PJ abre inquérito a reboque apreendido e encontrado em empresa que faz obras para o MAI
Em causa está um atrelado que tinha sido apreendida pelas autoridades num processo de tráfico de droga.
A Polícia Judiciária anunciou a abertura de um inquérito sobre o reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
A Direção Nacional da PJ explicou em comunicado que "teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".
Inquérito investiga possível prática de ilícitos
Com esta informação, foi instaurado um inquérito "para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos", acrescentou a PJ, depois da notícia do semanário Nascer do Sol, que avançou esta informação na sua edição de hoje.
A PJ confirmou que "a galera se encontrava estacionada em Barcelos, atracada a um camião da empresa Construbarcelos" e que, por se tratar de um bem apreendido, ficou "novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava, esclarecendo-se que estes não têm natureza estupefaciente".
O caso foi comunicado ao Ministério Público, que em resposta enviada à Lusa, confirmou também a "existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'", que se encontra em fase de julgamento.
Na mesma resposta, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acrescentou que "tem vindo a acompanhar outros factos noticiados e, nos termos da lei, procede à respetiva análise".
"Havendo fundamento e necessidade, desenvolve depois todas as diligências que considera pertinentes ou adequadas", referiu ainda.
O início da polémica
A polémica teve início na passada sexta-feira, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Já esta semana, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio.
Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que "não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios" localizados na freguesia de São Teotónio.
