Cabo Verde é o país convidado da 21.ª edição do festival MED
Música, cinema, literatura, poesia, artesanato e gastronomia no centro histórico de Loulé.
Está prestes a começar a 21.ª edição do festival MED - evento de world music que decorre de 26 a 28 de junho na zona histórica de Loulé.
Além dos três dias oficiais de festival, a organização anunciou espetáculos também para 25 e 29 de junho - sendo que o concerto de 29 - uma homenagem à cantora e compositora Sara Tavares - é de entrada gratuita.
Este ano, o festival celebra Cabo Verde - o país convidado desta edição - mas no cartaz há artistas que chegam de vários pontos do mundo. São 90 horas de música, 54 concertos, mais de 300 músicos e perto de 30 nacionalidades espalhados por 12 palcos.
Pelos diversos palcos do evento vão passar as sonoridades dos The Congos & The Gladiators (Jamaica), El Sonido Insurgente (Argentina), Flanders Recorder Duo (Bélgica), Protus Marimba Quartet (Espanha), Lá no Xepangara (Moçambique, Brasil, Guiné-Bissau, Portugal), Adam Ben Ezra (Israel, Portugal), Daniel Kemish (Reino Unido), Mitsune (Japão) ou Green Sémé (Ilha de Reunião).
Carminho, Homem em Catarse, Filipe Sambado, Virgem Suta, Cristina Clara, Nomad, Gil Fesch e Nuno Pinto - Duo de Guitarras, A Cantadeira, Nanook e Eduardo Ramos são os artistas portugueses que foram "convocados" para este ano.
Naquela que é a 21.ª edição do MED - que é organizado pela autarquia de Loulé - Carlos Carmo, diretor do festival, enaltece o que compõe o ADN do evento desde a sua génese. "Promove a coesão e a integração. A cultura é um dos meios que temos para unir povos. Para uni-los sem barreiras, sem fronteiras, sem etnias, sem raças e sem credos. A cultura é isto mesmo. É a fusão", disse-nos. "Ao longo destes 20 anos o nosso festival já recebeu música de quase 80 países. É um festival que tem como denominador comum a multiculturalidade. Esse é um dos nossos chavões".
Sobre o que o MED tem dado ao conselho algarvio ao longo dos últimos 20 anos, Carlos Carmo destaca como o festival tem ajudado a posicionar Loulé no panorama cultural europeu. "O MED tem dado muito a Loulé. Tem dado notoriedade e tem levado visitantes ao nosso centro histórico e ao nosso património. Mas, acima de tudo, tem posicionado Loulé no panorama cultural europeu. Temos visitantes de todas as partes do mundo".
No ano em que Cabo Verde assinala 50 anos desde a sua independência, o festival MED celebra o país com uma atuação partilhada entre Dino D'Santiago e os cabo-verdianos Os Tubarões, havendo ainda concertos dos Ferro Gaita e da Cesária Évora Orchestra. Quem for ao festival algarvio vai poder sentir a cultura de Cabo Verde através da morna, do funaná, da cachupa, tabanca, pano di terra e do grogue. Mas não só.
"Encetámos o capítulo de ter um país convidado em cada edição no ano passado", disse-nos Carlos Carmo. "Este ano temos Cabo Verde com um programa bastante completo. Na programação há música, cinema, literatura, poesia ou gastronomia. Na área da música destaco o concerto especial do Dino D'Santiago com os Tubarões. Foi uma 'encomenda' que fizemos ao Dino com a perspetiva de juntar um artista mais contemporâneo a artistas que representam a história e tradição de Cabo Verde".
Sobre o concerto de homenagem a Sara Tavares, que nos deixou em 2023, Carlos Carmo contou-nos que a proposta partiu do cantor algarvio Nuno Guerreiro (falecido em abril). "Dada a proximidade que ele tinha com a Sara Tavares, propôs-nos que lhe fizéssemos uma homenagem, sendo que a Sara também tinha ascendência cabo-verdiana e tem familiares no nosso concelho, mais precisamente da freguesia de Boliqueime. Apesar do desaparecimento inesperado e trágico do Nuno, decidimos manter o concerto com toda a dimensão que já estava pensada".
A homenagem à cantora - que se chama "Coisas Bunitas" - vai ser feita no palco da Cerca com as presenças da Banda Filarmónica Artistas de Minerva, que é uma banda da cidade de Loulé, dos Shout!, dos Mau Feitio e das cantoras cabo-verdianas Nancy Vieira e Ligia Pereira (irmã de Dino D'Santiago).
