"A vida é mais tranquila quando sabemos que nossa existência continua para além da morte"
O conhecido especialista espanhol Manuel Sans Segarra esteve em Portugal para apresentar o novo livro "A supraconsciência existe. Vida depois da vida".
Os medos estão, muitas vezes, alicerçados no receio da existência terminar aquando da nossa morte. Uma ideia que o prestiagiado cirurgião espanhol Manuel Sans Segarra veio contrariar. Com base em relatos reais de experiências de quase morte (EQM) aliado à neurociência, física quântica e espiritualidade, Segarra cria um guia para superar os nossos medos e refletirmos sobre a nossa vida. Uma reflexão que o pioneiro nesta área apresenta no mais recente livro "A supraconsciência existe. Vida depois da vida".
Qual é a relação entre a morte física e a existência?
A morte física supõe o fim de nossa existência na dimensão humana material. Ou seja, nossa rama, nosso traje, que é o corpo físico, com a morte, desaparece. Na realidade, não desaparece, mas há uma transformação. O nosso corpo, que é nossa rama, está formado por matéria, que é pó de estrelas. É matéria que se produziu há 13.780 milhões de anos no Big Bang. Durante um tempo, o universo empresta-nos matéria para fazer nosso corpo com o fim de que façamos nossa vida na dimensão humana. E quando a fizemos, devolvemos esse corpo ao universo, não se perde um átomo. Mas nossa autêntica existência, que é o que eu defino como supraconsciência, nossa autêntica identidade, é essa consciência que está por cima da consciência local ou neuronal, perdura eternamente. Prova de que perdura eternamente, temos, podemos objetivar, com o estudo das experiências próximas à morte, em que nos permitem valorizar uma série de provas objetivas e provas com base científica de que nossa existência persiste depois da morte física. A morte física, repito, supõe desprender-se do nosso corpo e da nossa mente. Mas nossa autêntica identidade, a supraconsciência, é eterna, é holística com respeito à consciência ou inteligência universal primeira. Por isso, tem suas propriedades. É omnipresente, eterna, omnisciente e omnipotente.
Termos a consciência que existimos para além do corpo físico deixa-nos mais tranquilos, mais serenos na nossa vida?
Absolutamente. Quando só temos consciência do nosso ego, nossa falsa identidade, nossa identidade materialista, temos um terrível medo à morte, porque essa identidade materialista desaparece com a morte física, porque tem uma origem material no nosso cérebro. Mas, quando descobrimos nossa autêntica identidade, essa supraconsciência holística com a consciência primeira, sabemos que é eterna, que perdura, apesar da morte física, que é nossa autêntica identidade, isso, ao descobri-la, nos condiciona a uma perda absoluta de medo à morte e nos dá uma dinâmica vital, uma forma de atuar própria de nossa supraconsciência, que se rege, então, na nossa dinâmica pelos arquétipos descritos por Platão, Kant e Jung, que condicionam uma dinâmica vital em que impera a empatia, o altruísmo, a bondade, a justiça e, sobretudo, o amor. Por isso, descobrir nossa autêntica identidade muda totalmente nossa dinâmica vital, perdemos o medo à morte e nossa forma de atuar se fundamenta em valores espirituais.
