"Pátio da Saudade" chega esta quinta-feira aos cinemas
Estivemos na apresentação à imprensa do novo filme de Leonel Vieira.
"Pátio da Saudade" estreia esta quinta-feira, 14 de agosto, nas salas de cinema portuguesas. A "comédia dramática", realizada por Leonel Vieira, conta a história de Vanessa (Sara Matos) - uma atriz de televisão que herda de uma tia um antigo teatro em ruínas - símbolo dos tempos áureos da revista à portuguesa.
Eis a sinopse que apresenta o enredo: "apesar das insistências do agente, Tozé Leal [José Pedro Vasconcelos], para vender o edifício, Vanessa sente-se profundamente ligada à memória do teatro e decide reunir os amigos Joana [Ana Guiomar] e Ribeiro [Manuel Marques] para montar um espetáculo capaz de ressuscitar a antiga glória do teatro. No entanto, essa ambição enfrenta a resistência de Armando [José Raposo], proprietário de um teatro rival que fará de tudo para travar este sonho".
O filme - que cruza o teatro, a música e o humor - é, por isso, uma homenagem ao teatro de revista, dando-lhe um olhar fresco e renovador e propondo uma reflexão sobre a importância do género na cultura popular portuguesa.
Leonel Vieira - que há dez anos revisitou clássicos como "O Leão da Estrela" ou o "Pátio das Cantigas" - contou-nos que o foco na revista foi uma consequência de um desejo, de um objetivo" mas também o resultado de uma coincidência feliz - já que o tema fazia parte do guião original. "Foi a história que me encontrou", afirmou o realizador na conferência de imprensa que, no final de julho, apresentou "Pátio da Saudade" à imprensa.
"Podemos renovar e ir mais longe. Podemos alterar e refrescar o olhar. Podemos olhar de novo para as coisas e não as deixar morrer", disse-nos. "Por ser um filme de puro entretenimento, não precisa de ser bacoco nem desprovido de tudo. Procurei uma história que fosse a alma portuguesa. Acho que, nos últimos anos, Portugal tem estado numa conquista pela autoestima. E acho importante ajudarmos a que essa autoestima se solidifique, cresça e melhore. A primeira coisa que um povo tem de ter é gostar de si próprio", acrescentou o realizador.
"Pátio da Saudade" cruza diferentes gerações de atores - um misto que junta na tela de cinema atores "que dialogam" com um público mais jovem a glórias do teatro ou do cinema que permanecem no imaginário coletivo português.
"Espero que, de uma forma muito singela, todos reconheçam que estamos a prestar uma pequena homenagem [a esses atores]. Merecem esse olhar e não o esquecimento", afirmou Leonel Vieira.
Além de Sara Matos, Ana Guiomar, Manuel Marques, José Raposo e José Pedro Vasconcelos, encontramos no elenco nomes como os de Gilmário Vemba, José Martins, Alexandra Lencastre, José Pedro Gomes, Aldo Lima, São José Lapa, Carlos Cunha, Joaquim Nicolau, Luís Mascarenhas, Carlos Areia, Óscar Branco, Fernando Rocha, entre outros. A narrativa, essa, é "comandada por mulheres". "Quando estava a escrever o guião já sabia quem seriam os atores, embora um ou outro não tenha entrado no projeto por uma questão de agenda. O guião original era sobre um comediante homem, mais velho, mas eu quis que a história fosse comandada por mulheres. Quis um olhar feminino".
Para Leonel Vieira, "Pátio da Saudade" é também um filme que abre espaço à reflexão. "Gosto muito da comédia dramática argentina. Tentei pulverizar este filme com esse cheiro da comédia dramática. Metade do texto é feito com o rigor do drama, com o tom do drama. É um filme que nos deixa bem-dispostos, a sorrir, mas também nos faz pensar. Não saímos completamente vazios da sala de cinema. Espero que ajude a recuperar a vontade de as pessoas verem cinema português. Espero que contribua. E que no final consigamos refletir sobre a revista portuguesa de outra forma", disse-nos o realizador.
José Raposo (que na trama é o produtor Armando) ressalva a importância de ser um filme com um argumento sustentado pela "missão" de salvar um teatro. "O que me agradou no argumento foi a preocupação de salvar um teatro ou de se refazer um teatro", contou-nos. "O Leonel sempre teve essa preocupação sobretudo em relação ao cinema. Teve sempre a preocupação de o renovar e de entregá-lo ao público. Tem a preocupação de levar o público às salas de cinema".
Sara Matos foi a atriz escolhida para interpretar o papel de Vanessa, a protagonista. "É uma mulher que quer arriscar noutros formatos [de representação] depois de ter estado demasiado tempo na sua zona de conforto", refere a atriz. "Quando recebe um teatro [de herança] percebe que essa poderá ser a grande oportunidade de mexer com a sua vida. É uma personagem leve mas também é a única personagem que não faz comédia num filme que é de comédia. O filme está cheio de humoristas e de atores que são fenomenais a fazê-lo, mas esse não é o lugar da Vanessa. Temos um filme para todas as gerações, para todas as idades. Acho que vai aproximar novamente o público do cinema", referiu a atriz.
José Pedro Vasconcelos, que interpreta o papel de Tozé Leal (o agente de Vanessa), gostou da ideia de serem convocados comediantes para o elenco. "O elenco é uma comédia. O Lionel e a [produtora] Volf Entertainment tiveram a preocupação de contratar comediantes e acho isso louvável", confidenciou. "Os atores funcionam um pouco como as crianças quando se encontram num recreio. Tivemos o prazer de voltar a brincar uns com os outros, sendo que com alguns já não brincávamos há muito tempo".
Um desses comediantes é o angolano Gilmário Vemba. O humorista e apresentador interpreta o papel de João Mota, o interesse romântico de Vanessa. "O João Mota começa o filme com problemas e vai tentando resolvê-los ao longo da trama", contou. "O João Mota é, na verdade, um Gilmário Vemba. (risos) Tudo no João Mota representa um bocadinho de quem sou. Ele é humorista, angolano e está em Portugal a trabalhar", disse-nos. "É mais difícil fazermos de nós próprios porque nunca nos observamos da forma como observamos os outros. Os outros é que sabem como falamos, como andamos ou como nos comportamos", sublinhou.
Ana Guiomar, que faz o papel de Joana (atriz e amiga de Vanessa), considera que o elenco escolhido para o filme "casou muito bem" com o projeto. "Acho que passa uma energia boa. A energia [que se sente ao longo do projeto] diz-nos logo o que o próprio filme poderá vir a ser, e isso é bom", referiu a atriz.
