The Cult no CA Vilar de Mouros: palco para mais uma declaração de amor a Portugal

    A banda britânica fechou o segundo dia da edição de 2024 do festival mais antigo da Península Ibérica.

    Ontem foi a noite do regresso dos The Cult ao Alto Minho, viagem que a banda inglesa fez com todo o gosto, mesmo que a última passagem por Portugal tenha sido há apenas um mês. 

    Se em 2019 os ingleses tiveram o recinto de Vilar de Mouros aos pés para a celebração dos 30 anos do álbum Sonic Temple, ontem à noite a banda britânica reuniu as tropas para a celebração dos 40 anos de carreira, percurso que, mesmo depois da edição de 11 álbuns, ainda tem vista para o futuro, pelo menos nos palcos e com salas cheias. 

    Celebrar os Cult é o propósito da "The 8424 Tour". É o mesmo circuito que em julho encheu os coliseus de Lisboa e Porto. As duas salas centenárias portuguesas ainda nem arrefeceram e já tivemos direito a The Cult outra vez. O frontman Ian Astbury aproveitou a respiração entre músicas para explicar porquê. "Fizemos este caminho todo para voltar a estar convosco", confidenciou. "Divertimo-nos tanto há um mês em Lisboa e no Porto", contou o britânico, não saindo do palco sem avisar o público português que os Cult têm disponibilidade total para voltar.

    Energia inesgotável a que os históricos Ian Astbury e Billy Duffy - os dois elementos mais antigos da banda - ainda “atiram” para a atmosfera. Pelos relatos que temos lido, tem sido assim nos concertos que têm dado, embora ontem tenha havido alguns momentos em que Astbury teve de puxar pelo ânimo de muitos que só espevitavam quando se soltavam do alinhamento as glórias mais conhecidas dos britânicos, como Wild Flower, Rain ou She Sells Sanctuary.

    Com a base fiel de fãs, a história foi outra. "Esta é a malta hardcore", disse, às tantas, o vocalista que ontem entrou em palco vestido com um hoodie escuro devidamente personalizado para esta digressão. Ian Astbury, mais uma vez, mostrou-nos que continua com um vozeirão de fazer estremecer as paisagens mais tranquilas do Minho. Com a habitual genica, foi alternando a performance entre o movimento frenético de braço a tocar pandeireta, pontuais murros no ar e vários pontapés na própria pandeireta. 

    De onde vem a "pica" mesmo depois de quatro décadas na estrada? Da paixão de tocar ao vivo, sublinha o músico nas entrevistas. E é uma vitalidade que os próprios gabam. Numa mais recente à publicação Linea Rock, Astbury comparou o grupo a Benjamin Button, a famosa personagem do filme O Estranho Caso de Benjamin Button, que em vez de envelhecer vai sendo cada vez mais jovem.     

    Movidos então por uma energia que é renovada pela paixão de tocar ao vivo, os britânicos picaram os vários álbuns que editaram desde o início dos anos 80. Houve passagem por Love, Sonic Temple, Beyond Good and Evil, Dreamtime, Electric, Choice of Weapon, Pure Cult: For Rockers, Ravers, Lovers and Sinners, The Cult e Under the Midnight Sun.

    O final foi em grande e afetuoso até porque Astbury chamou duas fãs para o palco. Ofereceu-lhes o colar e abraçou-as com honestidade e gratidão. 

    "Temos muito amor por vocês e por Portugal", disse o carismático vocalista aos fãs portugueses antes de se ir embora. "Queremos muito voltar", sublinhou, acabando o concerto com a mão ao peito. Astbury despediu-se a contemplar o público, ajoelhado no palco, e a orquestrar a multidão ao som da histórica Joan Baez, a voz que saiu da coluna para fechar o segundo dia do também histórico festival.

    A edição 2024 acontece até sábado entre as colinas de Vilar de Mouros. Esta sexta-feira, há concertos de Sulfur Giant, Capitão Fausto, Ornatos Violeta, Crystal Fighters e Die Antwoord. No cartaz do último dia, estão nomes como os de Vapors of Morphine, David Fonseca, Waterboys, Libertines e The Darkness.