Internamentos sociais são "drama que nos devia envergonhar a todos"
Xavier Barreto fala de situações de "desumanização total" e avisa que os internamentos hospitalares acarretam sempre riscos que podem resultar em mortes.
Os mais de 800 internamentos sociais que, por esta altura, se registam nos hospitais portugueses são para o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares “um drama”, mas mais do que isso, algo que “nos devia envergonhar a todos”.
O jornal Público escreve na edição desta segunda-feira que há doentes idosos que, apesar de já terem alta, continuam internados em hospitais há mais de quatro anos enquanto esperam por vagas em lares, constituindo assim os chamados internamentos sociais.
“É um drama social”, reconhece Xavier Barreto, o líder dos administradores hospitalares, sem dúvidas em afirmar que “nos devia envergonhar a todos”.
“Como é que é aceitável que uma pessoa esteja um ano, dois anos, três anos numa cama de um hospital à espera de uma alternativa? É uma desumanização total, um ambiente hospitalar é um ambiente agressivo”, sublinha, acrescentando que há “riscos” associados a estas estadias hospitalares prolongadas.
Alguns dos doentes “acabam por contrair infeções hospitalares e alguns acabam mesmo por morrer em consequência”, fruto de infeções por bactérias - que podem ser multirresistentes - e aos quais estão expostos. Este ano, só na Unidade Local de Saúde de São João, no Porto, morreram 21 utentes sem resposta.
As verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, nota o administrador, previam que a rede de cuidados continuados “fosse alargada em cerca de 50%, o que era um aumento muito significativo, e essa meta caiu, não foi possível executá-la”.
Na recente reprogramação, “o Governo acabou por cortar esta meta para 800 ou 900 camas, muito aquém das que estavam previstas, e perdemos uma oportunidade”, lamenta.
De acordo com o jornal Público, que cita a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social, o número de admissões destes doentes em respostas sociais tem diminuído: em 2021 foram 2175, seguindo-se quedas anuais consecutivas até às 923 do ano passado.
Este ano, até outubro, foram 697, numa altura em que há mais de 800 utentes com alta, mas que continuam no hospital por não terem para onde ir.

