Nova subida das tarifas dos EUA pode custar um ponto do PIB mundial em dois anos

    A OCDE alerta que há "riscos significativos" de que as consequências possam ser piores do que as esperadas "devido à incerteza política".

    Um novo aumento das tarifas dos EUA de mais dez pontos percentuais custará à economia mundial mais de um ponto do Produto Interno Bruto (PIB) após dois anos e até 1,6 pontos aos EUA, segundo a OCDE.

    O economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Álvaro Pereira, divulgou hoje estes números, durante a apresentação à imprensa do relatório “Outlook”, que reduz quase totalmente as expectativas para os países membros da organização e os grandes países emergentes.

    O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, reforçou o aviso, salientando que, mesmo com a revisão em baixa das expectativas, “existem riscos significativos” de que o resultado final possa ser pior “devido à incerteza política”.

    Cormann, que evitou referir-se diretamente a Donald Trump como a causa desta situação devido à guerra comercial que lançou desde que chegou à Casa Branca em janeiro, especificou que num cenário de um aumento adicional de 10 pontos nas tarifas dos EUA, a OCDE no seu conjunto perderia 1,3 pontos do PIB ao fim de dois anos.

    Os mais afetados seriam os Estados Unidos e os seus dois principais parceiros comerciais, o México e o Canadá.

    De acordo com a OCDE, outros países latino-americanos cujo comércio exterior é altamente dependente do mercado norte-americano também estão entre as principais vítimas da guerra comercial de Trump: Chile, Colômbia e Costa Rica.

    Um dos efeitos induzidos da escalada tarifária para os Estados Unidos é o recrudescimento da inflação que impedirá a Reserva Federal dos EUA de continuar a reduzir as taxas de juro, como Trump pretendia com as suas pressões.

    Nesta situação, a principal recomendação de Cormann foi o “diálogo construtivo para a resolução das tensões comerciais”.

    No atual cenário de tais tensões, a OCDE reviu hoje em baixa as suas previsões para o comércio mundial.

    Se, no primeiro trimestre deste ano, o comércio mundial recuperou, porque muitos industriais quiseram expedir os seus produtos antes de serem afetados pelas novas tarifas, a partir daí, a taxa de crescimento abrandará de pouco mais de 4% em 2024 para apenas 1,5% no início de 2026.

    Isto é muito menos do que o aumento de 3,5% que a OCDE tinha estimado no relatório de Perspetivas em dezembro passado.