Feira do Livro de Lisboa com milhares de novidades ao longo de 19 dias

    O presidente da APEL, Miguel Pauseiro, refere que o "livro é esperança" e, por isso, "queremos que o livro chegue mais longe".

    A 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa promete afirmar-se como “o maior acontecimento cultural do país”, mas também como uma feira mais inclusiva, sustentável e próxima dos leitores. Em entrevista, Miguel Pauseiro, presidente da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), destaca as principais novidades do certame que decorre durante 19 dias e que deverá ultrapassar, uma vez mais, centenas de milhares de visitantes.

    “É uma das mais bonitas feiras do livro do mundo e o maior acontecimento cultural do nosso país”, afirmou Miguel Pauseiro, sublinhando que, pela primeira vez, a feira recebeu a classificação de “festival acessível”, uma distinção atribuída pelo Turismo de Portugal e pelo Instituto Nacional para a Reabilitação.

    Segundo o responsável, este reconhecimento “visa distinguir as práticas inclusivas em eventos culturais”, garantindo melhores condições de acessibilidade a todos os públicos, incluindo pessoas com necessidades específicas, temporárias ou permanentes. “É uma distinção que nos honra muito e que vai ao encontro daquilo que há muitos anos procuramos: trazer mais públicos à Feira do Livro”, afirma.

    Outra das novidades passa pela renovação do espaço dedicado aos pequenos editores. Miguel Pauseiro explica que o objetivo é “conferir mais conforto e mais dignidade àquele espaço”, tanto para quem apresenta os seus projetos editoriais como para os visitantes.

    A programação cultural surge reforçada nesta edição, com música às sextas-feiras e agora também sessões de cinema aos sábados à noite. Todos os eventos são gratuitos, embora algumas atividades necessitem de reserva prévia através do site oficial da feira.

    A dimensão do evento continua a crescer. Se numa primeira fase estavam previstos cerca de 2200 eventos, a organização já ultrapassou os 3200 registos. “Como em todos os anos, estamos certos de que ao longo da feira vão aparecer novos eventos”, revelou Miguel Pauseiro.

    Entre apresentações de livros, debates, sessões de autógrafos e momentos de reflexão, a organização aconselha os visitantes a planearem antecipadamente a visita. “Recomendo sempre que quem vá à feira olhe para a programação antes de sair de casa”, refere.

    A Feira do Livro de Lisboa contará com 350 pavilhões distribuídos por 128 participantes editoriais, representando mais de 900 chancelas e cerca de 85 mil livros disponíveis. “Se estendêssemos a feira numa linha reta, estaríamos a falar de um evento com dois quilómetros de extensão”, destacou.

    Apesar da forte componente comercial, com iniciativas como a Hora H e o Livro do Dia, Miguel Pauseiro considera que o principal valor da feira é hoje relacional. “Ela tem acima de tudo um pendor relacional. Aproximar os leitores dos seus autores”, explicou.

    Entre as iniciativas inéditas destaca-se ainda o “Pick Up Point”, um serviço que permitirá aos visitantes enviar os livros comprados para pontos próximos das suas residências ou diretamente para familiares e amigos. “Queremos que o livro chegue mais longe”, afirmou.

    A sustentabilidade é outro dos pilares desta edição. Em parceria com a The Navigator Company, a feira pretende promover a plantação de 8750 árvores. “Quando falamos de árvores e quando falamos de livros, também estamos a falar de sustentabilidade”, explicou Miguel Pauseiro, lembrando que “o livro é também uma forma de capturar dióxido de carbono”.

    Além da vertente ambiental, a feira reforça igualmente a componente solidária, através da recolha e doação de livros em parceria com o Banco de Bens Doados. “Muitos visitantes fazem questão de deixar livros para que eles possam chegar a quem mais necessita”, salienta.

    Com uma média de 850 mil visitantes nos últimos cinco anos, a organização quer continuar a chegar a novos públicos. “O livro é esperança”, afirma Miguel Pauseiro, defendendo que a leitura deve chegar também a hospitais, estabelecimentos prisionais e contextos sociais mais vulneráveis. “O livro para nós é um fator essencial de desenvolvimento humano e, portanto, temos de pensar em todos”, conclui.

    De segunda a quinta-feira a Feira do Livro está aberta entre as 12h00 e as 22h00, ficando aberta até às 23h00 às sextas e vésperas de feriado. Aos sábados a feira abre mais cedo, pelas 10h00, prolongando-se até às 23h00, enquanto aos domingos o horário de abertura é o mesmo, embora o encerramento esteja marcado para as 22h00.