Éder, dez anos depois de chutar: "Muitas pessoas agradecem-me e eu acho que não é para tanto"
A 10 de julho de 2016, Éder marcou o único golo de uma final que ficou para história do futebol português: a seleção vencia o primeiro título sénior, o Euro 2016.
Neste dia, precisamente há dez anos, Éder havia de entrar em campo aos 79 minutos para jogar a final do Euro 2016. Contra França, em França. Mais de 75 mil pessoas nas bancadas de um Stade de France, em plena Paris, a salivar por um título que europeu que ficasse em casa. Éder não quis. Recebeu a bola, virou-se para a baliza, acreditou, deixou Koscielny pelo caminho. "Chuta!" era o que se ouvia nas bancadas. "Vai Éder!", saía dos relatos das rádios portuguesas. E Éder foi, Éder chutou, Lloris esticou-se e não chegou lá.
Estava marcado o golo que dava o primeiro título de sempre à seleção portuguesa: um Europeu, vencido em casa do país organizador, 12 anos depois da Grécia ter feito o mesmo a Portugal em Lisboa. Na marca dos dez anos, a rádio falou com Éder. Hoje está longe dos relvados, mas não daquele momento. Ainda lhe agradecem, mas sente que "não é para tanto".
O golo é uma memória que tem presente?
Sim, como é óbvio. Sobretudo passaram dez anos, mas parece que foi ontem. Depois no dia-a-dia com a reação das pessoas - e ainda hoje as pessoas lembram-se desse momento e falam muito comigo sobre isso. Portanto, é uma memória que está bem presente.
Qual é que é a emoção de saber que passados estes dez anos, o Éder continua a ser esta figura no imaginário português e quase que um herói nacional? Não perdeu esse estatuto.
Eu acho que tem a ver com a conquista, pelo facto de ter sido a primeira, digamos assim. Tanto eu como os meus colegas de equipa estamos muito lisonjeados porque foi de facto um feito enorme, e vimos e continuamos a ver pela reação das pessoas e por alguns testemunhos das pessoas. Sentimos todo esse carinho, sentimos a alegria e a forma como as pessoas olham para esse momento e enche-nos de orgulho.
Passados estes dez anos, a única coisa que está em falta é realmente ser feriado nacional. Os papéis estão metidos.
Eu não sei se houve alguma petição, mas eu lancei o mote. Até hoje ainda não aconteceu, mas pronto, acaba por ser um feriado virtual.
Hoje é apresentado o novo selecionador, no dia em que se marcam dez anos deste título. É um bom presságio?
A verdade é que vão acabar por ser duas datas diferentes. Claro, é a celebração de um feito histórico para todo um país e é assim que as pessoas acreditam que vivem esse momento e esta data. Mas, claro, tem algum significado o facto de também ser apresentado o novo selecionador. Agora começa uma nova era e que seja uma era de muitos títulos para Portugal.
Portugal já está fora do Mundial. Hoje joga a Bélgica: devido à família, acaba por torcer por eles?
Como é óbvio, é natural. A minha mulher com certeza estará colada ao ecrã. E claro, os meus filhos também, porque têm essa parte, têm essa costela, e é claro que vou estar a torcer pela Bélgica, já que Portugal não está. Aco que todos nós depois acabamos também por simpatizar com outras seleções, mas neste caso, claro, para mim é a Bélgica. Por questões familiares diz-me bastante e com certeza espero que a Bélgica ganhe.
Passados dez anos, qual é a memória que mais o marca? Quer do dia em que marca este golo, quer do dia a seguir quando é recebido cá?
O apito final, porque é um momento que nos consagra. Também os abraços entre nós, o sentir de dever cumprido. Depois a chegada a Portugal, com euforia, o calor dos nossos adeptos, as ruas cheias de emoção, de felicidade. E no momento em que estamos no palco, sente-se todo aquele calor, energia, um sonho cumprido. Acho que são esses momentos que marcam mais.
Há algumas palavras que lhe tenham sido ditas, e que o tenham marcado mais sobre este momento?
Muitas pessoas agradecem-me e eu acho que não é para tanto (risos). Mas é a reação das pessoas, sobretudo a contarem-me o que estavam a fazer no dia, a forma como celebraram e o que representou para elas. Também o facto de muitos homens terem chorado nesse dia.

