"Estamos rodeados de incêndios", diz Mariana Van Zeller em Los Angeles

    Jornalista portuguesa descreve a "enorme tragédia" causada pelos incêndios na Califórnia.

    "É uma tragédia enorme, conheço várias famílias que já perderam as casas". Este é o retrato dos incêndios na Califórnia feito pela jornalista Mariana Van Zeller, que reside em Los Angeles há quase 15 anos.

    A portuguesa diz que vê o fogo da janela de casa, que está rodeada de incêndios mas ainda em segurança.

    Os fogos começaram na terça-feira e já causaram pelo menos cinco mortes. 

    "Nunca vivi nada assim", diz Mariana Van Zeller (a jornalista que venceu cinco Emmys pelo “Na Rota do Tráfico").

    Que retrato pode fazer dos incêndios em Los Angeles?

    "Ainda temos cinco incêndios ativos, cinco fogos ainda não foram controlados, mais de 11 mil hectares queimados. Sem dúvida um dos desastres mais destrutivos naturais na história desta cidade, da minha cidade. É uma tragédia enorme, conheço várias famílias que já perderam as casas, que foram retiradas. Temos uma família agora connosco aqui em nossa casa, nós estamos rodeados de incêndios, mas o incêndio mais perto de nós é mais ou menos a 4 ou 5 quilómetros de distância, portanto ainda estamos em segurança, mas eu vivo aqui em Los Angeles há quase 15 anos e nunca vivi nada assim".


    Mas consegue ver o fogo da sua janela?

    "Consigo e consegui ver o primeiro fogo. Ontem quando chegamos a casa olhei para outra janela e comecei a ver um outro fogo, começou muito pequeno, que foi o de Sunset, que é Hollywood Hills, que é bem perto da minha casa, e começámos a ver que começou a crescer e a crescer e tornou-se num perigo muito grande para várias casas e pessoas que conheço que vivem naquela área"

    E que recomendações é que as autoridades têm feito à população? Tem tudo decorrido de acordo com aquilo que é previsto ou há falta de informação? Como é que todo esse trabalho tem sido feito?

    "Tem sido muito difícil, mas eu acho que em termos de informação, acho que tem sido dada. Houve incêndios que começaram de um momento para o outro e que famílias que não sabiam sequer que existia um incêndio até chegar à casa deles, portanto não puderam ser retiradas, não tiveram alerta de evacuação, porque o incêndio espalhou-se super rápido. Foi super difícil para as autoridades sequer conseguirem enviar esse alerta de evacuação. Mas temos todos seguido um mapa, existe uma app aqui bem conhecida agora, que todos os meus amigos e todas as pessoas que conheço têm essa app, em que conseguem seguir as zonas de evacuação e estamos todos em alerta constante a fazer um refresh dessa app para ver o que é que se passa na nossa área"

    Há muitos portugueses a residir nessa zona?

    "Existem portugueses pelo mundo inteiro e sim, existem muitos portugueses aqui em Los Angeles. Eu tenho estado em contacto com alguns. Por enquanto estamos todos em segurança. Los Angeles é uma cidade grande, mas temos uma comunidade de grande apoio uns aos outros. Nós temos uma família a viver agora connosco, porque tiveram que ser retirados da casa deles. E temos recebido milhares de mensagens dos nossos amigos e famílias conhecidas aqui em Los Angeles a dar apoio uns aos outros"

    Há bocado recebemos a informação de que os ventos estariam menos intensos. Consegue confirmar isso ou a situação ainda está complicada?

    "Os ventos estão menos intensos, mas é suposto que comecem outra vez hoje à noite. Portanto, ainda não estamos fora do perigo, o que torna a situação bastante complicada. Quando os ventos começaram, na terça-feira, foi uma noite super difícil. Nós vivemos numa casa com várias janelas e a noite toda eu e vários amigos meus com quem falei sentiam mesmo: as janelas a bater, árvores a caírem, postos de eletricidade com faíscas. Aliás, dizem que alguns dos incêndios começaram talvez por causa dessas faíscas de eletricidade. Portanto, no início o medo eram só os ventos e a destruição possível dos ventos, e depois passou à grande destruição dos fogos, dos incêndios".