"Não há sinais de vida aqui", diz médico da MSF em Gaza
Mohamed Abu Mughaisib descreve o cenário de destruição de um território que vai levar anos a reconstruir.
Apesar do cessar-fogo em Gaza, a ajuda humanitária não é suficiente e é enorme o cenário de destruição num território onde "não há sinais de vida".
O retrato é feito a esta Rádio por Mohamed Abu Mughaisib, que está na Faixa de Gaza há mais de 20 anos ao serviço da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).
O médico diz que nunca viu uma destruição tão massiva, sublinhando que "mais de 60 mil pessoas foram mortas, a maioria crianças e mulheres", além das "cerca de 100 mil pessoas que ainda estão feridas, grande parte civis".
Por isso, é urgente que "este cessar-fogo continue e a guerra termine", porque "é preciso a entrada de material para começar a reconstrução de Gaza, que vai levar anos."
Num território com 80% das casas destruídas, sem universidades, escolas ou estradas, Mohamed Abu Mughaisib não vê esperança no futuro e, por isso, a família permanece no Egito para onde fugiu em fevereiro passado. Diz que não está "disposto a trazê-los de volta para Gaza porque não há sinais de vida."
As infraestruturas estão completamente destruídas e a falta de água é outro grande desafio da população, adianta o médico da MSF.
Além dos efeitos de mais de um ano de guerra entre Israel e o Hamas, o frio acentuou nos últimos dias a crise humanitária em Gaza. Pelo menos seis bebés morreram de hipotermia.
