Fernando Daniel sobre a nova canção 'Juro': "é uma promessa que faço a mim mesmo, a promessa de tentar reinventar-me"
O novo tema "assinala o início de uma nova era na carreira do artista, marcada por uma identidade sonora renovada". Novo disco previsto para o final do ano.
Fernando Daniel editou esta sexta-feira (10 de abril) 'Juro' – single de avanço do novo álbum (o quarto de originais) que vai editar no último trimestre de 2026.
O novo tema – já disponível em todas as plataformas digitais – marca o regresso do músico ao estúdio após mais de dois anos sem lançar música em nome próprio.
"Este lançamento assinala o início de uma nova era na carreira do artista, marcada por uma identidade sonora renovada e por influências mais assumidas dos géneros que tem vindo a explorar, ouvir e integrar no seu universo criativo", refere o comunicado de imprensa.
"O tema revela uma abordagem mais orgânica e internacional, com claras referências ao universo country e à música de inspiração americana, refletindo não só as suas influências atuais, mas também uma vontade de expandir fronteiras artísticas", lê-se ainda na nota.
"Esta nova fase ganha ainda mais consistência após a recente passagem por Nashville [Tennessee, Estados Unidos], onde Fernando Daniel trabalhou com produtores e compositores locais, absorvendo novas linguagens musicais e desenvolvendo grande parte do repertório do seu próximo álbum."
(a entrevista completa será publicada em breve)
Que promessa é esta, Fernando Daniel?
É uma canção que nasceu há muito tempo. Nasceu há cerca de dois anos, mais precisamente. Além de ser a primeira canção do novo disco que estou a lançar, foi também a primeira canção que compus. É uma canção que reflete um certo cansaço ou o querer desabituar-me do que tenho feito até ao momento. Queria explorar algo novo, uma nova sonoridade. Acaba por ser uma promessa que faço a mim mesmo. É a promessa de tentar reinventar-me, de não me deixar acomodar com o sucesso ou com as coisas que vão aparecendo. E, claro, também é uma canção de amor. Inclusivamente até faço um trocadilho na letra com o nome da minha namorada, que se chama Sara. É um trocadilho que só quem está mais a par da minha vida pessoal é que vai perceber. Mas achei que podia ser uma coisa interessante. Resumindo, além de ser uma promessa de amor ou um juramento de amor, é algo de mim para mim em que incluo a pessoa que me é mais especial.
E a meio da canção falas em paz...
Por incrível que pareça, aquilo que considero paz é o maior caos possível. Digo isto porque agora sou pai, embora considere já ter a fábrica fechada. Tenho um rapaz e uma rapariga. Tenho um casal, está ótimo. Mas é no meio daquele caos que me sinto em paz. Sinto-me em paz com os brinquedos espalhados pelo chão, a pisar as peças de Lego que estão no chão, a pentear bonecas, a servir de boneca para ser maquilhado, a fazer penteados e por aí. É nessas alturas que encontro um bocadinho de paz. Encontro paz nessa confusão ou nessa calmaria de normalidade. Têm sido anos muito complicados. A criação da família, a falta de descanso, as noites sem dormir, o estúdio que estou a inaugurar, as tours, as digressões. E, mesmo parado, também lancei duetos com outros artistas. Tudo isto faz com que sinta alguma pressão. Parece que acontece ao mesmo tempo e que por isso não consigo saborear nada. E é precisamente em casa, mesmo no caos de que falava, que encontro um pouco de paz. Não vou romantizar, porque, às vezes, também me custa acordar a meio da noite ou pisar um Lego. (risos) Os últimos dias têm sido dias bonitos. Estava ansioso por lançar um disco novo e, neste caso, um single novo. Confesso que já não ficava nervoso há muito tempo. Esta manhã, nem a minha barriga queria colaborar. Quando acordei sentia o corpo mais tenso. Mas fico feliz por me sentir assim. Acho que é um sinal de que ainda gosto do que faço. Isto ainda me provoca…
Adrenalina…
É isso. A adrenalina, o nervosismo e o respeito também. Eu costumo dizer que enquanto me sentir nervoso, seja antes de entrar em palco ou durante o concerto, é sinal de que gosto daquilo que faço. É sinal de que tenho uma responsabilidade para com aquilo que represento e com o que estou a mostrar. No fundo, é um bom sinal, apesar dos efeitos secundários.
