Equipa portuguesa chega a Portugal com "marcas" e sentimento de "missão cumprida" na Venezuela
A equipa portuguesa ajudou no resgate de um venezuelano dos escombros.
Elementos da Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa destacada na Venezuela após os sismos regressaram hoje a Portugal com o sentimento de “missão cumprida” e com “marcas”, como o resgate com vida de um venezuelano dos escombros.
“Apesar de estarmos habituados e preparados, há situações que nos marcam”, como o resgate de Hernán Gil, pelo “número de horas em que estivemos envolvidos na missão”, confessou, aos jornalistas, Armando Maria, da Força Especial de Proteção Civil.
Armando foi um dos 63 elementos da FOCON que chegaram esta manhã à Base Aérea N.º 11, em Beja, a bordo de um de dois aviões KC-390 da Força Aérea empenhados no apoio humanitário à Venezuela na sequência dos sismos de 26 de junho.
Depois de aterrar na pista da base aérea alentejana, a aeronave estacionou junto a um dos hangares e à sua espera estava o Presidente da República, António José Seguro, que cumprimentou, à saída do aparelho, cada um dos elementos da FOCON.
Seguiu-se uma pequena cerimónia de receção, já no interior de um hangar, na qual o chefe de Estado elogiou a prontidão e competências da equipa portuguesa e aproveitou para trocar palavras com alguns dos operacionais.
Armando Maria disse que esta foi a sua primeira participação numa missão humanitária num cenário de terramoto, assinalando que foi “uma experiência única” e que está de “coração cheio” pela ajuda prestada e, sobretudo, pelo resgate de Hernán.
Admitindo que o salvamento deste venezuelano foi “uma situação que deixou marca entre a nossa equipa”, este operacional relatou que Hernán, quando percebeu que estavam portugueses envolvidos no seu resgate, gritou “Cristiano Ronaldo, Portugal”.
“E isso fez que houvesse uma familiarização entre nós, uma admiração nossa perante a vítima, que depois daquele tempo todo ainda conseguiu de alguma forma brincar com as equipas de resgate que estavam ali para retirá-lo dos destroços”, frisou.
Hernán Gil esteve soterrado entre 24 de junho e 02 de julho no que outrora foi um parque de estacionamento de uma galeria comercial, onde era vigilante.
“Foi um trabalho muito complexo, estávamos a trabalhar em sítios muito confinados, a fazer abertura de acesso, em que várias equipas estiveram envolvidas, todos fizemos o melhor e o resultado final foi um êxito”, destacou.
Também em declarações aos jornalistas, Carlos Pereira, do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, realçou o “sentimento enorme de orgulho e de missão cumprida” e lembrou o trabalho efetuado pelos portugueses no resgate de Hernán Gil.
“A minha função, enquanto comandante, era garantir que a operação estava a decorrer de acordo com todos os critérios de segurança e, no fim, houve aquele sentimento de alívio e grande orgulho de termos conseguido resgatar o Hernán”, salientou.
Já Hugo Santos, chefe de missão, destacou que estes elementos do FOCON chegam agora a casa “bem de saúde e sem nenhum ferimento”, cumprindo-se “um dos principais objetivos” da missão, perante “um cenário extremamente complexo e com um risco muito grande”.
“Foram dias de intenso trabalho, num cenário de devastação indescritível”, afirmou, contando que os portugueses apoiaram ao nível de emergência médica, busca e salvamento de pessoas e avaliação de estruturas em risco de colapso com drones.
“Foi um conjunto diversificado de missões que fizemos durante estes dias, mas que efetivamente julgo ter feito a diferença para o povo venezuelano”, sublinhou.
Com a fase de busca e salvamento encerrada, o chefe da missão considerou que a Venezuela tem agora “um caminho extremamente delicado pela frente”, na remoção de cadáveres, demolição de edifícios em risco e na resposta a questões de saúde pública.
“Fica um país por reconstruir, mas julgo que a comunidade internacional será capaz de responder presente para apoiar a Venezuela”, acrescentou.
Esta missão integrou a resposta coordenada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em articulação com o Ministério da Defesa Nacional, contando com o empenhamento da Força Aérea para assegurar o transporte da ajuda humanitária e da FOCON.
A equipa portuguesa integrou operacionais da estrutura de Comando e da Força Especial de Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e GNR.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 3.899 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 104 portugueses e lusodescendentes, e outros 57 estão desaparecidos ou incontactáveis.
