Graça Freitas: "Quando morreram 300 pessoas num dia foi absolutamente devastador"
Entrevista à antiga diretora-geral da Saúde quando se assinalam cinco anos após a confirmação dos primeiros casos de covid-19 em Portugal.
Cinco anos após a confirmação dos primeiros dois casos de covid-19 em Portugal, Graça Freitas recorda o inverno de 2021 como o período mais difícil durante a pandemia, altura em que esteve infetada, perdeu um amigo que não resistiu à doença e o país registava mais de 300 mortos por dia. A antiga diretora-geral da Saúde confessa estar preocupada com o anúncio da saída dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde, com o vírus da gripe aviária, e conta que a “janela de esperança” durante a pandemia foi a chegada da vacina contra a covid-19.
Como é que recorda o dia 02 de março de 2020, quando foram confirmados os dois primeiros casos de covid-19 em Portugal?
Recordo o dia 02 de Março na continuidade de tudo o que se tinha passado já antes. Ao fim de muitos anos, de décadas mesmo a trabalhar em emergências de saúde pública, fomos vendo aparecer uma nova emergência. No final de Dezembro, quando a OMS nos comunicou que havia numa cidade chinesa, em Wuhan, várias dezenas de casos de pneumonia, ainda sem se saber ou o que é que provocava, começaram a soar alertas ainda suaves. Depois, no dia 07 de Janeiro, já se soube que era um novo coronavírus. Era um novo coronavírus, sendo que havia outros, portanto há no total sete em todo o mundo, e são a principal causa de constipação. E, a partir daí, nós começamos a preparar-nos, no dia 21 de janeiro a Direção-Geral da Saúde criou a primeira Task force para o que fosse. Não sabíamos que ia ser uma pandemia, mas sabíamos que estava em curso um novo vírus e novas linhas de contágio e, portanto, depois fomos vendo tudo o que se foi passando, primeiro na China, onde era o epicentro da doença.
De tal maneira, o epicentro começou a preocupar as autoridades, que no dia 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde declarou que esta nova infecção, (o vírus começou por se chamar o novo coronavírus, ainda nao era o SARS-CoV-2 ) era uma emergência de saúde pública de importância Internacional, isto de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, era o nível de alerta mais alto da Organização Mundial da Saúde. Esse nível permite que em todo o mundo se mobilizem recursos, que se coordene ações e que se comece a cooperar.
Isto foi um grande sinal, dia 30 de Janeiro. Depois, no dia 03 de Fevereiro, tivemos um marco muito importante, regressaram de Wuhan vários cidadãos, quase todos os portugueses que ficaram voluntariamente isolados em duas instituições da cidade de Lisboa. Estes cidadãos tiveram um comportamento absolutamente exemplar. Depois as coisas foram de facto progredindo e havia casos já em vários países do mundo, Itália teve bastantes casos desde o início e Espanha também. Portanto, era só uma questão de tempo para chegar a Portugal. No dia 01 de março, houve um acontecimento que nos entristeceu e preocupou muito, o governo das Astúrias pela primeira vez notificou um caso, e esse caso foi no escritor Luís Sepúlveda, ele tinha estado em Portugal num evento de escritores que se realizou na Póvoa do Varzim e nós convencemo-nos nessa altura que os primeiros casos em Portugal viriam desses contactos nesse evento.
Não aconteceu assim, de facto, e infelizmente, o escritor Luís Sepúlveda veio a morrer com covid-19 na sequência deste acontecimento, cujo contágio poderá ter sido ou não na Póvoa do Varzim. E finalmente, um dia depois, dia 02 de março, aconteceu aquilo de que estávamos todos à espera, foram os dois primeiros casos em Portugal e aconteceram exatamente em hospitais do norte. Tinham havido as feiras do calçado, as idas para a neve, havia muitos contactos, sobretudo a Norte, com Itália e com Espanha, e de facto, os dois primeiros casos ocorreram em pessoas, a primeira com ligações a Itália e a segunda com ligação a Espanha. Eram dois homens relativamente novos, um tinha 60 anos, outro tinha 33. E é assim que começam de facto os nossos casos em Portugal. E é assim que os recordo, como uma sucessão de acontecimentos que culminaram numa situação anunciada. Nós estávamos à espera, só não sabíamos onde é que iam surgir, nem com que intensidade é que iam surgir.
Mesmo estando à espera, como é que foi a confirmação de termos casos de covid-19 em Portugal?
O confirmar é sempre uma sensação estranha, porque no fundo deixa de ser um sentimento de expectativa, de ameaça, de alerta para ser uma crise instalada. Portanto, tínhamos, de facto, os dois primeiros casos em Portugal e isso foi muito marcante para nós todos. E depois, enfim, também foi muito marcante, como sabe, é o primeiro óbito em Portugal que aconteceu poucos dias depois, no dia no 16.
No dia 11 de Março, a Organização Mundial da Saúde declara então a doença como pandemia, era possível prever a dimensão que iria ter esta pandemia?
Não, porque nós trabalhamos muito com base na história e o que é que nós conhecíamos bem? As pandemias por gripe, pandemias no passado, como a peste, todas essas questões mais antigas, mas depois nós tínhamos o século XX e o século XX tinha tido três pandemias causadas pelo vírus da gripe, uma muito grave, no início do século XVII/ XIX, ficou conhecida como a gripe espanhola, que foi devastadora. Depois, uma em 1957 e uma em 1968, já diferentes, uma moderada e uma muito ligeira. Portanto, ficaram conhecidas pela gripe asiática e a gripe de Hong Kong. Depois nós tivemos uma grande ameaça no fim do século XX, em Hong Kong, em 1997 houve gripe aviária, galinhas, aves domésticas que contraíram o vírus a partir de aves selvagens e houve uma passagem da barreira das espécies. Nessa altura soaram todos os alertas, era um vírus novo da gripe, chamava-se AH5N1 e apresentou uma alta letalidade. Não foram muitas as pessoas afetadas mas foram muitas as que morreram.
Felizmente foi possível conter esse surto em Hong Kong, foram abatidas as aves domésticas e as autoridades contiveram esse surto. Portanto, nós tínhamos esta experiência das gripes anteriores e das pandemias de gripe no século XX, uma ameaça mesmo no final do século XX com um novo vírus muito letal e depois tivémos em 2009 a gripe A. Não foi um vírus totalmente novo, era um AH1N1 que são vírus que circulam habitualmente no inverno, mas com mutações, mutações de origem aviária e de origem suína e tivemos essa pandemia que as pessoas tendem a esquecer-se, mas em 2009 nós tivemos uma pandemia, por gripe, que ficou conhecida por gripe A. Não foi uma pandemia grave, no entanto, teve uma pequena característica que lhe deu alguma, enfim, alguma intensidade, digamos assim, alguma carga que foi afetar gravemente pessoas jovens que não teriam imunidade nenhuma, àquele vírus e, portanto, a maior parte dos óbitos que foram poucos, foram pouco mais de quatro dezenas, mas foram muito importantes porque se tratou de pessoas muito novas, todas as mortes são importantes, mas aquelas em particular foram muito tocantes porque aconteceram em jovens. Essa foi a primeira pandemia do nosso século, gripe como era expectável, a chamada gripe A. Pouco grave, o vírus torna-se residente, instala-se e foi assim e depois estávamos sempre à espera de uma nova pandemia, só não sabemos quando nem com característica, sendo que o vírus que é mais candidato a dar essas pandemias, é sempre o vírus da gripe e neste caso, não aconteceu. Foi um coronavírus.
Estes vírus são oblíquos na natureza. Há sete tipos, a maior parte deles dá constipações vulgares, mas houve duas exceções. Uma exceção muito importante foi SARS em 2003, foi muito grave, por isso é que este vírus se chama SARS-CoV-2, porque já tínhamos tido um em 2003, que foi o primeiro SARS, vírus da pneumonia atípica que deu focos em vários países do mundo. No total, acabou por ter quase 9000 casos notificados, destes casos que estiveram em 32 países e áreas, 812 pessoas morreram, foi um vírus altamente agressivo. Foi possível conter focos nestes diversos sítios do mundo, no Canadá, na China, em Taiwan, nas Filipinas, em Singapura, no Vietname, vários pontos do mundo. A SARS, como ficou conhecida em Portugal, pneumonia atípica, desaparece em 2003 e depois, enfim, acontece este episódio com um novo vírus. É um coronavírus e nós não sabíamos se ia ter um comportamento benigno, não sabíamos se ia ser por focos capazes de se deixarem conter como foi a primeira fase em 2003 e depois vimos que, de facto, a situação foi progredindo e deu uma pandemia com proporções bastante importantes, atendendo às capacidades tecnológicas que nós já dispomos neste momento. Quando, em 2023, dia 05 de Maio, a OMS declarou que a covid-19 deixava de ser uma emergência de saúde pública de importância Internacional em todo o mundo, tinham morrido já cerca de sete milhões de pessoas.
Qual foi o momento mais difícil como Diretora-Geral da Saúde e como cidadã?
O momento mais difícil foi no inverno de 2021, quando morreram 300 pessoas num dia, esse dia, foi absolutamente devastador. Eu tinha tido acabado de ter covid, tive covid em dezembro de 2020, ainda sem a vacina, a vacina começou-se a administrar no dia 27 de dezembro, tinha morrido um amigo meu com covid exatamente dias antes e depois quando tenho alta e retomo o trabalho acontece aquela situação de elevada mortalidade. A par dos primeiros casos, do regresso das pessoas de Wuhan, que foi muito dificil de montar toda a logística, essa foi a primeira dificuldade, depois o início dos casos, a preparação dos hospitais, todo o trabalho que que nós fizemos e depois esse acontecimento em que tantas pessoas perderam a vida no início de 2021.
Tínhamos a imagem do arco-íris e a frase " Vai Ficar tudo bem". Ficou bem alguma coisa?
Eu acho que nós recuperamos bem. Eu no final de 2022, ainda em plena pandemia, pedi a uma colaboradora que fizesse com alguma urgência uma determinada coisa e ela respondeu “Oh Dra Graça, isso era no tempo da pandemia”, e eu pensei” bem no tempo da pandemia, esta jovem já fala no tempo da pandemia, como se fosse uma coisa passada”. Eu acho que nós recuperamos. Vou lhe ser sincera. O que aconteceu naqueles anos pandémicos, sobretudo em 2020 e 2021 e em parte de 2022 foi um acelerar da sociedade, tudo acelerou, tudo foi mais rápido, apesar dos confinamentos que foi uma experiência sociológica absolutamente inaudita em todo o mundo, quando as pessoas ficaram confinadas e aceitaram isso voluntariamente. Apesar desses confinamentos, a covid-19 foi um catalisador social. As coisas aconteceram com muita intensidade. Aconteceram os receios, o medo, as disfunções, as superações, tudo aquilo que nós fizemos extraordinariamente bem como povo.
Projetou-nos para outra fase em 2023, mas de forma mais acelerada do que teria sido e, por outro lado, obviamente deixou as suas marcas, as suas cicatrizes, as suas sequelas, mas, por outro lado, também a maior parte das pessoas arrumou de certa forma, aquele período para poder continuar a rotina da sua vida. Não creio que tenha sido um acontecimento especialmente traumático para o futuro, deixou marcas, deixou marcas, sobretudo às famílias e às pessoas que perderam pessoas das suas relações próximas isso sim, nunca mais se esquece.
Deixou muitas marcas aos doentes que estiveram em unidades de cuidados intensivos, aos profissionais de saúde que estiveram fortemente envolvidos no combate à pandemia. Obviamente, as pessoas lembram-se do confinamento e houve milhões de de confinamentos diferentes. Umas pessoas passaram bem, outras passaram menos bem. Houve impacto social, houve impacto económico. No fim, nós dissemos que não tinha sido uma pandemia, não tinha sido apenas um evento sanitário, foi uma verdadeira sindemia, teve questões sanitárias, teve questões sociais e teve questões económicas, mas acho que os seres humanos têm uma enorme capacidade de se superar, de superar estes acontecimentos e seguir a sua vida, claro está, que nos transformou, obviamente.
Há pouco perguntava-lhe qual foi o momento mais difícil? Agora pergunto-lhe qual foi momento que lhe deu mais esperança como diretora-geral da saúde e como cidadã?
Obviamente a vacinação. À medida que eu me apercebi, mesmo antes do professor Sarmento no dia 27 de dezembro de 2020 ter sido vacinado, foi a primeira pessoa a ser vacinada. Eu sou uma mulher das vacinas, acredito, tenho evidência científica do efeito e do impacto da vacinação. À medida que fui lendo os documentos muito antes do 27 de dezembro, e que fomos sabendo o que se passava, quer na parte científica, quer na parte tecnológica, quer na própria produção e na regulação nos mecanismos europeus para virmos a ter de forma equitativa na Europa, pelo menos, e depois podermos até doar a todo o mundo vacinas, aí foi uma janela de esperança enorme e esse foi, de longe, depois de se ter iniciado a pandemia, o momento mais feliz.
Foi finalmente ver que nós podíamos interromper a história natural da doença com eficácia, ou seja, nós tivemos 6 milhões de infeções reportadas em Portugal, tivémos mais de 27 mil e 500 mortos até ao final de 2024 e muitas pessoas obviamente, foram ganhando imunidade natural. Iriam continuar a ganhar imunidade natural a um preço elevado. A vacina permitiu salvar muitas vidas e para mim, esse foi de longe o acontecimento mais importante da pandemia. Foi ver que finalmente, além de todas as medidas de distanciamento, de etiqueta respiratória, de higiene, tudo aquilo que do ponto de vista cívico e de cidadania, nós tínhamos feito finalmente íamos ter um instrumento que lhe permitir alterar o curso da pandemia, sem continuar a cobrar o preço da doença, do sofrimento e da morte. Portanto, a vacinação, a descoberta e a capacidade de produzir vacinas foram o acontecimento mais feliz.
Sobre a próxima pandemia o que sabemos é que vai acontecer. Acredita que vai ter origem numa zoonose?
Habitualmente tem, mas não é obrigatório porque os vírus da gripe vão precisar de sofrer uma mutação de alguma forma e normalmente estas mutações más dos vírus da gripe é porque incorporam material aviário, ou suíno ou até de ambos e, portanto, poderá haver aqui a influência animal para que haja uma transformação grande. Eu estou a falar de vírus porque é a maior probabilidade. Não é obrigatório que seja, mas a maior probabilidade é que uma próxima pandemia seja causada por um vírus e é natural que que possa advir de uma zoonose, porque neste momento, o planeta está sobrelotado de pessoas que interagem com outras espécies animais e, portanto, há um grande contacto, mesmo das espécies animais entre si.
Temos um planeta muito sobrelotado e é de certa forma expectável que os vírus se combinem e recombinem, passem de umas espécies para as outras, e depois finalmente originem uma espécie que se adapta bem aos humanos e que se transmitem de pessoa a pessoa e isso dará origem a uma nova pandemia que só não sabemos é quando é que vai ser, nem que características é que vai ter. Estou convencida que estamos cada vez mais preparados. Note a rapidez com que nesta pandemia foi identificado o vírus, não foi assim no passado, levava-se muito tempo a saber qual era o agente causal, desta vez foi rápido. Note a rapidez com que se descobriram vacinas eficazes e seguras. Note a forma ordeira e consciente e participativa com que os cidadãos aderiram a medidas de saúde pública. Portanto, eu tenho esperança e fé na ciência e no comportamento das pessoas, que a próxima pandemia quando acontecer os mecanismos que nós temos para a combater vão ser mais eficazes e mais céleres do que jamais terão no passado. Temos que estar preparados, o mundo está preparado.
Há uma coisa que me preocupa, as redes de vigilância e colaboração mundiais que existiam, nomeadamente com a Organização Mundial de Saúde e com o Regulamento Sanitário Internacional, eu vejo com muita preocupação esta questão dos Estados Unidos, porque se essa rede, essa cadeia de cooperação e de vigilância se interromper ou se não for tão efetiva, poderá ter consequências quer na detecção de uma futura ameaça, quer no seu controlo e, portanto, acompanho com alguma preocupação esta questão dos Estados isto pelo efeito contágio que isto às vezes tem noutras instituições por todo mundo e essa é a minha maior preocupação neste momento.
Termos o Estados Unidos fora da Organização Mundial da Saúde num cenário de pandemia é assustador?
Para mim é assustador e há outra questão que é fora da Organização Mundial da Saúde, os Estados Unidos puderem estar de alguma forma a enfraquecer o seu próprio centro de controlo de doenças. O CDC de Atlanta do ponto de vista da ciência, do conhecimento, das guidelines, era uma grande orientação para todo mundo, porque eles têm tradição, têm décadas dos melhores especialistas e partilhavam esse conhecimento com todos. portanto, nós todos acabamos por beneficiar desse conhecimento científico e dessa experiência do CDC americano e, portanto, quando também vejo que o próprio CDC está a ser desvalorizado e enfraquecido, preocupo-me, era uma instituição e é de referência mundial.
Algum vírus que atualmente que a preocupe particularmente? O vírus da gripe aviária, por exemplo?
A mim preocupa-me. Como eu passei pela crise de 1997 do H5N 1, esse virús aviário que volta e meia reaparece, porque aves silvestres, habitualmente aquáticas onde o vírus e outros vírus coexistem pacificamente e não causam doença a essas aves ou são o seu reservatório, quando esses vírus depois passam das aves silvestres para as aves domésticas, já há ali um salto na patogenicidade, ou seja, a quando atingem as aves domésticas elas já não são reservatórios, tornam-se um hospedeiro e adoecem. E depois há sempre a possibilidade, pequena ou grande, mas há a possibilidade de se transmitirem para pessoas, nomeadamente para pessoas que contactem com essas aves domésticas, os trabalhadores de explorações agrícolas, por exemplo. Se o vírus se adaptar à espécie humana, pode iniciar cadeias de contágio. Eu tenho algum respeito e até medo por esses vírus aviários que dão zoonoses. Gripe aviária, não tem nada a ver com gripe humana. É preciso ainda outro salto. Mas o facto de haver uma gripe zoonótica, quando as aves domésticas começam a ficar doentes, eu de facto preocupo-me, tal como muita gente se preocupa, não quer dizer que a evolução seja sempre no sentido da adaptação à espécie humana, só quer dizer que temos que estar atentos, vigilantes e tomar medidas, os cordões sanitários, a base das aves, o cuidado e a vigilância das pessoas que tratam delas para evitar focos, mas sim, é um vírus que me preocupa.
Disse que é preciso haver um salto, pode ser um salto relativamente rápido?
Não sabemos. Para as pessoas perceberem, os vírus só têm viabilidade dentro de células, dos seus hospedeiros e dos seus reservatórios. Nós temos receptores nas células que imagine será uma fechadura, e o vírus é uma chave e enquanto a chave não for capaz de abrir eficazmente a fechadura e de admitir que os vírus penetram nas células, a situação está controlada e nós não sabemos como é que as mutações dos vírus vão evoluir. Se vão evoluir no sentido de se adaptarem aos receptores celulares e invadirem os hospedeiros, ou não, portanto isso é mesmo uma incógnita. Temos que vigiar, a ciência e a vigilância epidemiológica, os grupos de saúde pública em todo o mundo e os laboratórios, têm obrigação de vigiar estes vírus e de ir percebendo como é que são as suas modificações, as suas mutações. Nós não somos capazes de prever. Sabemos que pode acontecer, mas não somos capazes de prever.
