Lago Azul em risco de ficar isolado. Localidade de Ferreira do Zêzere vai ser evacuada
Ferreira do Zêzere com dois terços do concelho sem energia e Lago Azul em risco de isolamento.
O concelho de Ferreira do Zêzere continua a viver uma situação crítica na sequência do agravamento das condições meteorológicas durante a última noite. De acordo com o presidente da Câmara Municipal, Bruno Gomes, 66% do território permanece sem fornecimento de energia elétrica e entre 70 a 80% da população está sem telecomunicações, o que dificulta seriamente as operações no terreno. “O ponto de situação continua difícil. Diria que essa dificuldade aumentou um pouco, ou bastante, durante esta noite”, afirmou o autarca.
Apesar de alguma melhoria na estabilidade do caudal da água, o município enfrenta agora um aumento das necessidades de retirar as pessoas do local, devido a problemas de segurança e de viabilidade dos edifícios, identificados de forma cada vez mais pormenorizada pelas equipas técnicas.
Uma das situações mais preocupantes localiza-se na zona do Lago Azul, onde existe o risco iminente de cedência da plataforma de uma via de acesso. “Temos uma plataforma de uma via que vai ceder e ficamos sem acesso ao Lago Azul. Por força disso, tive de agendar uma reunião de urgência para retirar a comunidade e também os hóspedes de uma unidade hoteleira que ali existe”, explicou Bruno Gomes.
O presidente da autarquia sublinha que o apoio externo poderia ter chegado mais rapidamente e enumera as principais necessidades imediatas do concelho. “Continuamos a precisar de muita mão de obra, muito material de construção, sobretudo telhas, e precisamos urgentemente de energia e telecomunicações. Trabalhar neste teatro de operações, com todos estes constrangimentos, torna tudo muito mais difícil.”
A falta de comunicações está a comprometer a coordenação entre as entidades locais. “Para comunicar com um presidente de junta tenho de me deslocar ou mandar alguém a dez quilómetros. Não temos condições para trabalhar de forma célere”, lamentou. Em termos de apoio logístico, o município indica que há lonas e alimentação em quantidade suficiente, mas antecipa um aumento significativo da necessidade de soluções de habitação para famílias afetadas. “Vamos começar a precisar ainda mais de habitação. Já falei com a senhora secretária de Estado da Habitação e têm de ser encontradas soluções para alojar pessoas que terão de ser realojadas”, concluiu.
