Missão portuguesa de emergência a caminho da Venezuela

    A bordo dos dois aviões seguem 64 operacionais e cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo "material de busca e salvamento".

    A missão portuguesa para ajudar nas buscas, salvamento e primeiros socorros após os sismos na Venezuela partiu de Beja, com os 64 elementos transportados em dois aviões da Força Aérea, anunciaram as Forças Armadas.

    Num comunicado o Gabinete do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general João Cartaxo Alves, disse que o primeiro avião partiu da Base Aérea N.º 11 às 22h22 de sexta-feira, e o segundo descolou às 23h57.

    Dois aviões transportam 64 operacionais

    Fazem parte da força conjunta elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que reúnem “capacidades especializadas em operações de busca e salvamento, recuperação de vítimas, resposta a catástrofes e apoio médico de emergência”, refere a nota.

    O líder das Forças Armadas indicou também que seguem a bordo cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo "equipamentos de proteção individual, material de busca e salvamento, equipamento médico, medicamentos, tendas, geradores, bens alimentares", para apoiar as operações de socorro e assistência às populações afetadas.

    A operação reafirma "o compromisso de Portugal com a solidariedade internacional, o apoio às populações afetadas por catástrofes e a proteção das comunidades portuguesas no estrangeiro", sublinha o comunicado.

    Na sexta-feira, a diplomacia portuguesa disse que a operação resulta de um esforço de coordenação que envolveu especialmente os ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa Nacional, da Administração Interna e da Saúde.

    Em declarações à Lusa, o segundo comandante nacional da ANEPC, José Ribeiro, afirmou que os elementos da missão têm “muita experiência” em cenários de sismos.

    Missão prevista para cerca de 12 dias

    Segundo José Ribeiro, o planeamento feito para a duração da missão portuguesa foi de 10 dias e mais dois de reserva, tendo sido também o que foi feito pelas forças internacionais que estão no terreno.

    Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

    Entre os mortos, há pelo menos 28 portugueses e lusodescendentes, e outros 85 estão desaparecidos.

    Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.

    Além de Portugal, outros sete países da União Europeia prometeram enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

    Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

    Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.