Linha de Alta velocidade mantém ponte rodoferroviária sobre o Douro

    As obras do primeiro troço da linha de alta velocidade Porto-Lisboa deverão arrancar este ano, com conclusão prevista para 2030.

    A proposta para inserir a linha de alta velocidade no Porto confirma a existência de uma só ponte sobre o rio Douro, estação de Gaia em Santo Ovídio e uma passagem superior abrigada em Campanhã, consultou hoje a Lusa.

    Segundo o Relatório de Conformidade do Projeto de Execução que já foi publicado hoje no portal Participa, apesar do início oficial da consulta pública só arrancar na segunda-feira e durar até dia 29, confirmam-se as alterações face às intenções iniciais do consórcio composto pela Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e Gabriel Couto.

    Apesar de ter vencido o concurso público e assinado contrato com base no caderno de encargos com proposta semelhante à apresentada hoje, em abril de 2025 o consórcio apresentou uma proposta alternativa, com duas pontes separadas sobre o Douro em vez de uma rodoferroviária, estação em Vilar do Paraíso, sem garantia de ligação ao metro, em vez de Santo Ovídio, e ainda uma passagem superior em Campanhã não totalmente abrigada dos elementos.

    Essas propostas foram chumbadas em dezembro pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) por não corresponderem à Declaração de Impacte Ambiental (DIA) emitida em 2023, levando à necessidade de apresentação de um novo projeto.

    Neste, confirma-se a estação de Santo Ovídio, cujas plataformas estarão a 60 metros de profundidade (e capacidade de retirar 500 pessoas em menos de 5 minutos, conforme pedido no caderno de encargos), com ligação às linhas de metro Amarela e Rubi, e parque de estacionamento de seis pisos de profundidade, para 475 lugares, bem como para bicicletas.

    Confirma-se também uma ponte rodoferroviária entre Vila Nova de Gaia e o Porto, como sempre esteve previsto desde a apresentação do projeto em setembro de 2022, e tinha sido consensualizado pelos então presidentes de Câmara de Gaia (Eduardo Vítor Rodrigues) e do Porto (Rui Moreira), que até levou ao cancelamento de um projeto para uma ponte apenas rodoviária, nomeada à data de D. António Francisco dos Santos.

    O projeto de execução do consórcio AVAN recupera também o que tinha sido apresentado em vídeo aquando da adjudicação do projeto, em outubro de 2024, com uma passagem superior na estação de Campanhã, no Porto, e não de uma passagem superior "ventilada naturalmente".

    Cai também o desenho de uma torre a nascente da estação de Campanhã e, nascendo, como inicialmente previsto, uma em D. João II, em Gaia, junto à estação de metro, que também será servida pela ferroviária.

    O projeto salvaguarda também mais habitações à superfície em Gaia, especialmente na zona de Guardal de Cima (para onde o consórcio queria levar a estação), mas não evita a afetação de várias empresas na Zona Industrial de São Caetano e de algumas casas e estabelecimentos comerciais em Santo Ovídio.

    Em Gaia, a linha de alta velocidade será subterrânea na maior parte do traçado, estando prevista a construção do chamado túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 quilómetros), túneis de Negrelos 1 (995 metros) e 2 (190 metros), túnel de Casaldeita (1,9 quilómetros), túnel sob a autoestrada A41 (65 metros) e, mais a sul, já entre Espinho e Santa Maria da Feira,  de Cassufas (830 metros).

    Além da ponte sobre o rio Douro, estão previstos uma ponte sobre a Ribeira de Senhora de Lamas (566 metros), em Santa Maria da Feira, ponte sobre a Ribeira de Silvalde (614 metros), em Espinho, e, já em Gaia, um viaduto sobre a A29 (92 metros) e o viaduto da Pedreira das Lajes (439 metros).

    As obras do primeiro troço (Porto - Oiã, Oliveira do Bairro, Aveiro), parte da primeira parceria público-privada da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, devem arrancar este ano e têm prazo de conclusão previsto de 2030.

    A ligação Porto-Lisboa em alta velocidade colocara as duas cidades a 01:15 de tempo entre si, e terá possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.

    Deverá estar pronta na totalidade em 2032, tal como Porto-Vigo, com estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.