Buscas por pescadores desaparecidos no Tejo alargadas às zonas de praia esta quinta-feira

    Autoridades admitem que os dois desaparecidos podem "ter saído já" da zona do Porto de Lisboa.

    As buscas pelos dois pescadores desaparecidos no rio Tejo vão ser alargadas à zona das praias da Costa da Caparica, Cascais e Carcavelos a partir desta quinta-feira, adiantou à redação o capitão do Porto de Lisboa, comandante Paulo Vicente, depois do encerramento dos trabalhos pelas 17h30.

    "Vamos começar às 8h00 por mar, com uma embarcação e equipas quer na margem norte, quer na margem sul", adiantou o responsável, "com atenção já à saída da barra, junto às praias da Costa da Caparica e, também com a colaboração de Cascais, naquelas praias de Carcavelos".

    O comandante adianta que, para esta evolução, as autoridades partem "do princípio de que [os desaparecidos] possam eventualmente ter saído já do Porto de Lisboa".

    Esta quarta-feira foi o terceiro dia de buscas pelos dois pescadores que desapareceram depois do barco em que seguiam ter embatido com um catamarã de transporte de passageiros que fazia a ligação entre o Terreiro do Paço e Lisboa.

    Os trabalhos tinham começado "às 8h00 com uma embarcação apenas, prevendo-se as condições de mau tempo" que vieram a condicionar os trabalhos até perto das 16h00, hora a que foram retomados por cerca de hora e meia.

    "Durante todo o dia tivemos duas equipas da Polícia Marítima na margem norte e na margem sul que cobriram pelo menos a zona junto à margem e disto resultou que não há sinais, nem indícios, revelando-se infrutíferas", explicou o responsável pelo Porto de Lisboa.

    Investigações abertas

    Além dos dois desaparecidos, resultaram do acidente de segunda-feira dois feridos, um com gravidade e outro ligeiro, que foram transportados para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, tendo um deles já tido alta.

    Na terça-feira, o capitão do Porto de Lisboa, Paulo Rodrigues Vicente, disse que são nulas as probabilidades de encontrar os pescadores com vida, mas frisou que as autoridades nunca desistirão de completar as buscas até que os dois desaparecidos sejam encontrados.

    No que diz respeito ao que motivou o acidente, Paulo Rodrigues Vicente adiantou que está a decorrer um processo de averiguações, com recolha de provas e diligências policiais, e com ligação ao Ministério Público.

    Também a Transtejo/Soflusa anunciou, numa resposta enviada à agência Lusa, a “instauração imediata de um inquérito interno” para apuramento das circunstâncias e responsabilidades do acidente.

    A empresa explicou que pelas 16h55 de segunda-feira, o navio catamarã Antero Quental, que fazia a ligação entre o Barreiro e Lisboa, foi abalroado por uma embarcação de pesca, tendo o mestre do navio tentado evitar o embate, designadamente com vários alertas sonoros, que foram ignorados pela embarcação de pesca.

    A Transtejo Soflusa é a empresa responsável pela ligação fluvial entre o Seixal, Montijo, Cacilhas, Barreiro e Trafaria/Porto Brandão, no distrito de Setúbal, e Lisboa.