Pelo menos 240 mortos. Avião cai na Índia com 242 passageiros, incluindo sete portugueses

    Sete portugueses que seguiam na viagem com destino a Londres teriam dupla nacionalidade.

    Um avião da Air India caiu, esta quinta-feira, junto ao aeroporto da cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia, logo após descolar com destino a Londres, Inglaterra, matando pelo menos 240 pessoas e ferindo 41.

    O número de mortos inicialmente avançado à agência Reuters pela polícia local era de 294, mas foi mais tarde revisto para "mais de 240".

    "Ainda estamos a verificar o número de mortos, incluindo aqueles que morreram no edifício com que o avião chocou", disse à agência uma responsável pela polícia da região, Vidhi Chaudhary. A mesma responsável explicou que a anterior se deveu a alguns corpos terem sido contados duas vezes por não estarem inteiros.

    Malik esclareceu que o número inclui os membros da tripulação e os passageiros (242) do avião, bem como as vítimas no local onde se despenhou.

    Uma estação de televisão indiana noticiou a morte de quatro estudantes universitários e de um médico que se encontravam num dos edifícios atingidos pelo avião, um Boeing 787-8 Dreamliner.

    Segundo a informação avançada pela companhia aérea, a bordo do voo AI171 com destino a Gatwick seguiam 242 pessoas, entre as quais viajavam sete portugueses.

    GS Malik chegou a adiantar à Associated Press e AFP que parecia "não haver sobreviventes", mas mais tarde admitiu hipótese também não podia ser descartada. No entanto, "uma vez que o avião caiu numa zona residencial e de escritórios", o número de potenciais mortes aumenta.

    A polícia revelou uma lista de 25 feridos, mas não detalha se eram passageiros do avião, pessoas que estavam no hostel atingido ou nas ruas. A lista partilhada no X oficial da Polícia de Ahmedabad mostra vítimas entre os 18 e 52 anos.

    A agência de notícias Reuters avança que entre os 242 passageiros do Boeing 787-8 Dreamliner estariam 11 crianças e dois bebés.

    Entretanto, a agência de notícias ANI, dá conta de pelo menos um sobrevivente, era o ocupante do lugar 11A. Citando GS Malik o sobrevivente "está hospitalizado e a receber assistência médica".

    O avião caiu numa zona residencial, atingindo o B.J. Medical College hostel, que albergava estudantes de Medicina. "Já limpámos 70% a 80% da área e vamos limpar o resto em breve", disse um responsável das autoridades aos jornalistas no local.

    O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, confirmou em declarações aos jornalistas que sete das pessoas que seguiam no avião têm dupla nacionalidade e que as "autoridades portuguesas estão a tentar confirmar se há sobreviventes e números de mortos". 

    Além dos sete portugueses, estavam a bordo 169 indianos, 53 britânicos e um canadiano. O CEO da Air India confirmou todos estes dados numa mensagem vídeo em que garante que a companhia aérea "está a fazer tudo o que pode no imediato".

    O Embaixador da Índia em Portugal, Puneet Roy KundaL, manifestou pesar para com as vítimas e anunciou que está disponível uma linha telefónica para dar assistência e informações às famílias preocupadas: +351 911991939.

    O Tata Group, que detém a Air India, anunciou que vai doar 100 mil euros às famílias das vítimas. O grupo compromete-se ainda a "cobrir todas as despesas médicas dos feridos e a assegurar que recebem toda a ajuda e cuidado necessários. O Tata Group vai ainda apoiar na reconstrução do B.J. Medical College hostel.

    Assim que a queda aconteceu, surgiram nas redes sociais imagens que mostram colunas de fumo negro depois da explosão do aparelho ao despenhar-se.

    O primeiro-ministro indiano Narendra Modi afirma que "a tragédia em Ahmedabad chocou e entristeceu o país".

    A Presidente da Comissão Europeia Ursula Von Der Leyen deixa a solidariedade da Europa e afirma que esta é uma "dor compartilhada". 

    O primeiro-ministro português diz que foi com "profunda consternação" que tomou "conhecimento do trágico acidente de aviação na Índia, no qual seguiam 7 cidadãos com nacionalidade portuguesa".

    Na rede social X, Luís Montenegro expressa em seu nome e do Governo "votos de pesar e profunda solidariedade para com os familiares das vítimas".

    O que pode ter provocado este acidente?

    Num momento de ainda muita especulação internacional, o comandante Pedro André, presidente da Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea, adianta a esta rádio que pode tratar-se de uma “falha técnica ou de potência dos motores”.

    "Nada indica que num avião altamente tecnológico como é este Boeing 787-8 Dreamliner aconteça o que aconteceu. Descolou e em menos de um minuto caiu à frente, numa área residencial, ainda com o trem [de aterragem] de fora", realça.

    O piloto ainda terá pedido socorro, "o que chamamos de mayday", nota Pedro André, sustentando que leituras além desta são "especulações". 

    Comandante Pedro André

    Apesar do acidente, o comandante diz que o avião é a forma mais segura de viajar e sublinha que "os pilotos são treinados para encarar as falhas técnicas e conseguir lidar com elas o melhor possível", mas o risco "está sempre lá".

    "A aviação e os aviões é o meio de transporte onde o risco é mais pequeno, qualquer que seja a situação. O que acontece é que infelizmente, quando acontece alguma coisa como no caso de hoje, morre muita gente e chama muita atenção", explica.

    Comandante Pedro André