"Estado muito precário" da ONU que corre o risco de desaparecer

    O alerta é de Victor Ângelo, antigo secretário-geral adjunto da ONU, neste Dia das Nações Unidas, que marca os 80 anos da Organização.

    A frágil situação financeira e a falta de representatividade no Conselho de Segurança estão a comprometer o futuro da Organização das Nações Unidas (ONU), alerta Victor Ângelo, antigo secretario-geral adjunto da ONU, neste Dia das Nações Unidas.

    "O futuro das Nações Unidas está bastante comprometido. E se a questão da reforma das Nações Unidas, se a questão do pagamento das quotas anuais dos principais países membros das Nações Unidas e se a questão da representatividade das Nações Unidas não forem resolvidas, é evidente que a organização entrará num período de crise profunda e isso poderá levar ao desaparecimento da própria organização", diz o embaixador em entrevista à nossa redação.

    Para Victor Ângelo, há várias razões que explicam o "estado muito precário" da ONU: "uma das razões é porque os principais países não pagam as cotas ou pagam de uma maneira bastante atrasada. Por isso, há um problema financeiro enorme ao nível das Nações Unidas. A segunda razão é porque o Conselho de Segurança das Nações Unidas não está a funcionar como deveria funcionar e está cada vez mais dividido (...), além de não ser representativo de um mundo de 2025. O Conselho de Segurança continua a ser uma representação daquilo que existia no fim da Segunda Guerra Mundial, ou seja, em 1945."

    Feito o diagnóstico, é urgente "uma reforma profunda" na ONU, sobretudo ao nível do "Conselho de Segurança das Nações Unidas".

    Quase a terminar o mandato na liderança da ONU, António Guterres "teve um azar dos Távoras" durante a liderança da ONU, que coincidiu com duas presidências de Donald Trump nos Estados Unidos, um Presidente que "não compreende as Nações Unidas e que considera que não têm qualquer titpo de utilidade em termos da paz e da segurança mundial".

    Certo é que, adianta Victor Ângelo, a ONU e o secretário-geral têm sido colocados completamente à margem na tentativa de solução para as guerras em curso, em particular na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

    Entrevista a Victor Ângelo no Dia das Nações Unidas