Uruguai: raio-x ao próximo adversário
Muito forte nas bolas paradas, dois génios à solta no ataque e um meio-campo que mostrou evolução no último jogo. Eis o Uruguai de Tabarez!
Três jogos, três vitórias, cinco golos marcados e zero sofridos. Das 32 seleções presentes no Mundial, apenas o Uruguai não sofreu qualquer golo até ao momento! Tem a palavra Ronaldo e companhia para acabar com a estatística!
O adversário de Portugal nos oitavos de final começou a competição em regime qb. Depois de vitória tangencial sobre o Egito, mesmo no final, com uma cabeçada de Gimenez, valeu um golo solitário de Suarez, na sequência de um canto, sobre a Arábia Saudita. Foi um regime de serviços mínimos que garantiu a qualificação para a próxima fase, deixando guardada para o último jogo, com a Rússia, a melhor exibição do Uruguai na competição.
Frente aos anfitriões, um triunfo categórico, por 3-0, mais uma vez, com três golos na sequência de bola parada. Suarez, Cavani e um autogolo coloriram o marcador e mostraram o outro lado de uma seleção que estava escondida, quase a dar a ideia de que tentava passar despercebida na competição.
À atenção de Portugal, os lances de bola parada. Os cinco golos foram conseguidos através de canto (3) livre indireto (1) ou livre direto (1), com a grande contribuição dos centrais made in Atletico Madrid. Godin e Gimenez formam uma dupla de aço, à frente do experiente Muslera. No último jogo, Cacéres (Lazio) e Laxalt (Genova) foram os laterais, mas também o menos ofensivo Varela (Peñarol) pode ser opção.
Num previsível 4.4.2, Torreira (ou Vecino) e Bentancur coordenam o jogo pelo corredor central, deixando os corredores laterais para Nandez (titular à direita) e com três possibilidades para o lado esquerdo: Vecino (que pode estar no meio), Arrascaeta e Christian Rodriguez. Outra opção passa por Laxalt, já utilizado como defesa-lateral contra a Rússia.
O ataque é o setor com menos dúvidas: Suarez e Cavani (já marcaram em três mundiais) serão titulares e formam uma das mais temíveis duplas de avançados do Mundial, deixando no banco Stuani (21 golos pelo Girona) e Maxi Gomez (17 golos pelo Celta) como alternativas.
Em resumo, uma seleção muito forte nas bolas paradas, com enorme capacidade ofensiva, principalmente dos centrais, e dois jogadores no ataque que conseguem desequilibrar. No meio-campo, se for repetido o losango do último jogo, teremos quatro jogadores muito próximos, de passe curto e muito em posse a tentarem municiar os corredores laterais ou, em processo mais simples, chamarem a jogo os dois génios da frente.
Oscar Tabarez, de 70 anos, é o responsável técnico do Uruguai há doze anos. Este é o seu último Mundial!
