a bola dali e tudo isto acabou da pior maneira: Nacho apanhou a bola à entrada da área e rematou de forma exímia para o canto (mais uma vez o inferior direito) da baliza de Rui Patrício. Remontada espanhola aos 58 minutos.

Saltemos até ao minuto 87, não por falta de vontade mas sim porque, e sejamos muito sinceros, o jogo resumiu-se a um jogo do "meiinho" em que Portugal esteve no meio de centenas de passes espanhóis e pouco ou nada tocou na bola.

Mas, de volta ao minuto 87: Ronaldo ganha uma falta à entrada da área, mesmo ao gosto de um tomahawk. Ronaldo pega na bola, coloca-a no relvado. Dá cinco passos atrás e dois para o lado esquerdo. Respira fundo, fecha os olhos e olha para um sítio que só ele consegue ver.

Abre os olhos, corre para a bola. Pum. A bola sobrevoa a barreira e voa para o canto superior direito. Silêncio espanhol, arraial português.

Cristiano Ronaldo abre o Mundial 2018 com um hat trick. Podemos conquistar o sonho.