Processo contra o Snapchat mostra falhas na resposta a casos de extorsão sexual
E-mails citados nos documentos judiciais mencionam perto de dez mil denúncias por mês.
Os documentos de um processo contra o Snapchat que está a decorrer num tribunal do estado norte-americano do Novo México mostram que a rede social não deu resposta a várias denúncias de extorsão sexual e outros tipos de ameaças a utilizadores menores de idade.
Numa versão não truncada dos documentos judiciais, adianta a Associated Press, lê-se que as equipas de gestão da rede dificultaram a implementação de medidas de segurança e o procurador responsável alega que a própria rede social "cria um ambiente que fomenta a sextortion (extorsão sexual), o abuso sexual e contacto não solicitado de adultos com menores".
Os funcionários notam também que as denúncias de crimes sexuais feitas pelos utilizadores não estavam a ter a atenção necessária e que uma única conta que chegou a ser alvo de 75 denúncias conseguiu permanecer ativa, mesmo quando estavam em causa "nudes, menores e extorsão".
Num e-mail citado no processo, um funcionário adiantava que em novembro de 2022 havia "perto de dez mil" denúncias de extorsão sexual por mês e que, se os números correspondiam à realidade, "tinham um problema grave em mãos".
Outro funcionário acrescentava que o número representaria apenas uma "pequena fração dos abusos" porque a extorsão sexual "não é fácil de categorizar" no momento de apresentar uma denúncia.
A rede social garante que há mecanismos de segurança e que "dificulta ativamente a descoberta de menores por parte de estranhos" através, por exemplo, do impedimento de pedidos de amizade por parte de contas suspeitas.
Os responsáveis garantem também que trabalham "com as forças de segurança e agências governamentais" relevantes.
