Oposição na Venezuela: "Estamos há mais de duas décadas nisto e votámos uma mudança"

    Opositores ao regime de Maduro recebem esta terça-feira o Prémio Sakharov 2024 para a Liberdade de Pensamento.

    "Temos medo, mas também temos muita esperança." As palavras de Ana Corina, filha de María Corina Machado, líder da oposição venezuelana distinguida com o prémio Sakharov 2024 para a Liberdade de Pensamento, ecoam nos corredores da sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde está em representação da mãe que está na Venezuela, em parte incerta. 

    Entrevistada pela imprensa portuguesa, Ana Corina não esconde a preocupação pela segurança da mãe que já não vê há quase um ano. Espera agora, com o aproximar de 10 de janeiro, data prevista para a posse de Edmundo González Urrutia, presidente eleito da Venezuela, colocar um ponto final na saudade, mas "há muita incerteza". 

    Afirma que "está em jogo o futuro de um país" e aponta para o sentimento que impera na Venezuela: "Reparem na situação dos venezuelanos, já estamos há mais de duas décadas nisto e queremos uma mudança. Votámos por uma mudança." A maioria do país "quer reunir as suas famílias, por isso, claro que temos medo."

    Revela que apoia a mãe em tudo o que pode e representa-a sempre que possível, "é uma honra ter a oportunidade de levar a voz de tantos venezuelanos que não o podem fazer num espaço internacional e com a repercussão que tem a União Europeia". Na sede do Parlamento Europeu, Ana pede que "se pronunciem fortemente em favor da maioria do povo venezuelano que votou e expressou a sua vontade a 28 de julho de 2024, e que vão muito além de reconhecer que houve um processo eleitoral, mas que os venezuelanos escolheram Edmundo González Urrutia como o nosso presidente eleito e que nos apoiem na defesa não apenas de um processo eleitoral, mas da vontade de um povo soberano, a 10 de janeiro".

    *Teresa Mota enviada a Estrasburgo