2025 na música: as polémicas

    Os casos mais polémicos no universo musical em 2025.

    Eurovisão e a polémica presença de Israel na competição 

    A poucos dias da edição de 2025 da Eurovisão - que decorreu nos dias 13, 15 e 17 de maio, em Basileia, na Suíça - mais de 70 ex-participantes da competição – entre os quais os portugueses Salvador Sobral, António Calvário, Fernando Tordo, Lena D’Água e Rita Reis – assinaram uma carta aberta para apelar a exclusão de Israel do concurso. O apelo, para tirar a emissora israelita KAN da competição, foi feito à União Europeia de Radiodifusão (UER) devido à atuação de Israel na Palestina, sobretudo na Faixa de Gaza. 

    Além dos artistas portugueses, entre os subscritores, estavam antigos representantes de países como Finlândia, França, Irlanda, Noruega, Eslovénia, Suíça, Reino Unido, Albânia, Bósnia Herzgovina, Turquia e Malta. "A KAN é cúmplice do genocídio de Israel contra os palestinianos em Gaza e do regime de décadas de apartheid e ocupação militar contra todo o povo palestiniano”, lia-se na carta subscrita pelos vários artistas. 

    A Eurovisão decorreu como estava previsto e Israel conseguiu alcançar o segundo lugar na final, ficando atrás da Áustria que venceu a edição deste ano. A canção israelita subiu na tabela da classificação devido aos votos do público, obtendo 297 pontos no televoto. No voto que ficou nas mãos do público, 'New Day Will Rise', interpretado pela cantora israelita Yuval Raphael, foi a canção mais votada em 13 países, incluindo Portugal, mas obteve apenas 60 pontos por parte do júri profissional.  

    A indignação de Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol  

    A participação de Israel e o bom resultado da canção israelita acentuaram ainda mais a polémica. Poucos dias após a final do evento, Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha, exigiu que Israel fosse excluído da Eurovisão, bem como de outros eventos internacionais. Sánchez pediu uma medida semelhante à que foi tomada com a Rússia que foi banida da Eurovisão após a invasão da Ucrânia em 2022.  

    "Não podemos permitir dois pesos e duas medidas, nem mesmo na cultura", disse numa conferência de imprensa, a19 de maio, em Madrid. "Ninguém levou as mãos à cabeça quando, há três anos, a Rússia foi excluída de competições desportivas internacionais ou de iniciativas como a Eurovisão", acrescentou.  O primeiro-ministro espanhol enviou depois um abraço solidário aos povos da Palestina e da Ucrânia, dizendo que ambos "estão a viver a irracionalidade da guerra e dos bombardeamentos".  

    A RTVE (televisão pública espanhola) também pediu uma auditoria aos resultados apurados no televoto em Espanha, sendo que a pontuação máxima espanhola (de 12 pontos) foi atribuída à cantora israelita.

    A reação do vencedor da edição de 2025 também em relação a Israel 

    O austríaco JJ, que venceu a 69.ª edição da competição, lamentou que Israel ainda estivesse em competição e disse esperar que o país fosse excluído do concurso em 2026. O cantor que deu voz a 'Wasted Love' (a canção vencedora) falou sobre o assunto durante uma entrevista que deu ao jornal espanhol "El País". JJ classificou a participação de Israel de "dececionante", tendo em conta a ação militar levada a cabo na Faixa de Gaza. 

    UER pressionada

    Após ameaças de boicotes à participação na Eurovisão de países como a Eslovénia, Espanha, Irlanda, Islândia e Países Baixos, a União Europeia de Radiodifusão anunciou uma reunião para novembro para que fosse discutida a permanência de Israel. A reunião acabou por ser adiada para dezembro, à luz do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, sendo incluída na agenda da "Assembleia Geral de Inverno” do concurso. Em novembro, porém, a organização da competição anunciou novas regras de votação, nomeadamente uma redução do número de votos do público e o regresso de jurados nas meias-finais. 

    A decisão e os boicotes oficiais 

    A 4 de dezembro, na tal assembleia que teve lugar na Suíça, ficou decidido que Israel poderia participar na Eurovisão 2026 que vai decorrer em maio, em Viena, na Áustria. "Todos os membros da UER que desejem participar no Festival Eurovisão da Canção 2026 e concordem em cumprir as novas regras são elegíveis para participar", lia-se no comunicado que resultou do encontro. 

    A RTP - Rádio e Televisão de Portugal confirmou a presença em Viena após terem sido alteradas as regras de votação no concurso, mas as emissoras de países como Espanha, Irlanda, Países Baixos, Islândia e Eslovénia anunciaram oficialmente o boicote à próxima edição do concurso. 

    Uma petição dirigida à RTP após a decisão de manter Portugal no concurso 

    A 5 de dezembro, foi criada uma petição que exigia a retirada de Portugal da próxima edição do festival eurovisivo – petição essa que ultrapassou as 27 mil assinaturas – mas sem qualquer efeito.

    Boicote dos músicos e autores portugueses

    A 10 de dezembro, um grupo de 17 músicos e intérpretes, entre os quais Cristina Branco e Bateu Matou, anunciaram recusar representar Portugal na cidade austríaca, caso vençam o Festival da Canção da RTP, em protesto contra a participação de Israel.
    “Com palavras e com canções, agimos dentro da possibilidade que nos é dada. Não compactuamos com a violação dos Direitos Humanos”, afirmaram os 17 artistas, bandas e intérpretes num comunicado conjunto enviado à Lusa, na qual explicam a recusa em participar. Cristina Branco, os músicos de Bateu Matou, Rita Dias e Djodje estão entre os que assinam o comunicado, no qual lamentam que a RTP tenha alinhado a favor da participação de Israel.
    O comunicado é assinado igualmente por Beatriz Bronze (Evaya), Francisco Fontes, Gonçalo Gomes, Inês Sousa, Jorge Gonçalves (Jacaréu), Marquise, Nunca Mates o Mandarim, Pedro Fernandes ou Rita Dias.


    Nemo, vencedor de 2024, devolve o troféu 

    Também em dezembro, poucos dias depois de anunciada a permanência israelita, o artista Nemo, que venceu em 2024, anunciou a pretensão de devolver o troféu da vitória à organização. "No ano passado, ganhei a Eurovisão e deram-me um prémio", começou por escrever. "E apesar de estar imensamente grato pela comunidade que faz parte deste evento e pelo que a experiência me ensinou tanto como pessoa tanto como artista, sinto que este troféu já não deve estar na minha prateleira", acrescentou.

    "A Eurovisão diz que defende a união, a inclusão e a dignidade para todos. Estes valores fizeram com que este concurso tivesse significado para mim", lia-se na nota. "Mas a permanência de Israel, depois da comissão internacional independente de inquérito das Nações Unidas ter concluído que houve um genocídio [na Faixa de Gaza] mostra um claro conflito entre esses ideais e a decisão tomada pela EBU [em português União Europeia de Radiodifusão]", continuou. "Isto não tem a ver com pessoas ou artistas. O concurso foi repetidamente utilizado para limpar a imagem de um estado acusado de graves irregularidades, enquanto a EBU insistia que o Eurovisão é apolítica", sublinhou Nemo. 

    Afinal, que países vão participar? 

    A União Europeia de Radiodifusão confirmou a 15 de dezembro que 35 países vão competir na edução número 70 da Eurovisão, que decorre entre 12 e 16 de maio. Os 35 países são: Albânia, Arménia, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Moldávia, Montenegro, Roménia, Noruega, Polónia, Portugal, São Marino, Sérvia, Suécia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido.

    Autoridades britânicas vs. bandas pró-Palestina 

    As autoridades britânicas anunciaram em junho que iam investigar os concertos que a dupla Bob Vylan e o trio Kneecap deram da edição de 2025 do festival inglês Glastonbury - evento que aconteceu precisamente em junho. 

    A polícia britânica decidiu avançar com a investigação após ter visto ambas as atuações - que foram marcadas por fortes críticas à atuação de Israel, sobretudo na Faixa de Gaza, e pela mensagem pró-Palestina. A investigação acabou por não encontrar evidências suficientes para avançar com a acusação.  

    Durante a atuação, Bobby Vylan - da dupla de rap punk Bob Vylan - gritou por uma "Palestina livre" e "morte às IDF", que são as Forças de Defesa de Israel. As palavras do músico inglês contra o exército israelita foram ditas no mesmo dia em que o jornal também israelita "Haaretz" avançou com a notícia de que os soldados das IDF foram ordenados a disparar contra civis palestinianos, que estavam desarmados, nos pontos de ajuda humanitária. 

    "Não somos punks pacifistas. Somos punks violentos. Às vezes, temos de passar a mensagem de uma forma violenta, porque, infelizmente, é a única linguagem que algumas pessoas entendem". 

    A "Sky News" adiantou na altura que, após o controverso concerto, a dupla deixou de ser representada nos Estados Unidos pela agência United Talent Agency. Já a "Rolling Stone" avançou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos cancelou os vistos da dupla, que tinha uma digressão marcada em solo norte-americano para o outono.  "O Departamento de Estado cancelou os vistos dos elementos dos Bob Vylan após o discurso odioso em Glastonbury incluir cânticos a incitar à morte", lia-se na publicação de Christopher Landau, Secretário de Estado Adjunto dos Estados Unidos.

    No rescaldo da controversa atuação, a organização do festival inglês também emitiu um comunicado, dizendo que o Glastonbury não era um lugar para o “antissemitismo ou incitamento à violência”.  

    Bobbie Vylan, outro dos elementos da dupla, publicou um vídeo no Instagram a criticar os políticos que disse gastarem tempo a criticar a banda, dizendo que estes "deviam ter vergonha por dar atenção a este tipo de situações e não a outras". O músico também deixou uma mensagem ao povo israelita. "Aos civis de Israel, entendam que esta fúria não é dirigida a vocês. Não deixem que o vosso governo vos convença que ao falarmos do exército estamos a falar de vocês".

    Os irlandeses Kneecap, que também estiveram na mira das autoridades britânicas, têm sido bastante vocais na defesa da Palestina e contra o atual primeiro-ministro britânico, Keir Starmaer, a quem acusam de cumplicidade com Israel. O vocalista do trio, Mo Chara, foi julgado por "incitamento ao terrorismo" por, noutra ocasião, ter, alegadamente, mostrado uma bandeira do grupo Hezbollah, mas saiu em liberdade, sem acusações. 

    Anjos vs. Joana Marques 

    A 3 de outubro, a humorista Joana Marques foi absolvida da ação que os Anjos decidiram levar a tribunal. Os dois cantores exigiam à comediante uma indemnização de mais de um milhão de euros, alegando prejuízos causados por um vídeo divulgado pela humorista.
    Perante a decisão do tribunal, os irmãos Sérgio e Nelson Rosado disseram, em comunicado, que aceitavam o que foi determinado judicialmente mas que, ainda assim, discordavam da decisão. "Sempre dissemos que respeitamos e acreditamos na justiça, mesmo em decisões como a de hoje, com a qual não concordamos", lia-se na nota. "Este processo nunca teve como objetivo limitar a liberdade de expressão e muito menos o humor, mas sim defender aquilo que é justo", rematou a dupla. 

    Nininho Vaz Maia foi alvo de operação da Polícia Judiciária ligada ao tráfico de droga 

    Em maio, o cantor foi constituído arguido no âmbito de uma operação da Polícia Judiciária no combate ao tráfico de droga. No dia em que Nininho Vaz Maia foi alvo de uma busca domiciliária levada a cabo pela PJ, a equipa do cantor emitiu um comunicado à imprensa para sublinhar a inocência do artista. "Importa deixar absolutamente claro que o Nininho está inocente e que confiamos plenamente na Justiça e estamos certos de que tudo será esclarecido com brevidade. Reafirmamos total disponibilidade para colaborar com as autoridades em tudo o que for necessário, mas rejeitamos qualquer associação precipitada", dizia a nota. 

    O cantor foi um dos visados de uma operação de larga escala na região da Grande Lisboa levada a cabo pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes. De acordo com o comunicado emitido pela PJ, da operação resultaram dois detidos e foram constituídos três arguidos “por suspeitas da prática dos crimes de tráfico de estupefacientes e de substâncias e métodos proibidos”.

    A nota de imprensa da PJ refere que a “operação teve em vista a recolha de prova, sobre as presumíveis atividades ilícitas, de um grupo criminoso, que se dedicava ao tráfico de estupefacientes por via aérea e branqueamento de capitais", adiantava o comunicado. “Além do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram, ainda, apreendidas cinco viaturas, duas armas de fogo, uma elevada quantidade de dinheiro em numerário, diverso material de comunicações e documentação”.

    A detenção do rapper Plutonio

    Em julho, o rapper Plutónio postou uma mensagem na sua conta de Instagram onde negava que tivesse sido detido, no fim de semana anterior, por um ato “de violência ou agressão a um militar da GNR", tal como havia sido noticiado por alguns meios de comunicação. O rapper acrescentou que o motivo da detenção deveu-se a "uma infração de natureza menor".

    Plutonio referiu ainda o seguinte: "a única coisa que tenho em comum com o caso noticiado é que se passou em 2015 no bairro onde eu cresci e [que] sempre representei de forma pública", o Bairro da Cruz Vermelha, atrás de Alcabideche e do Estoril. Plutonio acrescentou que no caso de 2015, “as pessoas envolvidas já foram julgadas, condenadas e, inclusive, já cumpriram pena por isso”.

    Sean Combs condenado por crimes relacionados com prostituição 

    A 2 de julho, o rapper e produtor norte-americano Sean 'Diddy' Combs foi condenado, em Nova Iorque, por crimes relacionados com prostituição, mas absolvido dos crimes de tráfico sexual e extorsão, que tinham pena mais gravosa, chegando à prisão perpétua.

    Ao fim de três dias de deliberações, o júri anunciou o veredicto que condenou o músico e empresário por crimes relacionados com transporte de pessoas para prostituição, incluindo as ex-namoradas Cassie Ventura e 'Jane' (assim nomeada com pseudónimo), e cuja pena de prisão pode chegar aos dez anos. O júri absolveu-o das acusações de tráfico sexual e de conspiração para extorsão e crime organizado. 

    Kendrick Lamar vs. Drake 

    Em janeiro, saiu a notícia de que Drake estaria a mover um processo judicial por difamação e assédio contra a editora Universal e a plataforma de streams Spotify. A razão? Bom, o rapper canadiano entendeu que ambas as companhias manipularam e incentivaram o uso do tema ‘Not Like Us’, da autoria de Kendrick Lamar, que ataca Drake em diversos momentos. A parte da letra em que Lamar insinua que Drake  é um criminoso pedófilo foi o que instigou o canadiano a instaurar o processo. Not Like Us é um dos momentos do chamado “beef” entre Drake e Lamar que se arrasta desde o ao passado. 

    Em resposta ao processo movido pelo rapper Drake, a editora multinacional Universal Music apresentou em março uma solicitação ao tribunal federal de Nova Iorque, em que não só refutava a acusação de “malícia” por ter publicado a música de Lamar, como atribui vitória a este último no duelo com o canadiano.

    A editora aconselhou Drake a desistir do processo, argumentando que foi o próprio queixoso que abriu a batalha de palavras, com o tema ‘Successful’ (2009), citando no documento os versos do tema “Yeah, I want it all, that’s why I strive for it/Diss me, you’ll never hear a reply for it” ["sim, quero tudo, é por isso que me esforço/Isso, menospreza-me, nunca ouvirás uma resposta minha” ].

    Membros das Pussy Riot condenadas a 8 e 13 anos de prisão

    Um tribunal de Moscovo condenou em setembro, à revelia, a penas entre oito e 13 anos de prisão as integrantes da banda Pussy Riot, consideradas culpadas de difundir “informação falsa” sobre o Exército durante a invasão da Ucrânia.
    As cinco elementos da banda ‘punk’ russa estão, no entanto, fora do país. “De acordo com a decisão judicial, as penas aplicadas a Alina Petrova, Diana Burkot e Olga Borisova são de oito anos de prisão, enquanto Taso Pletner enfrenta uma pena de 11 anos e Maria Aliojina um total de 13 anos”.

    A detenção de Chris Brown

    O rapper norte-americano Chris Brown foi libertado no Reino Unido, ao pagar uma fiança de cinco milhões de libras (quase seis milhões de euros) – quatro milhões a pronto e uma milhão a ser pago no prazo de uma semana. O músico estada detido devido a um alegado ataque com uma garrafa que terá ferido um produtor de música em 2023, num incidente ocorrido numa discoteca londrina.

    Chris Brown foi detido em maio num hotel em Manchester. Segundo o jornal The Independent, a Metropolitan Police tinha monitorizado o trajeto do rapper, assim que aterrou em território britânico, num jato privado.
    O rapper norte-americano foi libertado poucos dias mais tarde, ao pagar uma fiança de cinco milhões de libras (quase seis milhões de euros). O músico foi detido devido a um alegado ataque com uma garrafa que terá ferido um produtor de música em 2023, num incidente ocorrido numa discoteca londrina.

    Rapper dos Fugees sentenciado a 14 anos de prisão 

    Prakazrel "Pras" Michel, o rapper dos Fugees, foi sentenciado a 14 anos de prisão, num tribunal de Washington, por apropriação indevida de fundos da campanha presidencial de Barack Obama em 2012. Pras foi declarado como culpado em 2023, mas só este ano foi conhecida a sentença.