Corte na EN15 deixa Candemil com dificuldades de mobilidade

    A estrada está cortada desde fevereiro na sequência de derrocadas provocadas pelo mau tempo.

    A população de Candemil, concelho de Amarante, diz sentir-se “isolada” devido a um corte na Estrada Nacional 15 (EN15) que se prolonga desde fevereiro e exige alternativas de mobilidade, disse a presidente da Junta de Freguesia.

    “Este corte desta estrada obriga as pessoas a fazer mais quatro quilómetros para ir para o centro de saúde e para a farmácia. Os autocarros têm que passar mais cedo porque dão uma volta maior. Os comerciantes também são prejudicados porque não passa tanto trânsito, não fazem tanto negócio. As IPSS [instituições particulares de solidariedade social] também são obrigadas a fazer voltas maiores. Sentimo-nos isolados”, disse Sofia Marinho.

    Em declarações à agência Lusa, a autarca de Candemil, uma freguesia do concelho de Amarante, no distrito do Porto, explicou que a Infraestruturas de Portugal cortou um troço da EN15 foi cortado ao quilómetro 74.800 em fevereiro na sequência de derrocadas provocadas pelo mau tempo, uma situação que “se prolongou demasiado”.

    “As pessoas que usam táxi pagam mais por causa da volta que é preciso dar e estão muito descontentes porque não se vê fazer nada e as pessoas queriam o problema resolvido. E isto dá muito transtorno. Gasta-se mais gasolina, fazem-se mais quilómetros”, acrescentou.

    Para Sofia Marinho, “é ainda mais preocupante que uma ambulância em marcha de urgência tenha de chegar rápido junto desta população e não consiga”.

    “Precisamos urgentemente de alternativas”, insistiu.

    Segundo a autarca, além da população de Candemil já mostraram descontentamento populações das freguesias e localidades vizinhas como Gondar e Ansiães, Bustelo, Carneiro e Carvalho de Rei, bem como Aboadela, Várzea e Sanche.

    Por esta razão, a população decidiu marcar para sábado, às 17:00, uma manifestação pública.

    No texto que descreve a iniciativa é referido que a manifestação servirá para mostrar descontentamento face à situação de isolamento e às dificuldades de mobilidade e segurança provocadas pelo corte da EN15.

    “Esta situação tem causado transtornos significativos, aumento dos custos de deslocação e dificuldades acrescidas para idosos, estudantes e pessoas com mobilidade reduzida. A situação torna-se ainda mais preocupante com a aproximação do período de verão, altura em que regressam à freguesia muitos emigrantes que mantêm fortes ligações à sua terra natal”, acrescenta a organização.

    A Junta de Freguesia apela à participação de todos os cidadãos, numa demonstração de união em defesa da segurança, mobilidade e qualidade de vida da comunidade.

    A agência Lusa contactou a Infraestruturas de Portugal e aguarda resposta.