Gastos na defesa: Comissão Europeia em Portugal diz que exigências de Trump aumentaram "sentido de urgência"

    A representante da instituição em Portugal defende que as relações entre Estados Unidos e a Europa são demasiado importantes para pôr em causa a parceria.

    Em clima de tensão entre os países europeus e a nova administração norte-americana liderada por Donald Trump, a representante da Comissão Europeia em Portugal reconhece que tem havido desacordos entre os 27 e os Estados Unidos.

    Sofia Moreira de Sousa lembra, no entanto, que as relações entre americanos e europeus são demasiado importantes colocar em causa a parceira: “É uma relação que assenta em 450 milhões de pessoas do lado europeu e 350 milhões de pessoas do lado americano. Têm surgido alguns desafios, alguns desacordos na forma como olhamos para o mundo, mas isto não coloca em causa a importância da parceira. Temos de utilizar todos os canais para assegurar que trabalhamos para o seu reforço”.

    Entrevista completa a Sofia Moreira de Sousa

    O Presidente dos Estados Unidos ameaçou, entretanto, impor tarifas de 200% aos produtos alcoólicos europeus, depois de a União Europeia ter decretado tarifas de 50% ao whisky americano. A representante da Comissão Europeia em Portugal diz que a instituição apenas está a defender os seus interesses.

    “Foi uma resposta à decisão unilateral dos Estados Unidos de impor tarifas a produtos europeus, nomeadamente de metalurgia. É neste quadro que temos de olhar para a atual situação. O mais importante seria eliminarmos todas as tarifas, mas a União Europeia, não obstante defender um comércio aberto, também é capaz de proteger os nossos interesses. Foi o que fez”, explica Sofia Moreira de Sousa.

    Sobre investimento da defesa, a representante da Comissão Europeia em Portugal diz a urgência de gastar mais nesse setor já existia, mas reconhece que aumentou com a chegada de Donald Trump à Casa Branca: “Declarações do outro lado do Atlântico alteraram as perceções em alguns países europeus sobre a necessidade de investimento e trouxeram um sentido de urgência muito maior”.

    Do lado do executivo comunitário, Sofia Moreira de Sousa diz que tem havido um esforço para dar condições aos estados-membros para investirem em defesa.

    “A Comissão Europeia propôs – e estamos agora a trabalhar sobre isso - a flexibilidade de os Estados-membros poderem endividar-se um pouco mais do que aquilo que estava previsto no pacto de estabilidade, para investimentos na área da defesa. Significa que o dinheiro que é investido tem retorno, ou seja, mesmo que haja uma dívida contraída para desenvolver a indústria, por exemplo, de inovação, que depois a produtividade vai trazer rendimento para o país e para essas empresas”, sublinha Sofia Moreira de Sousa

    Outras das medidas do executivo liderado por Ursula von der Leyen, para incentivar ao investimento na defesa, é a alteração das regras dos fundos de coesão: “Fica na prerrogativa de cada Estado-membro, de no processo de revisão da aplicação desses fundos, de realocá-los para outras áreas que cumpram os objetivos da defesa. Seja, por exemplo, na mobilidade militar ou na construção de infraestruturas. Se ficarmos com linhas de caminho de ferro construídas obviamente que a utilização civil será extremamente útil”.