Atraso na IA ameaça competitividade das empresas
O estudo "The State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge", revela que IA está a acelerar, com cerca de 75% das organizações a implementar agentes autónomos.
As organizações que atrasarem a integração da Inteligência Artificial (IA) nas suas operações de base arriscam perder competitividade num mercado global cada vez mais orientado pela inovação, segundo um estudo da Deloitte hoje divulgado.
De acordo com o estudo “The State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge”, a adoção de tecnologias de IA está a acelerar, com cerca de 75% das organizações inquiridas a planear implementar agentes autónomos nos próximos dois anos, numa fase em que a transição de projetos-piloto para aplicações em escala continua a ser um dos principais desafios.
O estudo indicou que 60% dos trabalhadores já utilizam ferramentas de IA autorizadas pelas empresas, o que representa um aumento de 50% face ao ano anterior, refletindo a crescente presença destas tecnologias no quotidiano organizacional.
Apesar desta evolução, persiste um desfasamento entre a experimentação e a transformação efetiva dos modelos de negócio.
A maioria das empresas utiliza a IA sobretudo para ganhos de eficiência e automatização de tarefas, enquanto uma minoria está a redesenhar processos e estratégias de forma estrutural.
Cerca de 83% das empresas consideram a IA soberana moderadamente importante para o seu planeamento estratégico, e quase metade (43%) classificam-na como muito ou extremamente importante.
Segundo os dados, cerca de um terço (33%) dos inquiridos considerou que a IA já está a transformar substancialmente a sua organização e setor, enquanto 27% antecipam esse impacto no prazo de um ano.
Ainda assim, 40% dos inquiridos consideram a hipótese de que as ferramentas de IA usadas pela organização se tornem obsoletas nos próximos dois anos, o que demonstra a necessidade de constante adaptação por parte das empresas para garantir relevância e competitividade.
O estudo destacou ainda o crescimento da chamada “Agentic AI”, baseada em agentes autónomos, cuja adoção deverá intensificar-se no curto prazo.
No entanto, apenas 21% das organizações afirmam dispor de modelos de governação maduros para estas tecnologias, evidenciando lacunas ao nível da supervisão e controlo.
Em Portugal, 40% das empresas não utilizam ainda este tipo de soluções, enquanto 27% reportam uma utilização mínima e outros 27% uma utilização moderada.
Nos próximos três anos, 47% das organizações nacionais antecipam um impacto significativo desta tecnologia.
A dimensão da “IA soberana” surge também como fator estratégico, com 77% das empresas a considerarem relevante o país de origem dos fornecedores tecnológicos, percentagem que caiu para 27% no panorama nacional.
Em paralelo, a IA aplicada a sistemas físicos, como robótica e automatização industrial, deverá atingir níveis de adoção próximos dos 80% no prazo de dois anos.
Ao nível dos recursos humanos, a escassez de competências é apontada como o principal entrave à integração da IA, sendo que, 84% das empresas ainda não redesenharam funções ou modelos de trabalho com base nestas tecnologias.
O estudo referiu ainda que 36% das organizações esperam que, no prazo de um ano, pelo menos 10% dos empregos sejam totalmente automatizados, proporção que sobe para 82% num horizonte de três anos.
Apenas 25% das empresas conseguiram colocar em produção pelo menos 40% dos seus projetos-piloto de IA, embora mais de metade espere atingir esse nível nos próximos seis meses.
Segundo a Deloitte, o verdadeiro potencial da IA reside na sua capacidade de criar diferenciação estratégica e vantagem competitiva duradoura, indo além da otimização incremental do que já existe, o que exige repensar não apenas processos, mas também o trabalho e os modelos operacionais.
O estudo baseou-se num inquérito realizado a 3.235 líderes empresariais e de tecnologia de 24 países, incluindo Portugal, onde participaram 15 empresas.
