Ausências de peso e contestação nas ruas da Venezuela. Promete ser agitada a tomada de posse de Maduro

    Nicolás Maduro prepara-se para assumir um terceiro mandato à frente do país, apesar da contestação dentro e fora de fronteiras.

    Nicolás Maduro toma esta sexta-feira posse como Presidente da Venezuela, para um mandato que, se correr como esperado, vai durar até 2031. A cerimónia acontece na capital Caracas, com muitos países a terem anunciado que não vão estar presentes, como o caso dos Estados Unidos. A administração norte-americana têm apoiado Edmundo González, candidato que garante ter vencido por mais de 70% dos votos as eleições de 28 de julho de 2024.

    Nancy Gomes, professora da Universidade Autónoma de Lisboa, explica que a cerimónia desta sexta-feira ficará marcada por “grandes e determinantes ausências”, mas pode dar mesmo um novo mandato a Nicolas Maduro: “As ausências vão evidenciar que as lealdades que o governo de Maduro tinha não estão lá, desde logo os Estados Unidos”.

    Nancy Gomes analisa as ausências na cerimónia

    São esperadas esta sexta-feira manifestações em toda a Venezuela e para garantir a segurança da cerimónia o governo mobilizou 1200 elementos das forças de segurança. Maria Corina Machado, a líder da oposição que foi impedida de concorrer às eleições, detida ontem, mas rapidamente libertada, apelou à população para sair às ruas.

    “O aparelho repressor pode considerar que a repressão terá um custo, se a mobilização for suficientemente ampla. Mas também pode acontecer o contrário, que a repressão se instale e claro que vai levar a mais isolamento e críticas”, afirma Nancy Gomes, ao considerar que a contestação pode fazer a diferença.

    Nancy Gomes acredita que a oposição poderá fazer a diferença

    Edmundo González está exilado em Espanha e promete regressar a Caracas para tomar posse, apesar dos resultados oficiais terem dado a vitória a Nicolás Maduro. De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral, que se tem recusado a publicar as atas das eleições, o atual presidente venceu com pouco mais de 51% dos votos.

    Países como a China, Rússia e Irão reconhecem Maduro como o vencedor das eleições.

    *com Mariana Serrano