“Por terra, ar ou mar.” Edmundo González promete estar na Venezuela após 10 de janeiro e oferece vice-presidência a Maria Corina
Edmundo González Urrutia, Prémio Sakharov para a Liberdade de pensamento 2024, conversou com jornalistas portugueses em Estrasburgo
Um dia após receber o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, o presidente eleito da Venezuela, Edmundo González Urrutia, falou aos jornalistas portugueses em Estrasburgo. Uma conversa pontuada pela promessa de um regresso à Venezuela “por terra, por ar ou por mar”, atira em tom de brincadeira, “pela via possível”, para assumir o poder que diz ter-lhe sido “conferido pelo povo venezuelano quando, a 28 de julho passado, mais de sete milhões de venezuelanos votaram” para que fosse eleito Presidente da Venezuela.
Edmundo González Urrutia, que procurou asilo político em Espanha em setembro passado, na sequência de um mandado de captura emitido pelas autoridades venezuelanas, diz que a Constituição é clara: “a 10 de janeiro, o vencedor deve apresentar-se perante a Assembleia ou o tribunal para tomar posse”, e é isso que promete fazer. Quando questionado sobre se acredita que o tribunal o reconhecerá como Presidente, responde com um enigmático “é uma possibilidade”.
A candidatura de Edmundo esteve e está associada a um nome incontornável: o da mulher com quem divide a maior distinção do Parlamento Europeu, Maria Corina Machado. Corina “foi e é a dirigente política fundamental deste processo”, assume Edmundo e acrescenta que lhe ofereceu o cargo de “vice-presidente executiva da república”. Quanto à composição da equipa com quem pretende trabalhar, diz que já tem nomes pensados, mas ainda não fez convites.
“Golpe de Estado? Nada disso!”
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proclamou o atual Presidente, Nicolás Maduro, como candidato reeleito para um terceiro mandato, por um período de seis anos, com 51% dos votos, um resultado que González Urrutia contesta. Aos críticos e ao regime de Maduro, que o acusam de estar a levar a cabo um golpe de Estado, Edmundo responde com as atas eleitorais que tornou públicas e que fez questão de mostrar em Estrasburgo, na conferência de imprensa que deu ao lado de Roberta Metsola, segundo as quais Edmundo González Urrutia venceu as eleições presidenciais com 70% dos votos. “Golpe de Estado? Nada disso”, diz-nos. “Houve um processo eleitoral, houve umas eleições, houve um resultado e esse resultado favoreceu-nos amplamente para assumirmos o cargo de Presidente da República”, defende.

Os primeiros 100 dias
Edmundo González reconhece que "há muitas coisas que precisam de ser corrigidas” na Venezuela. O país, diz, “está numa crise terrível há muitos anos, com uma hiperinflação muito acentuada” e, por isso, não quer destacar uma primeira medida. Sem entrar em grandes detalhes, o vencedor do Prémio Sakharov explica que o plano contém "medidas para recuperar a economia", para “recuperar salários” dos trabalhadores, para abrir a economia e permitir “investimento estrangeiro” em segurança.
Na economia, sustentou, é preciso resolver “a questão da taxa de câmbio, pôr em ordem a questão do investimento". “É preciso uma ampla e profunda recuperação” em todo o país. Por exemplo, na educação, é necessário um grande trabalho, dado que há crianças que apenas “vão à escola duas vezes por semana".
Comunidade portuguesa na Venezuela
Edmundo González Urrutia, que o Parlamento Europeu reconhece como Presidente eleito da Venezuela, acredita que dos 7 milhões e 300 mil venezuelanos que votarem em si, está certo de que muitos serão portugueses e pede à comunidade portuguesa no país “que se junte ao processo de recuperação da Venezuela”.
*A jornalista Teresa Mota viajou até Estrasburgo a convite do Parlamento Europeu
