Governo francês admite reforçar cibersegurança em orgãos do Estado

    As autoridades francesas pediram desculpas pelo ciberataque massivo ao Fisco, que resultou no roubo de dados de 700 mil pessoas.

    O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, defendeu a criação de uma "nova unidade cibernética" para uma "resposta operacional mais ágil" aos ciberataques e lamentou que "poucos ministérios estejam à altura dos padrões" em termos de cibersegurança.

    "Há uma necessidade urgente de conceber e implementar sem demora uma resposta operacional mais ágil e robusta aos ciberataques que o Estado enfrenta atualmente. Devemos retomar a iniciativa no terreno", frisou o primeiro-ministro numa carta ao secretário-geral da Defesa e Segurança Nacional, cujo departamento supervisiona a Agência Nacional de Cibersegurança de França (ANSSI).

    "Solicito que seja criada uma equipa de contacto composta por agentes da ANSSI, encarregada de intervir na linha da frente em caso de suspeita de violação grave da integridade do sistema de informação do Estado", acrescentou Sébastien Lecornu na carta, cuja cópia foi consultada pela agência France-Presse (AFP).

    O chefe do governo francês solicitou ainda ao secretário-geral da Defesa e Segurança Nacional que apresente até sexta-feira uma "proposta para a organização e regras de atuação desta nova unidade".

    O primeiro-ministro reconheceu e lamentou que, em termos de cibersegurança, "poucos ministérios estejam ao nível exigido" em França, considerando a situação "inaceitável".

    As autoridades francesas pediram desculpas na terça-feira pelo ciberataque massivo ao Fisco, que resultou no roubo de dados de quase 700 mil pessoas, num contexto de aumento da incidência de ciberataques em França nos últimos meses.

    Este ataque soma-se a uma longa lista de incidentes semelhantes que visam os organismos governamentais e os serviços públicos, reacendendo o debate sobre o nível de preparação do Estado.

    Em meados de abril, a Agência Nacional de Segurança Documental (ANTS), responsável pela gestão dos pedidos de documentos de identificação, foi alvo de um ataque maciço que afetou os dados de quase 12 milhões de particulares e empresas.

    França está entre os países mais visados pelos ciberataques, devido à atratividade dos seus dados, mas também a certas fragilidades nas suas defesas.

    "Temos um sistema de informação estatal tão complexo, composto por milhares e milhares de aplicações cuja gestão não é padronizada e cujas escolhas tecnológicas são extremamente heterogéneas", explicou Vincent Strubel, diretor-geral da ANSSI, em maio, durante uma audiência no parlamento.