Mais de metade dos alunos com ação social não ativou prioridade para entrar no Superior
Estudo do EDULOG revela que só 43% dos alunos com Escalão A de Ação Social Escolar recorreram ao contingente que lhes garante 2% das vagas - ou dois lugares - da primeira fase do concurso nacional de acesso.
Só 43% dos alunos inseridos no escalão A do Apoio Social Escolar (ASE-A) ativaram, no ano letivo 2023/2024, o estatuto que lhes conferia acesso prioritário ao Ensino Superior, e 41% dos que o ativaram não teriam conseguido ingressar sem este apoio, conclui um estudo do EDULOG revelado esta quinta-feira.
De acordo com o trabalho do think tank para a Educação da Fundação Belmiro de Azevedo, este contingente prioritário que reserva 2% das vagas fixadas para a 1.ª fase - ou dois lugares - aumentou em dez pontos percentuais a probabilidade de um aluno ASE-A ser admitido no Ensino Superior, tomando como base uma probabilidade de acesso de 78%.
O programa aumentou também em 2,8 pontos percentuais a probabilidade de um aluno ASE-A garantir acesso a programas seletivos nas áreas de estudo "mais competitivas" - definidas como cursos com notas de acesso acima dos 17 valores -, partindo dos 8% de probabilidade atribuída a alunos elegíveis, mas colocados sem recorrer à quota prioritária.
"São sobretudo áreas de Engenharias, Economia e Gestão, e também Medicina, muitas vezes em Lisboa e Porto", explicou a esta rádio o coordenador do estudo, Pedro Luís Silva.
No trabalho divulgado, o EDULOG conclui que, se o contingente prioritário não existisse, 41% dos estudantes ASE-A que o utilizaram "não teriam entrado na opção de colocação em que entraram".
Quanto à adesão de apenas 43% dos candidatos elegíveis a este mecanismo de admissão, o trabalho identifica como possíveis dificuldades as "lacunas de informação, restrições financeiras ou desajustamento entre a oferta de programas no ensino superior e os interesses dos estudantes" e admite que a familiaridade com este tipo de contingentes também possa contribuir para a adesão: foi nos Açores e Madeira que se verificou uma taxa de participação mais elevada.
"Supomos que nessas regiões, porque os alunos já estão habituados a consultar a informação referente aos contingentes prioritários da Madeira e dos Açores, as escolas já poderiam estar melhor informadas", adianta Pedro Luís Silva, que contrasta esta realidade com a de Lisboa e Setúbal, "em que há escolas em que os alunos ASE-A que se candidataram nunca utilizaram esse contingente".
Entre as explicações possíveis está a "falta de informação" ou "questões de ambição, porque os cursos a que os alunos estão a candidatar-se podem não precisar do contingente". Há ainda questões relacionadas com a mobilidade, uma vez que os alunos ASE-A "exibem menos padrões de mobilidade, são menos deslocados" do que os alunos que não têm este Escalão A de apoio.
Em 2023, 6% dos alunos do Ensino Secundário eram beneficiários ASE-A, com as regiões Norte (7%), Algarve (8%) e Madeira (7%) acima dessa incidência. Pode consultar os dados com apoio gráfico aqui.
Numa avaliação da primeira utilização deste regime prioritário, Pedro Luís Silva faz um balanço "positivo", mas aponta a necessidade de mudanças ao nível da informação e nota que podia até acontecer "com custo reduzido".
"Por exemplo, divulgar a nota mínima de entrada deste contingente no website da Direção-Geral do Ensino Superior, assim como se divulga a nota de entrada do Regime Geral de Acesso", uma vez que "permitiria aos alunos saber se seria possível ou expectável saber se entrariam em determinado curso face àqueles que foram admitidos no ano anterior".
Os autores do estudo querem agora olhar para o que acontece aos alunos com entrada prioritária nos anos seguintes ao ingresso para perceber, por exemplo, se estes alunos abandonaram o ensino
ou a forma como entraram no mercado de trabalho.
