Cavaco Silva e Paulo Portas votam em António José Seguro na segunda volta
Luís Montenegro reitera que não vai apoiar nenhum candidato porque está focado em governar.
O antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva reiterou hoje que António José Seguro é “uma pessoa honesta e educada”, numa nota em que sugere que votará no candidato apoiado pelo PS na segunda volta das eleições presidenciais.
Numa nota escrita enviada à Lusa, Cavaco Silva, que apoiou Luís Marques Mendes na primeira volta, refere a inspiração de Francisco Sá Carneiro, de quem foi ministro, e sublinha ser “um social-democrata e um estudioso da social-democracia moderna”.
“Os portugueses podem, portanto, inferir com facilidade e sem margem para dúvidas em quem votarei na segunda volta das eleições presidenciais de 08 de fevereiro”, declara.
O antigo chefe de Estado e antigo primeiro-ministro recorda o que escreveu num dos seus livros sobre o candidato presidencial que defrontará André Ventura na segunda volta de 08 de Fevereiro: “Sempre vi em António José Seguro (com quem mantive dezenas de contactos) uma pessoa honesta e educada, qualidades de um político que muito continuo a valorizar”.
“Repito o que disse aquando da primeira volta: estas eleições são muito importantes para o futuro do país. Num tempo de tantas incertezas e de graves ameaças, Portugal precisa de um Presidente da República de bom senso e credível na cena internacional que contribua para a defesa dos interesses nacionais”, afirmou.
Paulo Portas também vota em Seguro
O ex-presidente do CDS-PP Paulo Portas anunciou que votará em António José Seguro na segunda volta das presidenciais, afirmando que escolhe o “candidato moderado” e criticando quem vê nesta uma eleição entre “direita e esquerda”.
No seu espaço de comentário semanal na TVI, Paulo Portas começou por anunciar que votará no “candidato moderado”, porque “sabe muito bem desde o início em quem nunca votaria para Presidente da República”, argumentando que cabe a um chefe de Estado “unir o país” e “representar o melhor da comunidade”, duas características que disse não reconhecer no candidato André Ventura, que é também líder do Chega.
“Não me parece de todo que o outro candidato, aquele senhor que grita muito, fosse para a Presidência da República unir o que quer que fosse, porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outros, dividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas, e isso é o contrário da função presidencial”, criticou.
Apesar de reconhecer “divergências doutrinárias” com António José Seguro, ex-secretário-geral do PS e apoiado pelo partido, o antigo vice-primeiro-ministro explicou que as divergências com o líder do Chega “são de outra natureza” e têm a ver com o humanismo e a forma como se olha para o ser humano.
Paulo Portas disse ainda ver no candidato a Belém apoiado pelo PS um “político decente”, lembrando o seu papel “num momento muito difícil para Portugal”, e criticou quem vê que nesta segunda volta, em 08 de fevereiro, esteja em causa apenas uma eleição entre esquerda e direita.
“Para aqueles que dizem que isto é uma eleição entre a direita e a esquerda, isso é um grande exagero. É uma eleição entre um político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que está à direita da direita e que se junta ao extremismo que está na moda lá fora. E, portanto, eu não tenho nenhuma dúvida sobre qual é a escolha”, resumiu.
Sobre o tempo de Seguro como líder do PS, Portas afirmou que sem o socialista não teria sido possível um acordo com a UGT na concertação social, avançar com a “reforma laboral que criou imensos empregos” ou descer o IRC.
“[Seguro] foi desalojado de líder do Partido Socialista pelo doutor António Costa. Eu não acho isso um título de fraqueza. Acho isso até um título de nobreza”, considerou.
O antigo líder centrista referiu também a importância das competências de um chefe de Estado em política externa, para frisar que não quer “política externa de fação”, por exemplo, com outros países de expressão portuguesa.
“Eu não quero os comportamentos que vi na Assembleia da República quando somos visitados por chefes de Estado, ou vamos visitar chefes de Estado. Não pode ser”, sublinhou, acrescentando que a “política externa não é de partido, é da nação, e tem a ver com os interesses constantes de Portugal”.
Paulo Portas lembrou ainda que um Presidente da República é também o Comandante Supremo das Forças Armadas e defendeu que não quer alguém que ocupe esse cargo e “se ponha a interferir nas escolhas para chefes militares ou a fazer política dentro das Forças Armadas no sentido partidário”.
Criticou também o Chega, partido de André Ventura, por ter já proposto que os polícias sejam autorizados a ter filiação partidária, alertando para o risco de, assim, se criarem milícias dentro das forças de segurança.
Na quarta-feira, o CDS-PP anunciou que não vai apoiar nenhum dos candidatos na segunda volta das eleições presidenciais, sublinhando que o partido "combate o socialismo" e "rejeita o populismo".
O líder parlamentar dos centristas, Paulo Núncio, rejeitou, no parlamento, que se qualifique o presidente do Chega, André Ventura, de "candidato antidemocrata".
Montenegro reitera que não vai apoiar nenhum candidato
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reafirmou hoje que não vai apoiar nenhum dos dois candidatos da segunda volta das eleições presidenciais porque o seu foco é governar o país.
“Eu não estou em silêncio, o que eu estou é focado na minha tarefa e na minha missão que é governar o país”, afirmou Luís Montenegro à saída da apresentação da Carteira Digital da Empresa no Palácio da Bolsa, no Porto.
Sem parar para prestar declarações aos jornalistas e enquanto se dirigia para a saída, o chefe do executivo, quando questionado sobre se o seu silêncio não poderia ser entendido como um sinal de fraqueza, disse compreender as perguntas e todo o debate político que se faz noutras dimensões da vida política do país, mas, neste momento, está apenas focado em governar.
“Estou focado naquela que é a minha tarefa principal que é conduzir a política do Governo e conduzir o país para um nível de desenvolvimento económico, de pujança económica mais elevado”, insistiu.
No dia 18 de janeiro, António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições para o Palácio de Belém e vão disputar a segunda volta, em 08 de fevereiro.
Notícia atualizada às 16h00 com intenção de voto de Cavaco Silva e declarações de Luís Montenegro
