Amor em noite de eclipse: sim ou não?
O eclipse solar que pode ser observado esta quarta-feira continua a dar que falar e também a fazer circular alguns mitos.
É sem dúvida um dos mitos que, parece, está de volta sempre que há um eclipse solar: ter relações sexuais durante o fenómeno pode fazer mal ou afetar uma gravidez?
A ciência responde e diz que não conhece qualquer efeito desse tipo e que um eclipse não muda nada no nosso corpo.
Ainda assim, a verdade é que a NASA tem uma página dedicada a esclarecer estes receios.
Crenças e superstições
Ao longo dos séculos, os eclipses foram associados a crenças, superstições e até a supostos efeitos sobre a fertilidade.
Uma das ideias que persiste é a de que ter relações sexuais durante um eclipse poderia provocar consequências negativas, nomeadamente para uma eventual gravidez. Mas não há evidência científica que sustente essa relação.
Os especialistas explicam que um eclipse solar não altera o funcionamento do organismo de forma que possa interferir com a atividade sexual, a fecundação ou o desenvolvimento de um feto. Ou seja, não existe uma razão científica para evitar relações sexuais por estar a decorrer um eclipse.
O medo de que uma grávida não deva assistir ao eclipse assenta na ideia falsa de que o fenómeno liberta radiação nociva. Não liberta.
O que determina o desenvolvimento de um bebé são fatores genéticos e a saúde da mãe.
O verdadeiro risco associado ao fenómeno é outro: olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões graves nos olhos, mesmo quando o eclipse faz com que a luz solar pareça menos intensa.
Sexo durante um eclipse faz mal?
Sobre o sexo, em concreto, não existe estudo nenhum.
O historiador Anthony Aveni, autor de um livro sobre eclipses, resume o tema no The Post and Courier: “Não é ciência, é cultura”. Durante séculos, os eclipses foram lidos como avisos, e muitas dessas histórias funcionavam como fábulas morais, contra o incesto ou a mentira.
As culturas trataram o encontro do Sol com a Lua de formas bem diferentes:
No Mito alemão, a Lua é um macho frio e preguiçoso que ignora o Sol, uma fêmea ardente, exceto por breves momentos de paixão durante o eclipse.
Na África Ocidental contava-se o inverso, um Sol masculino e uma Lua feminina que, por pudor, apagavam as luzes para o seu encontro furtivo. Foi essa leitura, a do céu como cama, que baralhou a fronteira entre o astronómico e o íntimo.
Mitos da gravidez que continuam
Em março deste ano, o The Times of India aconselhou as grávidas a ficar em casa durante o eclipse, a não usar objetos cortantes como facas e tesouras e a não coser nem cortar, para evitar bebés com malformações.
No México e noutros países da América Latina, persiste a ideia de que o eclipse deixa manchas ou lábio leporino no bebé, e o costume das grávidas usarem um alfinete e um laço vermelho sobre o ventre como proteção.
A Universidade Nacional Autónoma do México e o Instituto Mexicano do Seguro Social já esclareceram que não existe qualquer risco para a mãe ou para o bebé.
Portugal e o eclipse das nossas vidas
Esta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, ao final da tarde, um eclipse solar quase total será visível em quase todo Portugal continental e nos arquipélagos. E se não conseguir ver este espetáculo raro no céu, pode aproveitar o tempo de outras formas, sem receio de que o fenómeno afete a sua vida!
