Mais de 80.000 migrantes chegaram de barco à europa este ano, 1.212 morreram na travessia
Dados da Organização Internacional para as Migrações mostram uma diminuição face ao mesmo período do ano passado.
Desde o início de 2025 a 12 de agosto, chegaram 80.690 migrantes irregulares à Europa através do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo. Os dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) avançados à rádio mostram que a Itália domina as entradas com 38.000, segue-se a Grécia com 22.000, Espanha com 19.043 (através do Oceano Atlântico 11.833 pessoas e 7.210 pelo Mar Mediterrâneo), Chipre com 1.260 e Malta com 108 migrantes. Apesar dos valores elevados, trata-se de uma diminuição de 11.284 em relação a 2024, quando chegaram 91.974 pessoas no mesmo intervalo de tempo.
Das mais de 80.000 chegadas registadas até ao início desta semana, 1.212 migrantes morreram este ano na travessia. O trajeto mais mortífero é o Mediterrâneo Central, que abrange Itália e Malta, com 675 óbitos. À semelhança das chegadas, também as mortes diminuíram: no mesmo período de 2024, morreram 2.304 pessoas.
Vasco Malta, Chefe de Missão da OIM em Portugal, aponta que, apesar da redução, “ainda se trata de um número bastante significativo”. A solução passa por reforçar os canais legais de migração quer através de vistos de trabalho quer com programas de reinstalação de pessoas, para que se consiga reduzir o risco de mortes e a dependência de tráfico humano.
“Ninguém se coloca dentro de um barco com mãe, pai e filhos, se tivessem de facto outra alternativa para poderem chegar à Europa”, Vasco Malta.
A cooperação internacional tem aqui um papel essencial na garantia de direitos: “é necessária sempre uma ação que seja conjunta entre os países de origem, os países de trânsito e os países de destino para garantir sempre os direitos, dignidade e segurança das pessoas”.
Portugal ainda é uma exceção no que toca à Europa. Vasco Malta admite que “há já alguns anos que não chegava nenhum barco ao nosso território” e que, além dos números reduzidos, os migrantes irregulares vêm sobretudo por via aérea.
Os migrantes que chegaram a Portugal a 8 de agosto foram distribuídos pelos centros de instalação temporária de Faro e do Porto, depois de terem aguardado mais de uma semana por um abrigo. Vasco Malta destaca que é necessário “haver sempre uma capacidade de acolhimento estruturada e que permita ir além da resposta emergencial, que conte com as variações sazonais e crises que possam eventualmente existir”.
O Chefe de Missão da OIM garante que o essencial é que o Governo “reconheça que as unidades especializadas, que permitem receber estas pessoas em Portugal, têm ainda pouca capacidade” e que leve a cabo um maior investimento.
