Histórico Vilar de Mouros arranca esta semana
O festival mais antigo do país decorre de 21 a 24 de agosto em Vilar de Mouros, Caminha.
Esta semana, arranca a edição de 2024 do CA Vilar de Mouros, o histórico festival que decorre anualmente na freguesia de Vilar de Mouros, em Caminha. Este ano, o festival será de 4 dias: de 21 a 24 de agosto.
O cartaz teve de ser ajustado após o cancelamento dos Queens of the Stone Age devido a um problema de saúde do músico Josh Homme. Para substituir os norte-americanos, que eram os cabeças de cartaz do primeiro dia, a organização anunciou Amália Hoje (projeto que celebra Amália Rodrigues), Delfins e GNR, bandas que se juntaram aos nomes que já tinham sido anunciados, The Legendary Tigerman e Fogo Frio. No dia de arranque, a entrada no festival é gratuita, estando apenas sujeita à limitação do espaço.
A 22 de agosto, os festivaleiros de Vilar de Mouros vão poder assistir aos concertos dos The Cult, Xutos & Pontapés, Soulfly, Moonspell e Ramp. Um dia depois, a 23 de agosto, há atuações de Sulfur Giant, Capitão Fausto, Ornatos Violeta, Crystal Fighters e Die Antwoord. No cartaz do último dia, estão nomes como os de Vapors of Morphine, David Fonseca, Waterboys, Libertines e Darkness.
Os Delfins sobem ao palco de Vilar de Mouros para celebrar 40 anos de carreira. Miguel Ângelo, Fernando Cunha, Luís Sampaio, Rui Fadigas, Jorge Quadros e Dora Fidalgo começam a atuar por volta da uma da manhã e depois dos concertos de Amália Hoje, GNR, The Legendary Tigerman e Fogo Frio. O fecho do primeiro dia de festival será de festa e ao som das canções que o grupo "implantou" na memória coletiva portuguesa.
"Podem esperar um concerto de êxitos. Vamos tocar durante 75 minutos, por isso vai ser uma concentração de êxitos, sobretudo dos álbuns 'O Caminho da Felicidade' [1995] e 'Saber A Mar' [1996], os dois discos que marcaram a década de noventa", disse Fernando Cunha à M80.
"Esperamos que as pessoas adiram como têm aderido nos espetáculos que já fizemos este ano. Queremos que seja mais um momento de celebração. Um momento de celebração de todos. De celebração entre a banda e as pessoas que estiverem presentes", acrescentou o guitarrista português.
Sobre o regresso dos Delfins aos palcos, Fernando Cunha relembra que a ideia de "comeback" solidificou-se com o concerto que a banda deu em 2019 nas Festas do Mar de Cascais, ao lado da Orquestra Sinfónica de Cascais. "Fez com que nos juntássemos e voltássemos a ensaiar. E correu muito bem. Parecia que não tínhamos estado dez anos sem tocar. As pessoas reagiram muito bem. Percebemos que as canções ainda estavam vivas no imaginário coletivo. E em pessoas de várias gerações".
Os Amália Hoje levam Amália Rodrigues a Vilar de Mouros para celebrar a estrela maior do fado no 25.º aniversário da sua morte. Nuno Gonçalves, Sónia Tavares, Paulo Praça e Fernando Ribeiro sobem ao palco do festival às 23h45 e vão chegar ao palco minhoto para mostrar ao público a nova fase do projeto que assinala 15 anos desde a edição do álbum homónimo. O regresso chega com o novo single, 'Fado Amália'.
"Este regresso tem a ver com uma série de efemérides, a começar com o 15.º aniversário da edição do nosso disco", contou-nos Nuno Gonçalves, mentor do projeto que dá uma textura mais virada para a pop a fados celebrizados e engrandecidos na voz de Amália. "Quisemos cimentar a data. O projeto é importante a nível artístico mas também a nível pessoal. Até filhos nasceram dos Amália Hoje, como é o caso do filho da Sónia [Tavares] e do Fernando [Ribeiro]. (risos) Com este projeto também se criou uma família", disse-nos o músico. "A par disso, queremos celebrar os 25 anos da morte da grande diva do fado", acrescentou.
Além das duas efemérides relembradas pelos Amália Hoje, há uma outra relacionada com a história do festival minhoto. A própria Amália Rodrigues fez parte do cartaz de Vilar de Mouros e na primeira edição oficial. Foi em 1971, ainda antes do 25 de Abril, ao lado de nomes como Manfred Mann, Quarteto 1111 ou Elton John. "Quando nos convidaram [para atuar no festival], ficámos muito contentes porque sabíamos que Amália Rodrigues tinha atuado na primeira edição. Ainda hoje não é normal haver nomes do fado nos festivais ditos "pop", mas a verdade é que sempre dissemos que a Amália Rodrigues foi a grande primeira artista pop portuguesa. Essa tem sido sempre a narrativa do nosso projeto. A Amália Rodrigues atuava no mundo inteiro, tratava por tu grandes artistas da pop mundial, isto balizando, claro, o que na altura era visto como um artista pop. A Amália Rodrigues era uma artista global", sublinhou o músico que destaca a importância de dar a conhecer a histórica fadista às gerações mais novas. "Tocar estas canções com uma roupagem nova e mostrar às novas gerações os poetas que cantou é e continuará a ser o legado dos Amália Hoje".
Paulo Furtado regressa a Vilar de Mouros, agora com o álbum "Zeitgeist" (editado em 2023) debaixo do braço, mas não esquecendo o reportório que assina desde 2002. É a terceira vez que o nome The Legendary Tigerman figura no cartaz do festival, depois de ter feito parte das edições de 2016 e 2022. Desta vez, Paulo Furtado vai estar em palco acompanhado por Sara Badalo, Cabrita (saxofone e teclas), Filipe Rocha (baixo e sintetizadores) e Mike Ghost (bateria). "A banda está a viver um momento peculiar. Acho que é o nosso melhor momento. É o meu melhor momento dos últimos anos", confidenciou-nos o músico de Coimbra. "Acho que isso tem a ver com o último disco e também com a nova roupagem das músicas. A relação que se tem criado entre o palco e o público tem sido mágica. E acho que em Vilar de Mouros também vai ser um momento especial", sublinhou.
"O disco [Zeitgeist] cresceu muito na estrada. E o próprio concerto também. As canções mais antigas levaram uma nova roupagem. Estou a falar até de canções do meu primeiro álbum ["Naked Blues"]. O facto de ter a Sara Badalo na voz torna possível repescar uma data de canções mais antigas que não tocávamos porque não fazia sentido tocá-las sem uma voz feminina. Falo de canções como a 'Shell's a Hellcat', por exemplo. E de outras. Isto abre o leque de canções que podemos tocar ao vivo. Acho que nunca tive uma banda como tenho neste momento".
Os Moonspell (que atuam a 22 de agosto) também são reincidentes em Vilar de Mouros, sendo que na primeira passagem pelo festival minhoto, em 2006, atuaram no mesmo dia que os Soulfly, tal como vai acontecer na edição deste ano. Fernando Ribeiro, que no primeiro dia atua com os Amália Hoje, promete agitar as massas no segundo dia e "abrir o apetite" do público para o que vem a seguir: Soulfly, Xutos & Pontapés e The Cult. "Estamos a preparar um concerto muito agitado, com muito mosh e com um alinhamento muito rockeiro e metaleiro. Vamos apostar nessa dinâmica, com os hits dos Moonspell e com as canções que os nossos fãs conhecem. Acho que vai ser um concerto com grande energia", disse-nos o músico.
É a segunda vez que os Moonspell agitam a pequena freguesia minhota. Fernando Ribeiro confidenciou-nos que "tem uma grande estima" pelo festival mais antigo do país e disse-nos porquê. "Tem o condão de ser um festival que foi criado na altura em que Portugal estava a acordar para o rock. Lembro os nomes míticos que passaram por Vilar de Mouros, como o Elton John ou os U2. São nomes que nunca serão esquecidos na história dos festivais em Portugal. Mas esta nova vida de Vilar de Mouros também me agrada bastante. Chama imensas bandas que eu gosto. Algumas não estão propriamente na moda mas continuam a ter qualidade e fãs. Além disso, Vilar de Mouros é dos poucos festivais que não têm medo de apostar num dia completamente rockeiro e metaleiro", sublinhou o frontman dos Moonspell.
Um dia depois, a 23 de agosto, atuam os Ornatos Violeta. A banda, que depois da morte de Elísio Donas (em 2023) junta Manel Cruz, Nuno Prata, Peixe e Kinörm, vai a Vilar de Mouros celebrar os 25 anos do álbum "O Monstro Precisa de Amigos".
A banda portuense, que entra em palco às 22h45, vai atuar com um quarteto de cordas da Casa da Música, como nos disse Kinörm. Para o baterista, Vilar de Mouros "é um festival que fica bem" aos Ornatos.
Também no dia 23 atuam os Capitão Fausto. A banda de Alvalade, que fez a estreia no festival em 2014, regressa a Vilar de Mouros em formato quarteto depois da saída do teclista Francisco Ferreira. "Subida Infinita" - álbum editado em março - estará presente no alinhamento pensado para sexta-feira mas ao lado de glórias faustianas que foram editadas com os restantes quatro álbuns do coletivo lisboeta. "Para o nosso regresso ao Vilar de Mouros, vamos passar pelo nosso último álbum, que tem sido o disco que temos estado a tocar, mas também fazemos questão de passar por toda a nossa discografia. Vamos passar pelo 'Gazela', 'Pesar o Sol', 'Têm os Dias Contados' e 'A Invenção do Dia Claro'", garante o baixista Domingos Coimbra.
"Há sempre um desafio quando fazemos o alinhamento para o formato festival. O concerto acaba por ser mais curto. É o desafio de darmos prioridade ao álbum mais recente e, ao mesmo tempo, passarmos pela restante discografia. Será um equilíbrio".
