CA Vilar de Mouros 2024: e assim foi o último dia
The Darkness, The Libertines, The Waterboys, David Fonseca e Vapors of Morphine fecharam a edição deste ano do festival de Caminha. Em 2025, há mais.
Hoje, 24 de agosto, foi o quarto e último dia da edição 2024 do CA Vilar de Mouros, festival que decorre anualmente na freguesia de Vilar de Mouros, em Caminha, no Alto Minho. Em conferência de imprensa, a organização anunciou que a edição de 2025 vai acontecer nos dias 21, 22 e 23 de agosto, voltando ao formato de três dias.
O último dia do festival histórico terminou com o rock clássico dos The Darkness. A banda inglesa desarrumou o que faltava desarrumar (quase nada) no recinto minhoto. O grupo que junta os irmãos Justin Hawkins e Dan Hawkins passou pelos vários álbuns da discografia que assina desde 2003, mas foi o álbum de estreia que se evidenciou na noite minhota. Ainda no rasto da celebração de Permission to Land, o público de Vilar de Mouros teve direito a temas como Get Your Hands Off My Woman, Growing On Me, I Believe in a Thing Called Love, Love Is Only a Feeling, Givin' Up, Stuck in a Rut, Friday Night e Love on the Rocks With No Ice.
O resto do alinhamento foi com um tema de cada um dos discos que vieram depois, ainda que tais discos tenham chegado com algumas intermitências no ciclo de vida do grupo, sobretudo devido à interferência da dependência de drogas do frontman da banda na relação com o irmão e com o próprio grupo. Hoje em dia, Justin Hawkins é um homem recuperado e está orgulhoso da conquista. A saída do fosso da dependência foi, aliás, mencionada pelo vocalista durante o concerto. Hawkins lembrou, inclusivamente, as semelhanças da sua história com a de Pete Doherty, homem dos Libertines que subiram antes ao palco minhoto. E as histórias tocam-se.
Pete Doherty e Carl Barât, agora menos rufias e sem invasões de palco, viajaram até Vilar de Mouros com All Quiet on the Eastern Esplanade, disco que editaram em abril deste ano, debaixo do braço. Segundo têm dito em entrevistas recentes, o novo álbum serviu-lhes como uma sessão de terapia. As novidades, como Run, Run, Run, Merry Old England, Night of the Hunter, Shiver ou Songs They Never Play on the Radio foram sendo intercaladas com temas mais antigos. Os ingleses ainda picaram outros álbuns, como Up The Bracket, com o qual se estrearam nas edições em 2002, The Libertines e Anthems For Doomed Youth.
Pelo meio do concerto, uma dedicatória aos Parkinsons, a banda punk rock de Coimbra que conseguiu agitar Londres na altura em que os Libertines começaram a ganhar alguma notoriedade. Foi a cidade onde se conheceram. Esta noite, Pete Doherty lembrou-os. Music When the Lights Go Out foi para o grupo português. Ainda houve espaço para Time for Heroes e Don't Look Back Into the Sun, single lançado em 2003 no pico dramático da relação entre Pete Doherty e Carl Barât.
Mike Scott está acostumado a trazer os Waterboys a Portugal. Numa entrevista que deu recentemente, o multi-instrumentista escocês elegeu o concerto que a banda deu em 2019 no Campo Pequeno, em Lisboa, como um dos melhores concertos de sempre do grupo que comanda desde o início da década de 80. E se o de hoje não foi melhor andou lá perto.
Para Vilar de Mouros, onde atuaram em 2016, Scott e companhia trouxeram uma mão-cheia de canções dos discos que foram buscar à prolífica discografia que começou a ser composta em 1983.
Mike Scott, homem de espírito afável escocês, formou os Waterboys com uma causa: dedicar-se ao caminho da excelência, no sentido em que ser bom a fazer música e acreditar na música que se faz supera a venda de álbuns. Décadas depois, a entrega permanece no pico da fasquia. A voz está no mesmo sítio e os temas são tocados com virtuosismo e amor pleno ao ato de tocar ao vivo. Parece ser um pacto inquebrável entre o músico e as canções que cria. A banda cumpre-o à risca. Foi isto que vimos esta noite em Vilar de Mouros. Houve passagem por temas como Where The Action Is, Glastonbury Song, A Girl Called Johnny ou 'The Pan Within, canção que Scott encaixa no tema Because the Night, composto por Bruce Springsteen e sempre vivo na voz de Patti Smith. Ladbroke Grove, Nashville, Tennessee, Medicine Bow, A Rock in the Weary Land também couberam no alinhamento escolhido para o festival minhoto. Whole of the Moon, canção estimada por figuras como Prince ou Bob Dylan, e a requisitada Fisherman's Blues fecharam o concerto.
A carreira de David Fonseca a solo soma já 25 anos e em Vilar de Mouros o público teve uma pequena amostra dos discos que o músico de Leiria foi editando ao longo da estrada mais solitária, embora tenha havido uma passagem por Little Respect, canção dos Erasure que foi em tempos resgatada pelos Silence 4, grupo do qual fez parte. Versões não faltaram no concerto de David Fonseca ao cair do sol no recinto minhoto.
O Corpo é Que Paga, de António Variações, Video Killed the Radio Star, celebrizada pelos Buggles, ou Running Up That Hill, engrandecida na voz de Kate Bush, foram escutadas entre as colinas de Vilar de Mouros e misturadas com originais como Superstars, Chasing The Light, Somebody That Connot Love, Kiss Me, Oh My Heart e The 80s.
