Benjamin Netanyahu alega ter arrasado programa nuclear de Teerão

    O primeiro-ministro de Israel proclama uma "vitória histórica" sobre o Irão.

    O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, proclamou hoje uma "vitória histórica" sobre o Irão, e que o país rival "nunca terá armas nucleares", após o programa para desenvolvimento destas ter ficado "na ruína" com os ataques sofridos.

    Num discurso televisivo, enquanto se mantém um cessar-fogo entre os dois países, Netanyahu enumerou as conquistas de Israel através dos bombardeamentos dos últimos 12 dias, incluindo a eliminação de generais e cientistas nucleares de alto nível, a destruição das instalações nucleares de Natanz e Isfahan, para além do reator de águas pesadas de Arak.

    "Durante dezenas de anos, prometi-vos que o Irão não teria armas nucleares e, de facto... levámos o programa nuclear do Irão à ruína", disse Netanyahu, reivindicando "uma vitória histórica".

    "Destruímos o projeto nuclear do Irão. E se alguém no Irão tentar reconstruir esse projeto, agiremos com a mesma determinação, com a mesma intensidade, para frustrar qualquer tentativa", garantiu o primeiro-ministro israelita.

    "Repito vezes sem conta: o Irão nunca terá armas nucleares", acrescentou.

     Israel anunciou hoje a suspensão dos seus ataques contra o Irão após uma conversa de Netanyahu com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    O conflito foi desencadeado por ataques israelitas em 13 de junho no Irão, justificados pela criação iminente de uma arma nuclear, o que é refutado por Teerão.

    No domingo, os Estados Unidos executaram bombardeamentos contra instalações nucleares iranianas e, na segunda-feira, Teerão reivindicou um ataque de retaliação contra uma base norte-americana no Qatar.

    A República Islâmica retaliou os ataques na segunda-feira, com o lançamento de mísseis contra uma base norte-americana no Qatar, que não provocou estragos ou vítimas, segundo Washington por Teerão ter avisado previamente.

    No mesmo dia, e após quase duas semanas de ataques aéreos cruzados entre Israel e o Irão contra os respetivos territórios, Trump anunciou um acordo de cessar-fogo entre as partes.

    Hoje, Netanyahu celebrou ainda a mobilização "sem precedentes" do Presidente norte-americano: "Sob a sua direção, os militares norte-americanos destruíram o complexo [nuclear] subterrâneo de Fordow", afirmou.

    No entanto, a CNN noticiou hoje, citando três responsáveis dos serviços de informações norte-americanos, que os ataques ordenados por Trump não conseguiram destruir o programa nuclear iraniano e apenas o atrasaram alguns meses.

    Em Teerão, a Agência de Energia Atómica iraniana anunciou hoje que o Irão está pronto para retomar o enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear.

    “O programa nuclear do Irão será retomado sem interrupção e estamos prontos para reiniciar o enriquecimento — o nosso programa não será interrompido”, disse a agência, segundo informaram os meios de comunicação social iranianos.

    Por sua vez, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, pediu que se retome a cooperação com o organismo que dirige.

    No seu discurso, Netanyahu afirmou ainda que Israel desferiu "golpes esmagadores ao regime maligno do Irão" com os seus ataques a locais simbólicos como a sede da Guarda Revolucionária, a milícia paramilitar Basij e a prisão de Evin.

    "Há apenas algumas horas, poucas horas antes do cessar-fogo, desferimos (...) o golpe mais duro desde o início da guerra, o golpe mais duro da sua história: eliminámos centenas de instituições do regime, num ataque esmagador, o mais devastador que Teerão já viu nos últimos 50 anos", disse.

    Segundo Netanyahu, Israel "não vai tirar o pé do acelerador" e vai concluir a campanha "contra o regime iraniano", entre outros, destruindo o Hamas, apoiado por Teerão, na Faixa de Gaza.

    "Sem as grandes conquistas em Gaza, Líbano, Síria e contra o terrorismo na Judeia e Samaria (Cisjordânia), não teríamos conseguido alcançar os nossos objetivos. Com a eliminação do eixo maligno do Irão, abriremos um eixo de paz e reconciliação para os povos da região", concluiu.