Moita tem a água mais barata do país e diferença ultrapassa os 200 euros
Num cenário de consumo de 120 metros cúbicos anuais a fatura mais cara ronda os 254 euros num conjunto de municípios da região Centro.
O concelho da Moita tem os preços de água mais baixos do país, cobrando 43,75 euros a uma família que gaste 120 metros cúbicos por ano, menos 210 euros do que o que surge na fatura dos clientes dos municípios mais caros.
Os dados são divulgados pela DECO PROteste num estudo em que comparou os preços dos serviços de abastecimento de água nos vários municípios do país.
Elsa Agante, responsável de sustentabilidade da organização, adianta que os 120 metros cúbicos foram tomados como o "consumo normal" anual.
"Estamos a falar de cerca de 43,75 euros por ano na Moita", que comparam, no extremo oposto, com "254,29 euros num conjunto de municípios como Carregal do Sal, Tondela, Mortágua, Santa Comba Dão e Tábua". Ou seja, a diferença entre o município mais barato e os mais caros é de 210, 54 euros.
Subindo no patamar de gastos para os 180 metros cúbicos - por exemplo, para "uma família mais numerosa, que gasta um bocadinho mais -, a diferença é ainda maior: a Moita "continua a ter o [preço] mais baixo, de 65 euros por ano", mas o município que cobra mais passa a ser o de Santa Maria da Feira, com quase 419 euros.
A diferença entre os extremos é de 353,23 euros no "custo do metro cúbico", assinala Elsa Agante, faltando "o resto em termos de tarifa".
Na hora de encontrar explicações, a DECO denuncia que "não há uma justificação concreta" para a diferença de preços.
"O que sabemos é que as assimetrias, além de serem elevadas, estão a aumentar", nota, pelo que defende uma "forma de cálculo semelhante, uma harmonização das tarifas" entre municípios.
A organização de consumidores defende que a solução é tornar "a forma de cálculo igual em todo o lado", algo que "não acontece".
"Há municípios em que o custo da água não chega para cobrir os gastos que o município tem, há outras em que estamos a falar de cobertura de custos está acima dos 100% e, portanto, isso leva a que exista esta disparidade de preços", nota Agante.

