Moçambique: lucros do Banco Absa sobem 29,6% no primeiro semestre para 15 ME

    O capital próprio do banco cresceu 8,4% no semestre, para 13.462 milhões de meticais (184 milhões de euros).

    Os lucros do sul-africano Absa Bank Moçambique, um dos cinco maiores bancos do país, cresceram 29,6% no primeiro semestre, para 1.094 milhões de meticais (15 milhões de euros), face ao mesmo período do ano anterior.

    De acordo com as demonstrações financeiras intercalares do banco, a que a Lusa teve hoje acesso, o desempenho compara com os resultados líquidos de 844 milhões de meticais (11,6 milhões de euros) em junho de 2025 e foi alcançado apesar da redução de 8% da margem financeira, para 3.139 milhões de meticais (43 milhões de euros).

    No mesmo período, o produto bancário caiu 7,6%, para 4.180 milhões de meticais (57,3 milhões de euros).

    O banco beneficiou, contudo, de uma forte redução das perdas de crédito esperadas, que recuaram para 80 milhões de meticais (1,1 milhão de euros) no semestre, face a 805 milhões de meticais (11 milhões de euros) em igual período de 2025.

    O ativo total do Absa Moçambique reduziu-se 3,3%, neste caso desde o final de 2025, para 97.344 milhões de meticais (1.333 milhões de euros), enquanto o passivo recuou 5%, para 83.882 milhões de meticais (1.149 milhões de euros).

    Os depósitos de clientes diminuíram 5,6% em seis meses, para 72.857 milhões de meticais (998 milhões de euros), refletindo sobretudo uma redução de 16,4% nos depósitos a prazo. Já a carteira líquida de crédito a clientes aumentou 2,8%, para 29.481 milhões de meticais (404 milhões de euros).

    O capital próprio do banco cresceu 8,4% no semestre, para 13.462 milhões de meticais (184 milhões de euros).

    Na listagem mais recente do Banco de Moçambique, de abril, além das três instituições classificadas como sistémicas (BCI, BIM e Standard Bank), o Absa continua integrado no grupo dos bancos considerados "quase sistémicos", pela sua dimensão e relevância para o sistema financeiro nacional, tal como o Moza Banco.

    No relatório de gestão, o conselho de administração refere que a economia moçambicana manteve uma "trajetória de recuperação gradual" no primeiro semestre, mas continuou a enfrentar "desafios significativos", apontando os impactos das cheias registadas no início do ano, as limitações estruturais no acesso a divisas e o agravamento das tensões geopolíticas internacionais.

    Acrescenta que estes fatores contribuíram para "aumentar a incerteza económica global", influenciando os preços da energia e criando um ambiente de maior volatilidade nos mercados internacionais.

    Sobre a evolução futura, a administração alerta que persistem constrangimentos no acesso a divisas para financiamento das importações e riscos associados à evolução das importações, às condições dos mercados internacionais e à disponibilidade de financiamento externo.

    Ainda assim, considera apropriada a utilização do pressuposto de continuidade das operações, embora reconheça que o ambiente macroeconómico continua sujeito a "riscos fiscais, financeiros e externos relevantes".

    O capital social do Absa Bank Moçambique é detido em 98,68% pelo grupo sul-africano Absa, pertencendo os restantes 1,32% a acionistas minoritários.