Joana Almeirante: "o meu manager atira-me sempre para os leões"
Cantora está nas vésperas de três concertos especiais, em Coimbra, Lisboa e Porto.
Joana Almeirante vai atuar no Auditório do Conservatório de Música, em Coimbra, a 5 de outubro; no Teatro Maria Matos, em Lisboa, a 9 de outubro; e, já com outra dimensão, no Coliseu do Porto, a 17 de outubro.
De pés firmes há muitos anos na banda de Miguel Araújo, Joana Almeirante vai levantá-los e experimentar outros voos pelas suas próprias asas, mas com ajudas preciosas, de convidados como Nena, Elisa e Tiago Nogueira em Coimbra; e novamente Nena e ainda Luísa Sobral em Lisboa. No Porto, a lista é maior, com as subidas a palco de Samuel Úria, Bárbara Tinoco, Rita Rocha e o seu mestre Miguel Araújo.
Joana Almeirante conta-nos como vai ser o seu futuro próximo.
O que é que poderemos esperar destes teus três concertos em nome individual?
Acho que podem esperar concertos intimistas com dois formatos, ao piano e depois, no Coliseu do Porto, em formato com banda e com muitos convidados. É um concerto que estou a preparar com muito entusiasmo e muita cautela, porque vou ter convidados muito, muito especiais e, portanto, vamos ter momentos únicos nesses concertos e estou mesmo super-entusiasmada.
Tocar na sala principal do Coliseu do Porto é um salto de gigante, não é? Ainda por cima com convidados como Samuel Úria, Miguel Araújo, Barbara Tinoco e também a Rita Rocha. Já estás nervosa com esse acontecimento?
Não, eu só fico nervosa dois dias antes. Em pânico total. Começo a não dormir e a não comer. Para mim, faz-me sempre sentido que os convidados tenham feito parte deste meu caminho, nomeadamente, os que fizeram parte também deste meu disco, “Leva-me para Longe”. Vou cantar pela primeira vez com o Samuel Úria em palco o ‘Dois Corações Partidos’, e, portanto, faz sentido que eles façam parte também.
Tendo o Miguel Araújo como convidado do concerto no Coliseu do Porto, a situação vai inverter-se: vai ser o Miguel Araújo a acompanhar-te. Vai ser estranho?
É sempre muito estranho ter o Miguel como convidado, mas eu acho que o projeto do Miguel é mesmo muito especial para mim. E eu digo-lhe sempre isto do coração: ou seja, no momento em que sentir que deixo de conseguir conciliar as duas coisas, em que quando tiver de sair [da banda] do Miguel, esse vai ser o momento mais triste da minha vida, porque foi onde cresci, são as minhas pessoas, são os músicos com quem cresci. É sempre muito especial tocar com ele.
O Miguel Araújo brinca contigo pelo facto de vir a ser ele agora a acompanhar-te?
(Risos) Sim, o Miguel é espetacular. E eu acho que acima de tudo me dá muito espaço para eu fazer este meu caminho e tem-me apoiado desde o início. A primeira canção que lancei na vida foi exatamente uma canção dele, que foi a ‘Bem Me Quer’. É uma pessoa de uma generosidade muito grande comigo e, portanto, estou-lhe grata por tudo aquilo que ele fez por mim, obviamente.
É a primeira vez que vais colaborar em palco com a Luísa Sobral?
É a primeira vez. Foi giro porque quando me escreveu a canção para este disco [“Leva-me pra Longe”], que foi o ‘Dois Corações Partidos’, eu lembro-me que ela tinha perguntado: “oh Joana, o que é que gostavas de falar neste disco?”. E eu disse-lhe: “olha, Luisa, este disco fala muito sobre a temática do desgosto amoroso; pronto, é um disco um bocadinho triste”. E ela responde-me: “olha Joana, eu gostava muito que este disco não fosse deprimente e eu gostava de escrever a esperança deste disco”. E então escreveu o ‘Dois Corações Partidos’. Eu achei aquilo espetacular mesmo e a canção é mesmo muito bonita e foi um privilégio poder cantar uma música dela porque sou mesmo muito fã dela desde sempre e acho que é das melhores compositoras portuguesas. O Samuel [Úria] depois apareceu e tudo fez sentido.
O que é que te fez avançar para estes três concertos tão especiais em Coimbra, Lisboa e no Porto?
Olha, na verdade, foi o meu manager [Pedro Barbosa] porque eu nunca avanço para estas coisas. Eu acho que é ele sempre que me atira aos leões e ainda bem, não é? Porque se não fosse por mim, eu ficava em casa a tocar a minha guitarrinha e estava fixe. Mas sim, ele puxou muito por mim e criou-me estes desafios que eu acho que são super-importantes numa carreira. Em parceria com a Vida Norte [Instituição Particular de Solidariedade Social de apoio a “grávidas e bebés em situação de fragilidade”], surgiu este convite para fazermos o Coliseu. Unimos forças e aí vamos nós fazer o nosso primeiro concerto no Coliseu e vamos ver como é que corre.
Vais depois retomar a digressão country com a Nena, que é uma das convidadas dos teus espetáculos, em Coimbra e em Lisboa. Há uns anos, tinhas-me dito que a Sheryl Crow era uma das tuas maiores referências. É inspirada nela que também tomaste a decisão de fazerem esta digressão de “botas calçadas”?
Tive o prazer de a ter visto este ano. Foi o meu presente de anos. Os meus amigos foram muito fixes e compraram-me bilhetes para ir a Barcelona vê-la. Eu sou muito fascinada por artistas que são músicos e ela é uma verdadeira música. Toca guitarra, canta muito bem com sessenta e tal anos. E ela tem um álbum country, ou seja, o estilo dela não é bem country, ela está inserida no pop-rock, mas tem um álbum lindíssimo de country que fez na altura. E quando conheci a Nena, a primeira coisa que começamos a falar foi sobre música. Os músicos falam sempre sobre música, não é? Começámos a falar de referências country, estlo Dolly Parton, Maren Morris, Kacey Musgraves... Nunca tinha conhecido ninguém da minha idade que gostasse tanto de country. E acabamos nos concertos dela. Eu fui lá cantar algumas vezes e cantávamos sempre o Landslide, que é uma canção lindíssima dos Fleetwood Mac. E ela sugeriu-me: “olha, por que não fazemos uma tour a cantar músicas country?” Mas lançámos aquilo meio a gozar. E o nosso manager disse: “É mesmo isso”.
Também sentes empatia com cantores de country como Willie Nelson e Johnny Cash? Ou preferes um universo mais feminino?
Tenho, gosto muito das canções também desses artistas, mas acho que comecei a ouvir country através das mulheres. Para mim, Dolly Parton é a cena do country, ela escreve de uma forma espetacular. Mas, obviamente, vamos tocar músicas de todos, os maiores hits de música country e vamos transformar as nossas canções, como fizemos no último concerto no Hipódromo [Manuel Possolo, na edição de 2023 do CoolJazz], com uma vibe muito country. Isso foi mesmo desafiante e estamos mesmo orgulhosas desta tour que vamos lançar.
Já estás a preparar um novo álbum?
Vou começar a escrevê-lo agora. Estou um bocado atrasada. Até porque eu sinto que escrevi o último álbum um bocadinho à pressa. Foi um ano para escrever, gravar e lançar. E portanto, eu agora quero mesmo pausar um bocadinho e começar a lançar canção por canção e, depois, só no final vou juntar as canções todas e lançar um álbum. Portanto, vai demorar algum tempo.