Poluição na Avenida da Liberdade ultrapassa limite há pelo menos 14 anos
Dados da associação ambientalista Zero mostram que a qualidade do ar, na principal avenida da capital, voltou a ser má em 2024.
A associação ambientalista Zero denuncia que os níveis de poluição voltaram a estar acima do limite em 2024, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Se retirarmos os anos da pandemia, é assim há pelo menos 14 anos, quando a Associação Zero começou a fazer medições.
A porta-voz, Rita Prates, alerta que os dados de 2024 mostram que continua a ser má a qualidade do ar na principal avenida da capital: “Nós estamos com valores de concentrações de dióxido de azoto acima daquilo que é permitido por lei”.
No caso do dióxido de azoto, os valores na Avenida da Liberdade têm estado acima dos 40 microgramas por metro cúbico, ou seja, para além do limite definido.
“Se considerarmos os valores que estão previstos na nova legislação europeia e que devem ser obrigatórios a partir de 2030, o limite é 20 e, portanto, estamos com o dobro da concentração que será permitida”, é o que considera Rita Prates, lembrando que o valor “recomendado pela Organização Mundial de Saúde para o dióxido de azoto é de 10 microgramas por metro cúbico, ou seja, “estamos com o quádruplo”.
A porta-voz da Zero garante que a associação vai continuar a lutar para que o nível de poluição desça, a começar por uma nova queixa na Comissão Europeia: “Vamos continuar a insistir para que o Estado e a Câmara Municipal de Lisboa tomem uma ação para contrariar a poluição atmosférica. Continuamos ainda com muita inércia para combater este problema”.
Rita Prates lembra que Lisboa continua sem ter um plano de redução da poluição atmosférica e que melhore a qualidade do ar.
“É preciso diminuir o trânsito e aumentar os transportes públicos e a eletrificação dos mesmos”, o que, na opinião da porta-voz da Zero não tem acontecido: “Verifica-se que o trânsito e o consumo de combustíveis para os automóveis têm aumentado”.
Rita Prates acrescenta que continuam a ser poucas as alternativas, ao uso do carro, e, por isso, defende que “criação de condições para que os habitantes de Lisboa e arredores não tenham de utilizar o automóvel”.
A porta-voz da Zero lembra ainda que estão desatualizadas há quase dez anos as “duas zonas de emissões reduzidas em Lisboa”.
