Eleição no Brasil: “A principal tarefa do próximo Presidente será gerar confiança”, diz portuguesa a viver em São Paulo
Mais de 158 milhões de brasileiros vão este domingo às urnas para escolher o Presidente da República, governadores, senadores e deputados.
Mais de 158 milhões de brasileiros vão este domingo às urnas para escolher o Presidente da República, governadores, senadores e deputados. A corrida presidencial chega ao primeiro turno marcada por uma disputa renhida entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro e por uma forte polarização política.
As sondagens divulgadas na véspera das eleições confirmam a proximidade entre os dois principais candidatos. No mais recente levantamento do Datafolha, Lula surge com 45% dos votos válidos, contra 42% de Flávio Bolsonaro, uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A portuguesa Vera Guerreiro vive no centro de São Paulo e acompanha de perto o ambiente político e social do país. Para a observadora, mais do que a diferença entre os candidatos, impressiona a intensidade com que a política é vivida no Brasil.
“O que mais me impressiona no Brasil não é a polarização. A polarização existe em muitos países. O que me impressiona é a intensidade com que a política é vivida aqui”, afirma.
Vera considera que Lula e Flávio Bolsonaro continuam a representar “visões muito distintas” sobre o país, mas entende que reduzir a eleição a um confronto entre os dois é insuficiente para explicar as preocupações dos brasileiros.
“Para muitos brasileiros, esta eleição não é apenas sobre Lula e Bolsonaro. É sobre custo de vida, é sobre emprego, é sobre segurança, é sobre qualidade dos serviços públicos”, sublinha.
A portuguesa destaca ainda diferenças nas expectativas dos vários setores da sociedade. Entre empresários, diz, a preocupação passa sobretudo pela previsibilidade económica. Já os investidores procuram estabilidade regulatória e confiança, enquanto as famílias estão mais concentradas no rendimento, na inflação e na qualidade de vida.
O comportamento dos mercados é também uma preocupação num período eleitoral marcado pela incerteza. Vera lembra que as eleições brasileiras tendem a provocar volatilidade nos câmbios e nos ativos financeiros, à medida que os investidores tentam antecipar as políticas económicas do próximo Governo.
“Independentemente de quem vencer, a principal tarefa do próximo Presidente será gerar confiança. Gerar confiança para investir, gerar confiança para consumir, gerar confiança para criar emprego, para atrair capital”, considera.
Sobre os dois principais candidatos, Vera identifica argumentos distintos entre apoiantes e críticos. No caso de Lula, os defensores destacam a experiência política, a capacidade de diálogo institucional e alguns indicadores económicos, enquanto os críticos apontam preocupações com a despesa pública, a situação fiscal e questões relacionadas com corrupção.
Do lado de Flávio Bolsonaro, os apoiantes valorizam uma agenda económica mais liberal, uma posição mais firme em matéria de segurança e uma visão conservadora da sociedade. Os críticos, por sua vez, contestam o estilo político associado ao campo 'bolsonarista' e apontam para a elevada polarização e para controvérsias institucionais.
Apesar do peso destas questões, Vera acredita que o resultado eleitoral deve ser analisado para além do confronto ideológico.
“Quem conseguirá construir o Brasil dos próximos dez anos? Acho que essa é uma pergunta que vai continuar em aberto muito depois do resultado das urnas amanhã”, afirma.
As eleições gerais brasileiras decorrem este domingo. Além do Presidente e do vice-presidente, os eleitores escolhem governadores e vice-governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. A votação decorre entre as 8h e as 17h, hora de Brasília.
Se nenhum candidato presidencial obtiver mais de metade dos votos válidos, haverá uma segunda volta a 25 de outubro.
