Apagão provocou crise "grave, inédita e inesperada". Governo pede "moderação" no consumo de energia

    Primeiro-ministro pede "esforço de moderação nos consumos" de eletricidade e "prudência em relação à desinformação".

    O primeiro-ministro anunciou esta noite que o Conselho de Ministros reunido de urgência esta segunda-feira decretou situação de "crise energética" em Portugal e que foi criado um gabinete para gerir a situação que considerou "grave, inédita e inesperada". Após o apagão que teve lugar na manhã desta segunda-feira, pelas 11h30, a rede nacional foi isolada de Espanha. Em declarações ao país, a partir de São Bento, Luís Montenegro explicou que a prioridade foi responder a situações críticas e urgentes, e assegurar serviços "críticos, prioritários e essenciais".

    O chefe do executivo assegurou que, apesar de todas as adversidades, "os serviços essenciais mantiveram-se em funcionamento" e admitiu que a "situação nos hospitais foi a mais difícil de gerir", dado que a cadeia de abastecimento esteve "perto de colapsar" e foi preciso intervir para garantir que os camiões cisterna conseguissem abastecer os hospitais.

    O primeiro-ministro acredita que o restabelecimento integral deverá ser conseguido nas próximas horas e explicou que a demora pode ser superior em Portugal porque Espanha conta com ligações a França e a Marrocos que ajudaram no restabelecimento após o apagão.

    Montenegro agradeceu o sentido cívico dos portugueses, "em particular as forças de segurança e autoridades e serviços do Estado" que estiveram desde a primeira hora na linha da frente da resposta e agradeceu também àqueles que, fora da esfera do Estado, ajudaram prontamente na resposta, como foi o caso do setor dos combustíveis.

    Antes de terminar, o primeiro-ministro pediu um "esforço de moderação nos consumos relacionados com a eletricidade" e "prudência em relação à desinformação" em curso, alertando que deve ser seguidas as indicações dadas apenas pelas autoridades.

    Quanto à possível origem do apagão, Luís Montenegro disse não haver por enquanto "apuramento cabal das causas".

    Perto das 21h40, quando terminou a declaração ao país, Beira Baixa, Alentejo e Setúbal estavam ainda sem energia.