50 anos depois é dia de recordar as primeiras eleições livres em Portugal

    Voto para a Assembleia Constituinte levou mais de 6,2 milhões de portugueses às urnas.

    A 25 de abril de 1975, precisamente um ano após a Revolução dos Cravos, Portugal foi a votos. A primeira ida às urnas em liberdade.

    Pela primeira vez na história do país, todos os cidadãos com mais de 18 anos, homens ou mulheres, puderam participar na votação. Iam escolher os representantes para a Assembleia Constituinte, que iria desenhar a lei principal da República.

    Uma votação muito mais abrangente do que as anteriores, como explica o cientista político Pedro Magalhães.

    Porquês as primeiras eleições livres

    As eleições eram uma promessa dos capitães de Abril. O Movimento das Forças Armadas (MFA) quis levar o país a votos no espaço de um ano. Mas o caminho não foi fácil. O primeiro Presidente da República promoveu três tentativas de golpe de Estado (a chamada crise “Palma Carlos”, a tentativa da manifestação da maioria silenciosa e o golpe militar do 11 de março de 1975).

    Na chamada Assembleia Selvagem, realizada na madrugada desse 11 de março, fica decidida a realização das eleições para a Assembleia Constituinte no dia 25 de abril, tal como expresso no programa do MFA.

    Mas havia um enorme desafio logístico. Nas últimas eleições do Estado Novo votaram 1,6 milhões de eleitores. Para o novo sufrágio, eram esperados mais de seis milhões de portugueses. Um desafio superado sob a liderança do tenente-coronel Costa Brás, com alguns desafios inesperados.

    Desafio Logístico

    A estas primeiras eleições livres, para escolher os 250 deputados da Assembleia Constituinte, concorreram 14 partidos.

    A primeira campanha eleitoral ficou marcada por uma intensa atividade política, mas também por episódios de violência.

    Campanha

    O dia da eleição ficou marcado por uma participação recorde de eleitores: 92% dos recenseados foram às urnas para escolher o futuro regime do país.

    Uma participação quase total da população, como explica o cientista político Pedro Magalhães.

    Foram todos votar

    Esta continua a ser eleição com a votação mais elevada de sempre. O cientista político Pedro Magalhães percebe a nostalgia por este tipo de números, mas lembra o momento histórico irrepetível.

    Sobre a nostalgia dos 92%

    O resultado das eleições acabou por surpreender a população. O PS de Mário Soares venceu com 37,9% dos votos e 116 dos 250 deputados.

    Seguiu-se o PPD de Francisco Sá Carneiro, com 26,4% e 81 deputados. O PCP, de Álvaro Cunhal, partido que liderou a oposição durante o Estado Novo e um dos baluartes das ações de rua após o 25 de Abril, ficou em terceiro lugar, com 12,5% dos votos e 30 deputados.

    Estas eleições foram um momento marcante no processo revolucionário português. A partir deste dia começou um confronto entre a legitimidade revolucionária e a legitimidade eleitoral. Estava dado o tiro de partida para o Verão Quente de 1975.

    Pode saber mais sobre este período em "De abril a novembro, os dias quentes da revolução", um podcast com guião e entrevistas de Rui Tomás, narração de João Reis, sonoplastia de Paulo Castanheiro, produção de Margarida Gonçalves e Paulo Castanheiro, coordenação de Teresa Mota e Sofia Durão. Ouça nas plataformas ou aqui: https://radiocomercial.pt/podcasts/de-abril-a-novembro-os-dias-quentes-da-revolucao