Theia: neste canto jazz, quem manda são as mulheres

    Festival começa nesta sexta-feira e decorre no Centro Cultural da Malaposta até domingo.

    O festival Theia é um evento de jazz dedicado às mulheres, que vai para a segunda edição, no Centro Cultural da Malaposta, em Olival Basto, e que começa na próxima sexta-feira, dia 17, e finaliza no domingo, dia 19.

    Esperam-se na Malaposta uma jam session, uma masterclass e ainda concertos de jovens artistas nacionais como Inês Malheiro, os Sepia ou, com paisagem bielorrussa, os Mova Dreva. Mas o nome forte é mexicano, falamos da contrabaixista e cantora Fuensanta, acompanhada pelo Ensamble Grande, um coletivo tão internacional quanto transcontinental (com músicos de Portugal, Escócia, Letónia, Turquia, Israel e Coreia do Sul).

    A curadora Rita Maria (na foto em cima) concebe um festival em que o género sexual é o feminino mas em que o género musical dificilmente se fica só pelo jazz. As eletrónicas e a música étnica também espreitam no Theia. Entrevistámos a programadora lisboeta, que discorre sobre o Theia nos tópicos em baixo.

    O conceito do festival 
    "O factor do género é pertinente dada a falta de representavidade. Mas o que me moveu a fazer este festival é muito mais do que isso. O meu interesse é também uma questão estética. É uma oportunidade de criar eventos que sejam uma plataforma de criação e de reflexão com as conferências. Há muito material, há muita nova produção, há muita efeverscência de ideias que não está a ser devidamente captada. Ter a oportunidade de divulgar este tipo de trabalhos é para mim uma honra". 

     

    Programa musical que não cabe só no jazz
    "É bastante eclético. Eu não quero que o festival seja estanque do ponto de vista de proposta etética. Há balizas que vão sendo cada vez mais óbvias para mim. Não vou dizer que não há uma influência brutal do curador nas escolhas. Felizmente, foi-me dada carta branca para que eu fizesse o que eu entendesse. A temática nunca vai ser a mesma, mas pode haver aos poucos uma direção temática. Neste momento, estou interessada em fazer um showcase. Queremos ser apenas um showcase que dá acesso". 

    A conquista de um público mais jovem
    "O interesse no festival está mais na camada jovem, que procura representatividade e um lugar onde essa representatividade esteja expressa. Mais facilmente se movem para um festival com estas características".

     

    Fuensanta, a figura do cartaz
    "A Fuensanta é, assumidamente, a figura internacional do cartaz. Era outra das minhas vontades: extender os braços à comunidade internacional e colocar este evento na rota dos festivais internacionais, que sirva de showcase para que programadores internacionais venham buscar aquilo que fazemos em Portugal".
    “[A Fuensanta] representa muito o que eu acho que é um artista completo, mesmo do ponto de vista da dimensão poética. Ela compõe a sua própria música, toca a sua própria música e canta a sua própria música. E também dá voz à sua própria música numa perspetiva de poetisa de uma forma que me preenche e me convence". 

     

    Próximas edições
    "Tenho muitas pretensões que o festival cresça, mas eu acho que já é significativo na dimensão que tem. Se continuar a ser signifitcativo na dimensão que tem, não vou ficar defraudada. Mas obviamente tenho expetativas e julgo que tem todo o potencial para crescer".
    "Mesmo que [o Thiea] saia da Malaposta, e provavelmente vai ter que sair, eu não sei se Lisboa seria o local indicado para um festival destes, até porque não faltam festivais em Lisboa, e o país não é só Lisboa".  

     

    Podem encontrar as informações completas sobre o festival no site do Centro Cultural da Malaposta, neste link.