Rod Stewart "on the rocks" na Altice Arena
Elenco de virtuosos no palco e o eterno louro de voz rouca ao leme. Rod Stewart deu show ontem à noite na sala lisboeta.
A última visita de Rod Stewart a Portugal foi em 2019 e aconteceu na mesma sala que ontem à noite, 16 de julho, voltou a encher para acolher o histórico britânico. Receção calorosa ao homem que recentemente teve de explicar ao mundo que não vai "meter os papéis" para a reforma nem, tão pouco, vai deixar de cantar, a plenos pulmões, os hits que toda a gente quer ouvir.
A confusão surgiu quando o cantor disse, numa entrevista à BBC, que queria dedicar-se ao género swing, o que foi interpretado como um ponto final em tudo o resto. Nada disso. Stewart, de 78 anos, está cá para esclarecer. "Nunca irei para a reforma! Fui posto na Terra para ser cantor e vou continuar a sê-lo até que Deus queira" disse, convicto, na altura.
"Nunca poderia voltar as costas às canções que escrevi e cantei nos últimos 60 anos. São como se fossem minhas filhas. Criei-as e amo-as". E o amor às canções prevalece e não sucumbe à passagem do tempo. Aliás, se Stewart não tivesse publicado a nota de esclarecimento nas contas oficiais, teríamos percebido ontem que a vontade de meter os fãs a cantar os hits permanece, com garra, determinação e muito respeito nas intenções do artista inglês.
O espetáculo do Sir de voz rouca que veste fatos brilhantes (feitos à medida de quem existe para entreter milhares) divide-se entre versões de outros artistas e as próprias canções como 'Da Ya Think I'm Sexy', 'Young Turks', 'Baby Jane' ou 'Maggie May'.
Antes de começar o espetáculo, enquanto as pessoas se iam acomodando nas cadeiras da sala lisboeta, o ecrã gigante estava ocupado com a publicidade ao novo whisky de Stewart, o Wolfie's Whisky. Só para lembrar quem o queira provar. A partir daí, o veterano brindou a sala com mais de 20 canções.
'Just Can't Get Enough', tema dos Depeche Mode, disparou das colunas para a abertura oficial do espetáculo. Disparou também o impulso de saltar para uma pista de dança improvisada, mas a propulsão foi refreada, porém, com o som das escocesas gaitas de foles que se soltaram logo depois para anunciar a entrada do músico que não chegou sozinho, antes pelo contrário.
A dengosa 'Addicted to Love', original de Robert Palmer, foi a primeira versão que Stewart tirou da cartola. Com a vivacidade que o define, cantou-a ao lado de cinco mulheres que entraram no palco com os instrumentos ao colo, a lembrar o videoclipe de Palmer. Embora o palco estivesse cheio de gente, com um elenco alargado de músicos exímios nas suas tarefas instrumentais, Rod Stewart era, por esta altura, o ponto mais brilhante do palco, vestindo um casaco prateado que dava nas vistas cada vez que o cantor gesticulava, dançava ou corria pelo palco. O espetáculo do artista britânico é igualmente irrequieto, desdobrando-se em surpresas e novidades cénicas em cada canção.
Entre relíquias suas e versões de outros, o alinhamento teve outras preciosidades como 'You Wear It Well', 'Infatuation', 'Some Guys Have All the Luck', 'Forever Young', 'It's a Heartache', 'I Don't Want to Talk About It', 'The First Cut Is the Deepest' ou 'Tonight's the Night (Gonna Be Alright)'.
"Muito obrigado por nos terem vindo ver esta noite", disse Stewart ao público antes de espalhar a voz rouca pela arena ao cantar o clássico 'Maggie May'. O público reagia aos movimentos e às palavras do britânico com entusiasmo e aplausos. A pérola do blues 'I'd Rather Go Blind' foi dedicada a Christine McVie (dos Fleetwood Mac), falecida em 2022, e 'Rhythm of My Heart' foi a escolhida para a dedicatória solidária que o britânico fez à Ucrânia e ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
'Downtown Train', 'Handbags and Gladrags', 'You're in My Heart', 'Tonight's the Night (Gonna Be Alright)' ou 'Have I Told You Lately' também foram escutadas na Altice Arena. Ainda dois presentes oferecidos pelas cantoras/bailarinas que, enquanto Rod Stewart mudava de roupa lá atrás, cantaram clássicos energéticos como 'I'm so Excited' e 'Lady Marmalade'.
Na posição de adepto fervoroso do clube Celtic, houve ainda espaço no espetáculo para o habitual momento de homenagem à equipa de Glasgow. É o que Rod Stewart faz sempre que põe os pés em Lisboa. A razão é só uma. É que foi no Jamor, em 1967, que o Celtic conquistou a cobiçada Taça dos Campeões Europeus (atualmente Liga dos Campeões). 'Stay With Me', a consagrada e muito aclamada 'Baby Jane' e 'Sailing' ficaram guardadas para o final. Antes de ir embora, o artista britânico ajoelhou-se, num expressivo ato de gratidão, que foi fortemente aplaudido pelos milhares que estavam na ampla sala de Lisboa.




















